Sempre leia o rótulo do café que você compra para escolher um produto de boa qualidade (Créditos: Shutterstock)
Apesar de estar presente em muitas casas, cafeterias e padarias, um dos tipos de café mais consumidos no mundo é, na verdade, um dos menos recomendados – tanto para o paladar quanto para a saúde. Trata-se do café torrefacto, que é produzido com açúcar queimado durante a torra, prática que compromete completamente a qualidade da bebida e altera suas propriedades originais, de acordo com especialistas.
O que é café torrefacto e onde ele é encontrado
O café torrefacto é muito popular em países como Espanha, Portugal, México, Argentina e Cuba, onde ainda faz parte da cultura e do consumo cotidiano. Ele surgiu há várias décadas, em uma época em que o café era caro e escasso.
Para aumentar o peso dos grãos e mascarar defeitos de qualidade, produtores começaram a adicionar açúcar na torra. Esse açúcar, ao caramelizar e queimar, cria uma camada escura e brilhante nos grãos, deixando uma aparência que muitos consumidores passaram a associar a um café “forte” e de “boa qualidade”. Mas a aparência engana!
Segundo especialistas em torra e degustação de café, o açúcar queimado não melhora o sabor, nem conserva o café. Na verdade, ele apenas disfarça impurezas e acentua o amargor. Se um grão de café torrefacto for colocado em água fria, o líquido rapidamente se torna escuro, mas sem aroma – prova de que a cor vem do açúcar queimado, e não do sabor natural do grão.
Além da questão do sabor, o processo também gera compostos resultantes da queima, que não trazem nenhum benefício nutricional e podem até ser prejudiciais se consumidos frequentemente. É por isso que muitos especialistas no assunto defendem que esse tipo de café já deveria ter sido proibido.
Existe café torrefacto no Brasil?
Embora o café torrefacto não seja comum no mercado brasileiro, o país ainda enfrenta problemas semelhantes: muitas marcas populares fazem torras excessivamente escuras e misturam grãos defeituosos, o que gera um sabor amargo e queimado (lembrando, em parte, o efeito do torrefacto). Ou seja, mesmo sem o açúcar adicionado, o resultado é um café de baixa qualidade, produzido para parecer “forte”, mas sem complexidade aromática.
Como escolher um café bom de verdade e por que ele faz diferença?
Enquanto o torrefacto se apoia em aparência e baixo custo, o café especial ganha destaque pela pureza e pelo cuidado em cada etapa de produção. Eles são feitos com grãos maduros, colhidos no momento certo, selecionados manualmente e submetidos a processos de fermentação controlada. O resultado é uma bebida equilibrada, com notas que variam entre frutadas, florais e achocolatadas.
Todo esse cuidado, claro, se reflete no preço mais alto desses cafés, no entanto, ele vem do investimento e da atenção em cada detalhe, desde o cultivo até a torra. Além de oferecer um sabor superior, os cafés especiais também são mais sustentáveis, respeitando o meio ambiente e valorizando o trabalho dos produtores.
Por outro lado, o café industrializado, vendido como “tradicional” ou “extra forte”, costuma misturar grãos de diferentes qualidades e passar por torras muito intensas, usadas para mascarar defeitos. O resultado é um sabor amargo e pesado, sem o equilíbrio e o aroma natural que um bom café deve ter.
Diante de tudo isso, repensar o consumo de café é essencial. Para acertar na escolha de um bom produto, é importante observar alguns detalhes no rótulo. Em geral, prefira cafés 100% arábica, que são mais suaves e aromáticos, e evite aqueles que não informam a origem ou a torra. Cafés com selo de qualidade passam por processos mais cuidadosos e também são mais indicados.
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