• Entrar
  • Cadastrar
Sou médico e garanto: “Estamos acostumados a comer 3 vezes ao dia, mas na verdade isso não é natural”
JoannaPor  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Médico endocrinologista explica como funciona o jejum intermitente e como o corpo faz para aguentar muitas horas sem comida. 

Sou médico e garanto: “Estamos acostumados a comer 3 vezes ao dia, mas na verdade isso não é natural”

O jejum intermitente sempre levantou muitas questões sobre sua eficácia e impactos na saúde. (créditos: Shutterstock)

O jejum intermitente é uma estratégia de emagrecimento que ganhou bastante popularidade nos últimos anos. A prática consiste em alternar períodos de jejum e depois comer normalmente. Nesse caso, não são os alimentos que você come que ditam a dieta, mas o tempo que você fica sem comer entre as refeições. 

Apesar do jejum intermitente ter o apoio de alguns médicos e nutricionistas, muitas pessoas ainda são relutantes em aderir a esse plano alimentar. E não estão erradas, afinal, nem todo organismo se adapta tão bem a essa dieta, que por sinal deve ser feita apenas com apoio de um profissional de saúde. 

Por outro lado, o jejum, quando feito da maneira correta, pode trazer bons resultados. De acordo com o médico endocrinologista e professor de diabetologia Hanno Pijl do Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, essa estratégia pode até ser benéfica para algumas pessoas. 

Jejum intermitente se baseia na dieta dos nossos ancestrais na “idade da Pedra”

Segundo o professor Hanno Pijl, o nosso organismo é naturalmente preparado para períodos de jejum, logo, ficar muitas horas sem comer não chega a ser tão prejudicial à saúde. “O jejum deve ser entendido em seu contexto evolutivo. Ao longo de nossa história, sempre enfrentamos períodos de escassez de alimentos. Era vital sobreviver a eles.", explica o especialista. 

Hanno comenta que o jejum intermitente imita o plano alimentar dos seres humanos nos tempos da cavernas. Naquela época, as pessoas não tinham alimentos disponíveis o tempo todo. Por isso, quando surgia a oportunidade de se alimentar, elas comiam o máximo que conseguiam, pois passariam as próximas horas sem comer. Para enfrentar as horas de jejum, as pessoas se alimentavam, principalmente, de alimentos fonte de energia disponíveis naquela época, como vegetais e carne dos animais que caçavam. 

O jejum intermitente segue a mesma premissa. Por um período, a pessoa consome espontaneamente alimentos fonte de energia e, depois, segue algumas horas de privação total de qualquer comida ou líquido - com exceção da água, café e chás sem açúcar. “Essa dieta contém principalmente carboidratos ricos em fibras, pouco amido, gorduras saudáveis ​​e quase nenhuma proteína ou carboidrato rápido. Ela também contém relativamente poucas calorias". 

Fazer jejum intermitente é seguro? 

Hanno explica que o jejum intermitente não chega a ser tão absurdo pois o corpo humano é naturalmente capaz de passar períodos de escassez de alimentos. “Estamos tão acostumados a comer 3 vezes ao dia, mas isso não é natural para o nosso metabolismo. Ele é ajustado para períodos de escassez de alimentos. De um ponto de vista evolutivo, tais períodos eram normais, e foi somente a partir da revolução industrial que começamos a comer 3 vezes ao dia em uma base estrutural.", diz o especialista. 

Como dito anteriormente, o corpo humano é configurado para comer quando há comida disponível, porque a escassez sempre foi uma ameaça. O jejum é, portanto, menos antinatural do que pensamos. "Jejuar ocasionalmente por um certo período de tempo permite que seu corpo se repare. Isso tem um efeito benéfico em sua saúde.", afirma Hanno.  

Benefícios do jejum intermitente: vale ou não vale fazer?

O jejum quando feito de maneira segura e com acompanhamento profissional traz muitos benefícios à saúde. Um efeito óbvio é a perda de peso, mas Hanno explica que nem sempre é esse o caso. "A perda de peso depende de quanto tempo e com que frequência você jejua. É até possível jejuar sem perder peso e ainda experimentar benefícios para a saúde."

Hanno ressalta que o jejum não tem efeitos colaterais graves em pessoas saudáveis, mas isso não significa que ele seja para todos. "As crianças ainda estão crescendo. Por esse motivo não é recomendado. "Se você tem um transtorno alimentar ou é suscetível a ele, definitivamente não deve jejuar. Nesse caso, pode ser uma intervenção arriscada."

O professor também indica que pacientes de doenças crônicas ou que fazem tratamento regular com algum medicamento evitem o jejum. “O jejum tem um grande impacto no corpo e o uso de medicamentos às vezes precisa ser drasticamente ajustado durante esse período", ele enfatiza.

Por fim, Hanno aconselha nunca jejuar por mais de 12 horas, pois muito tempo sem comer pode levar a perda de tecido muscular, dores de cabeça e fraqueza. “Não se esqueça de beber bastante água. Durante o jejum você perde muito líquido devido a mudanças no seu metabolismo”, orienta o professor.  

 Veja também:

A verdade sobre o jejum intermitente: Harvard esclarece se estratégia alimentar ajuda no colesterol, na saúde do coração e na perda de peso de forma segura
Quem quer emagrecer deve treinar em jejum ou depois do café da manhã?

Temas relacionados