A alulose é cerca de 70% tão doce quanto o açúcar comum e bem menos calórica. (créditos: Shutterstock)
O açúcar é um dos ingredientes mais utilizados na culinária. Porém, não é nenhum segredo que o ingrediente pode causar uma série de problemas de saúde quando consumido em excesso. Por isso, há anos a ciência tenta descobrir um possível substituto do açúcar que ofereça a mesma doçura, mas que não tenha um impacto tão negativo no organismo. Após muitos anos de estudo, parece que os cientistas estão no caminho de encontrar um bom candidato para esse posto.
Aprovado pela primeira vez para uso nos EUA há mais de uma década, a alulose é uma substância encontrada em alguns alimentos, como o figo e uva passa. Ela tem 70% da doçura do açúcar, baixo teor calórico e o mais importante: não aumenta o índice glicêmico. Porém, a alulose é considerada um “açúcar raro” e a sua produção é caríssima.
Saiba mais sobre a alulose, benefícios e por que a ciência quer fazer da substância o açúcar do futuro.
O que é alulose: entenda as vantagens da substância em comparação ao açúcar comum
A alulose é um tipo de açúcar que tem a mesma composição química da frutose, mas em um arranjo diferente. Isso significa que a forma como o corpo metaboliza as duas substâncias é diferente e, consequentemente, seus impactos no organismo. A alulose, por exemplo, é absorvida pelo intestino delgado e depois excretada do corpo pelos rins sem ser usada como fonte de energia. Por isso, ela não tem efeito sobre os níveis de açúcar no sangue ou de insulina.
Outro benefício da alulose é que ela possui poucas calorias. São 0,4 calorias por grama em comparação com as 4 calorias por grama que o açúcar de mesa comum fornece, ou seja, praticamente um décimo das calorias do açúcar de cana. Além disso, um estudo de 2017 descobriu que a alulose pode aumentar o metabolismo energético e estimular a queima de gordura corporal.
Alulose é o adoçante natural com o sabor mais semelhante ao açúcar
A alulose foi descoberta pela primeira vez na década de 1940, mas só está disponível comercialmente na forma granulada e líquida desde 2015. Além de ser mais saudável, ela tem a vantagem de oferecer o sabor mais próximo ao açúcar em comparação com outros adoçantes. Além disso, a alulose possui características que permitem que ela seja usada para os mesmos fins culinários. Vale lembrar que o açúcar não serve apenas para adoçar os alimentos, mas também para texturizar e dar consistências aos preparos, conservar as comidas e equilibrar os sabores.
Com tantas vantagens, muitas empresas estão em busca de incorporar a alulose em seus produtos ou comercializá-la com um adoçante natural. Porém, ela só é encontrada em alguns alimentos, como figos, melaços, passas, trigo e açúcar de bordo. E mesmo nesses alimentos, a sua concentração é bem pequena. Por isso, a substância é considerada um “açúcar raro”, o que encarece muito a sua produção.
Para você ter noção, estima-se que a indústria de substitutos do açúcar esteja avaliada em cerca de US$ 17 bilhões. Outro ponto é que a alulose ainda não foi aprovada no Canadá e na Europa, uma vez que é considerada um novo alimento, o que significa que não está disponível há tempo suficiente para ser considerada segura. Por isso, o mercado global ainda está receoso em investir na alulose.
Empresas estão buscando alternativas para tornar a alulose mais acessível
Algumas empresas estão em busca de alternativas para baratear a produção de alulose e torná-la mais acessível. A Ambrosia Bio, uma startup israelense, encontrou uma maneira de fabricar a substância usando açúcar ou xarope de milho rico em frutose como matéria-prima.
Outra startup americana, a Bonumose, também está em busca de desenvolver um adoçante natural com características semelhantes à alulose com menor custo. O próximo passo é encontrar clientes que topem utilizar esses ingredientes em seus produtos.
Outro desafio é obter a aprovação e regulamentar o novo ingrediente na maioria dos países e da própria OMS. Até lá, serão necessárias muitas pesquisas, testes e investimentos. Portanto, o dia em que encontraremos a alulose nas prateleiras dos supermercados ainda vai demorar para chegar. Entretanto, já é uma esperança para um futuro em que não precisaremos nos preocupar tanto com a saúde na hora de comer um docinho.
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