O que comemos faz toda a diferença para a saúde do nosso cérebro. (créditos: Shutterstock)
O estilo de vida saudável costuma ser atribuído a dupla alimentação balanceada mais exercícios físicos. É academia, pilates, suco verde, marmita fit. Mas tem um órgão importantíssimo que costuma ficar fora do radar: o cérebro. E, segundo a nutricionista mexicana Beatriz Larrea, ele está pedindo socorro.
Em seu novo livro, O Cérebro Atômico, Larrea destaca que o estilo de vida moderno está detonando nossa saúde cerebral. “Os seres humanos estão atualmente no meio de uma batalha contra o declínio cognitivo, que ameaça roubar nossa lucidez, autovalidação e qualidade de vida”, explica a autora.
A questão é que estamos vivendo mais, o que seria ótimo, não fosse um detalhe: muita gente passa os últimos anos de vida lidando com doenças neurodegenerativas. Por isso, para ter uma velhice ativa e plena, o que nos resta é começar a cuidar do nosso cérebro.
Nunca é tarde demais para cuidar do cérebro
Quando Beatriz Larrea começou a escrever O Cérebro Atômico, deu de cara com um dado assustador. Cerca de 50% da população vai desenvolver alguma doença relacionada ao cérebro. Isso mesmo, metade de nós.
A triste verdade, segundo Larrea, é que basta viver o suficiente para acabar convivendo com algum grau de demência. Isso porque, entre todos os órgãos do corpo, o cérebro tem uma desvantagem cruel: ele é uma máquina exigente.
“Ele representa só 5% do nosso peso corporal, mas consome 25% da nossa energia e 20% do oxigênio”, explica a autora, que em seu livro compara o cérebro como uma megalópole de 100 bilhões de neurônios. Em condições ideais, nós podemos até produzir 700 novos neurônios por dia. Mas, do jeito que vivemos hoje (leia-se: estresse, má alimentação, sono ruim, sedentarismo), o que acontece é o oposto.
“O problema é que passamos os últimos 30 anos da vida em processo de degeneração cognitiva”, alerta Larrea. E, quando perguntam qual é o ponto de não retorno, ela responde com uma máxima otimista: “Nunca é cedo demais — e nunca é tarde demais — para cuidar do cérebro.”
O alerta não é apenas para os mais velhos. A infância e a juventude são momentos críticos. “Entre 70% e 80% das doenças mentais são diagnosticadas antes dos 25 anos”, destaca a autora. A alimentação nessa fase, por exemplo, pode ter impactos irreversíveis na saúde mental da vida adulta.
A alimentação é um dos pilares para fortalecer o cérebro
Larrea defende três pilares preventivos baseados na epigenética, o campo que estuda como o estilo de vida pode ativar ou silenciar genes ao longo da vida. “O que você faz aos 40 ou 50 anos já molda a saúde do seu cérebro no futuro”, explica. E depois dos 60 a palavra-chave é manutenção. “Mesmo que a casa esteja meio velha e empoeirada, ainda dá tempo de fazer reformas”, brinca a autora.
Dieta equilibrada, exposição à luz natural e atividade física são, segundo ela, ferramentas capazes de ativar substâncias que ajudam na regeneração das células cerebrais.
Um dos maiores aliados da saúde cerebral é o cacau, matéria-prima do chocolate. “É o alimento com maior poder antioxidante do planeta e ainda estimula a produção de neuroquímicos positivos”, garante Larrea. A boa notícia é que dá para comer chocolate (o amargo, no caso) com a consciência tranquila, pelo menos no que diz respeito à mente.
Outro grupo poderoso são as frutas vermelhas. Mirtilos, morangos, framboesas. Além de deliciosas, são verdadeiros impulsionadores de desempenho cognitivo. “Existem muitos estudos mostrando que crianças que comem mirtilos no café da manhã apresentam melhor rendimento escolar”, diz a autora.
Ovos e carnes entram como alimentos essenciais para a saúde cognitiva, principalmente na infância. Isso porque fornecem nutrientes que o cérebro simplesmente não fabrica sozinho, como colina, ferro e vitamina B12. “A colina, por exemplo, modula a acetilcolina, um neurotransmissor vital para a memória. E os ovos são riquíssimos nesse nutriente, o que os torna extraordinários em qualquer fase da vida”, destaca Beatriz.
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