A gordura no fígado é uma condição que pode levar a cirrose e até câncer se não for tratada. (créditos: Shutterstock)
O álcool é um dos principais vilões quando o assunto é saúde do fígado. Mas o que pouca gente sabe é que algumas bebidas aparentemente inofensivas e sem álcool também podem causar sérios danos ao órgão.
Um estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition revelou que refrigerantes, energéticos e achocolatados favorecem o acúmulo de gordura no fígado, condição conhecida como esteatose hepática.
Segundo os pesquisadores, o alto teor de açúcar dessas bebidas aumenta a resistência à insulina, desencadeando diversos distúrbios hepáticos. Além disso, os aditivos químicos presentes nelas também estimulam o acúmulo de gordura no fígado.
O que é esteatose hepática?
A esteatose hepática é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Esse acúmulo provoca inflamações no órgão e, se não for tratado, pode evoluir para cirrose hepática ou até mesmo câncer. Em casos graves, o transplante de fígado pode ser necessário.
Principais causas da esteatose hepática:
- Consumo excessivo de álcool e bebidas açucaradas
- Alimentação rica em produtos ultraprocessados e pobre em nutrientes
- Sedentarismo
- Sobrepeso ou obesidade
- Diabetes
- Colesterol alto
- Uso de medicamentos que sobrecarregam o fígado (como corticoides e antirretrovirais)
A esteatose hepática tem cura e, quando diagnosticada no início não deixa nenhuma sequela. Além dos medicamentos indicados pelos médicos, o tratamento também inclui mudanças no estilo de vida, como investir em uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos, reduzir o consumo de alimentos ricos em açúcar e processados e, claro, evitar o consumo de álcool.
Sintomas da esteatose hepática aparecem em estádios mais avançados
A esteatose hepática é uma doença silenciosa. Nos estágios iniciais, dificilmente provoca sintomas evidentes e, quando surgem, costumam ser confundidos com sinais de cansaço comum. Um dos primeiros indícios é a fadiga, que pode vir acompanhada de fraqueza, perda de apetite e dor de cabeça.
Com a evolução da doença, podem surgir dor abdominal e inchaço na barriga, que indicam aumento do fígado. Em estágios avançados, o quadro pode incluir fezes esbranquiçadas, alterações na urina e até hemorragias.
Não existe dose segura de álcool para o fígado
Muita gente acredita que “uma cervejinha de vez em quando” não prejudica o fígado. Mas a realidade é outra: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversos estudos científicos, não existe dose segura de álcool. Isso significa que até uma única taça de vinho pode causar danos ao organismo.
Por isso, o consumo de álcool deve ser o menor possível e o mesmo cuidado vale para bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, que também sobrecarregam o fígado.
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