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Não pode comer arroz branco, Harvard? Especialista em nutrição esclarece estudo polêmico e lista opções

Nutricionista se preocupa com estudo sobre associação do arroz branco à diabetes e pondera sobre escolhas possíveis e sem terrorismo nutricional.  

Entenda por que o arroz branco não é a melhor opção nas refeições de cada dia (Foto: Freepik)

E a polêmica do arroz volta ao centro das atenções. Afinal, pode ou não comer arroz branco à vontade? Os resultados de um estudo realizado em Harvard pegou muito gente de surpresa. Se no Brasil esse é um prato praticamente "obrigatório" na mesa da população apaixonada por um bom arroz com feijão, como fica daqui para frente?

Condenado nas dietas por muito tempo, ele já foi, inclusive, liberado para consumo nos planos de emagrecimento, e com dicas de nutricionistas. Será que o jogo virou? Para a especialista em nutrição Annie Belo (@anniebellophd), esse tipo de estudo deve ser interpretado com cautela.

"Alimentos isolados não são capazes de explicar desenvolvimento de doenças. Estudos em nutrição são complexos e muito difíceis de ver o impacto de apenas um alimento, até por que não comemos apenas um alimento", ressalta.

E o que faz esse tipo de arroz voltar ao centro de debate nutricional? Confira mais detalhes da pesquisa.

Por que o arroz branco faz mal à saúde, segundo Harvard

Será que o principal parceiro do feijão na culinária brasileira está com os dias contados? No que depender de um recente estudo da Universidade Harvard, sim. Os resultados dessa análise indicam que o arroz branco não é uma opção saudável e que seus efeitos no organismo, em especial no sangue, são preocupantes.

Por ser um produto refinado, o arroz branco perde toda a sua casca no processo de industrialização, isso resulta na perda de fibras e nutrientes como minerais e vitaminas. O que fica é apenas o amido. Cada 100 gramas de arroz branco possui cerca de 28,2 gramas de carboidratos.

Mas a nutricionista Annie Belo faz ressalvas sobre a repercussão do estudo: "Ataque gratuito a um dos alimentos mais consumidos no mundo. O que importa hoje para prevenção de diabetes é o padrão alimentar."

E aponta algumas orientações essenciais:

  • Importa quais são os outros alimentos que são consumidos junto com o arroz;
  • Importa como esse arroz é preparado;


"Esses pontos são fundamentais para resposta glicêmica. É melhor você comer arroz branco com cenoura, couve, brócolis, feijões e abobrinha do que comer arroz integral, farofa, batata e frango", afirma Annie Belo.

O total de carboidratos de uma refeição é fundamental nas variações do nível glicêmico

Conforme aponta o artigo de Harvard, a quantidade total de carboidratos em cada refeição ou lanche possui um papel fundamental nas variações do nível de açúcar no sangue: "Uma porção de arroz branco tem praticamente o mesmo impacto que consumir açúcar de mesa puro. Causa um aumento rápido e alto no açúcar no sangue."

Os pesquisadores fizeram um estudo com base nesses dados e concluíram que pessoas com diabetes devem evitar o consumo do arroz branco, assim como outras opções com efeito semelhante.

"Optar por fontes saudáveis ​​de carboidratos pode ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue e o peso. Além disso, está relacionado com um menor risco de doenças cardíacas e de certos tipos de câncer”, afirma o artigo.

"Apesar de ser uma revisão sistemática com meta-análise, esse discurso 'não consuma arroz branco' não é a conclusão da publicação", frisa a nutricionista.

"Relembrando! A recomendação para prevenção de diabetes e para o tratamento é consumir uma alimentação predominantemente à base de vegetais. Arroz e também outros cereais integrais, feijão, legumes, verduras, castanhas, sementes e frutas", acrescenta ela.

Opções mais saudáveis para substituir o arroz branco

Muitos grãos podem ser apostas mais saudáveis no lugar do arroz branco. A quinoa, por exemplo, é um excelente substituto para o arroz e possui variadas vantagens nutricionais. O arroz integral e outros grãos não refinados e ricos em fibras são benéficos para a saúde e vantajosos de serem consumidos com frequência.

Os legumes e cenouras e vegetais verdes sem amido também são boas opções como acompanhamento, assim como alimentos preparados com aveia (essencial em uma alimentação saudável) e sem farinha que podem ser ótimos substitutos do arroz.

"Claro que os cereais integrais têm mais fibras que os refinados. Você pode consumir quinoa, arroz negro, arroz cateto e também o branco, o arroz basmati", indica a nutricionista.

A ideia não é abolir o arroz da sua dieta. O melhor caminho para encontrar as melhores substituições para o seu cardápio é através de uma consulta com um especialista para que pode te orientar e tirar todas as dúvidas.

"O arroz é um dos cereais mais cultivados e consumidos no mundo. Boa fonte de energia, proteínas hipoalergênicas e compostos bioativos como polifenóis, fitoesterois e lignanas, vitaminas e fibras. Deixe o arroz em paz", aconselha Annie Belo.

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