Se você pensa que basta jogar toda a água no filtro ao fazer café coado, melhor repensar essa ideia! (Créditos: Shutterstock)
Se o café feito em casa costuma ficar muito amargo, fraco ou sem graça, o problema pode não estar na marca escolhida, nem na quantidade de pó utilizada. Muitas vezes, a diferença entre uma bebida não tão boa e outra cheia de sabor está em um detalhe simples do preparo: a forma como a água é despejada sobre o café.
Antes de pensar em trocar o produto ou colocar mais pó no filtro, vale prestar atenção na técnica de extração. Um pequeno ajuste na maneira de passar o café pode impactar bastante o resultado, permitindo extrair muito mais aromas e sabores sem gastar um grama a mais do ingrediente.
O erro mais comum ao passar café coado
Um sinal de que algo pode estar errado é quando o preparo termina e boa parte do café permanece grudada nas laterais do filtro. Esse efeito surge principalmente ao despejar toda a água de uma só vez.
Quando isso acontece, a água abre caminhos preferenciais pelo pó e parte dele acaba aderindo ao coador, sem participar da extração de forma adequada. Na prática, uma quantidade considerável de compostos responsáveis pelo sabor permanece no filtro em vez de chegar à xícara. E o resultado costuma ser um café menos equilibrado e com menor intensidade.
A solução é dividir a água durante a extração
Para conseguir um café verdadeiramente saboroso, a solução é mais simples do que parece: em vez de despejar toda a água de uma vez, o ideal é fazer várias pequenas jogadas ao longo do preparo.
Essa técnica faz com que o pó que ficou preso nas laterais volte para o centro do filtro, onde continua participando da extração. No final do processo, é comum perceber que praticamente todo o café está concentrado no fundo do filtro, sem grandes sobras nas bordas.
Além de melhorar o aproveitamento do pó, essa distribuição mais uniforme da água ajuda a extrair os sabores de maneira homogênea. De acordo com o barista Henrique Dias, da cafeteria Catarina, em São Paulo, o café possui centenas de compostos químicos que são extraídos em uma sequência natural.
Os primeiros estão relacionados à acidez da bebida. Em seguida, aparecem os responsáveis pela doçura e pelo corpo. Por último, vêm os compostos que trazem o amargor. Por isso, a maneira como a água entra em contato com o pó interfere diretamente no perfil da bebida.
Quem prefere um café com notas mais vivas e ácidas pode concentrar uma quantidade maior de água na primeira etapa da extração. Já quem busca uma bebida mais doce, encorpada e intensa pode dividir o volume total em mais etapas, prolongando a extração e aumentando a quantidade de sólidos dissolvidos que chegam à xícara.
O bico da chaleira também faz diferença
Outro detalhe importante é o formato da chaleira utilizada no preparo. Chaleiras com bico fino e mais angulado, como os modelos chamados de "bico de ganso", permitem controlar melhor o fluxo da água, facilitando a distribuição uniforme sobre o café moído.
Mas isso não significa que seja obrigatório investir em equipamentos caros ou especiais para fazer um bom café em casa. Mesmo com uma chaleira comum, controlar a velocidade e dividir a água em etapas já pode proporcionar uma melhora perceptível no resultado.
Faça o teste em casa
Uma forma simples de perceber essa diferença na extração do café é usar exatamente a mesma receita de sempre, alterando apenas o jeito de colocar a água.
Se a preparação leva 200 ml de água, por exemplo, experimente dividir esse volume em quatro aplicações de 50 ml, esperando a água baixar um pouco antes da próxima. Outra opção é aumentar ainda mais o número de etapas, fazendo cinco ou seis pequenas jogadas.
Sem trocar o café, sem mudar a moagem e sem aumentar a quantidade de pó, a bebida pode ganhar mais aroma, corpo e doçura.