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O mito dos "superalimentos": nutróloga explica por que você deve deixá-los de lado e focar na alimentação como um todo
Clarice MunizPor  Clarice Muniz  | Redatora

Sou jornalista e assessora de imprensa especializada em conteúdos de saúde e bem-estar. Adepta da comida de verdade, costumo preparar as minhas refeições diariamente, seguindo as recomendações de cuidados e saúde de especialistas. Sou fã de pimenta. Se você não curte comida picante, não se arrisque em tirar uma provinha da minha panela.

Nutróloga se preocupa com a supervalorização de certos alimentos na dieta: 'Não há evidências científicas de que têm propriedades milagrosas'

O mito dos "superalimentos": nutróloga explica por que você deve deixá-los de lado e focar na alimentação como um todo

Nutróloga não aconselha seguir uma dieta focada nos 'superalimentos' (Foto: Shutterstock) 

Quais são os alimentos mais saudáveis para priorizar na dieta? Diante de tantas dicas de especialistas e informações variadas, os superalimentos surgem como os itens poderosos (ou superestimados) que precisam fazer parte do consumo diário. No entanto, essa propagação de dicas pode causar muitas dúvidas.

Se o objetivo é direcionar as pessoas a adotarem hábitos alimentares mais saudáveis, os números ainda não apontam uma melhora expressiva: quase seis em cada 10 brasileiros (59%) possuem sobrepeso ou obesidade, segundo última pesquisa do Datafolha.

"Mudar a mentalidade e olhar para a dieta inteira pode tornar as coisas muito mais fáceis. Tenha uma alimentação diversificada, equilibrada e o mais natural possível", ressalta a nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN)

Comer um doce também pode ser saudável

O importante, segundo ela, é ter como base dos seus hábitos o consumo de alimentos naturais. "Mas comer um doce também pode ser saudável, pode ser bom. E não nos afasta de uma alimentação limpa", acrescenta.

A médica explica que proibir alimentos específicos pode ser ainda pior, pois aumenta o desejo de consumi-los. Quando o alimento proibido é ingerido, vem a sensação de ter "falhado", o que pode levá-la a abandonar todas as mudanças saudáveis feitas durante a jornada.

Alimentos bons e alimentos ruins

Classificar determinados alimentos como bons ou ruins pode ter um efeito negativo para muitas pessoas. A nutróloga afirma que comer muitas frutas e vegetais é uma ótima escolha, mas ainda assim é essencial incluir carboidratos ricos em amido, proteínas e gorduras insaturadas para obter todos os nutrientes necessários.

"E para se sentir satisfeito com as refeições. O excesso de frutas enche o corpo de fibras e antioxidantes importantes, mas não cobrirá a falta de outros nutrientes. O equilíbrio e a variedade são fundamentais", ressalta.

Você realmente precisa comer superalimentos todos os dias?

Vários alimentos foram elevados ao status de "superalimentos" e se tornaram os itens essenciais nas recomendações dos especialistas. Entre eles estão a chia, espirulina, couve, avocado, nozes, psyllium, açafrão, vinagre de maçã e também o brócolis, lista a médica.

"Apesar de poderem ser incluídos com mais frequência na alimentação, não há evidências científicas de que esses alimentos possuem propriedades milagrosas. Há um fator 'moda' que faz alguns alimentos serem incluídos como tendência. Por isso, sempre surge a lista dos 'superalimentos' de cada ano, similar à troca de tendências em roupas a cada estação", aponta.

Focar em alimentos ou nutrientes isolados não é uma estratégia útil, já que o importante na dieta é a variedade. E o ideal é que seja majoritariamente de origem vegetal, embora não haja problema em experimentar alimentos específicos, como goji berry ou cúrcuma, mas eles não são essenciais.

"Um paciente que não gosta de couve, não deve se preocupar. Ele pode experimentar outros vegetais verdes da mesma família, como repolho, espinafre ou brócolis"

A chave é uma dieta balanceada, com frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas, peixes e azeite de oliva, adaptando-se às preferências pessoais dentro dessa variedade.

O segredo é a consistência, ensina especialista

Pequenas mudanças podem se somar e trazer uma diferença importante com o passar do tempo. Por isso, a médica aconselha ser menos radical para acomodar seus gostos e seu estilo de vida ao escolher suas refeições.

O plano ideal é se concentrar nos grupos alimentares que são mais urgentes para que você consiga atingir um equilíbrio saudável, se permitindo flexibilidade de incluir todos os alimentos.

"E em vez de seguir desafios de '30 dias sem açúcar' dos influenciadores, que tal pensar em '30 dias consumindo mais frutas no café da manhã?', sugere a nutróloga.

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