Viagem da cantora Katy Perry ao espaço levou batata-doce e sementes de grão-de-bico brasileiras. (créditos: Shutterstock/Reprodução Instagram @katyperry)
Nos últimos dias, não se falou em outra coisa além da visita da cantora Katy Perry ao espaço. Além da diva pop, outras cinco mulheres também pegaram carona no voo suborbital da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos. A tripulação chegou até a Linha de Kármán, a 100 km de altitude, considerada o início do espaço.
Contrariando as expectativas dos fãs, Katy Perry não foi performar seus maiores hits aqui na Terra lá no espaço (imagina quão icônico seria ela cantando “E.T.” em órbita). Na verdade, a viagem da cantora fez parte de uma expedição para avaliar o cultivo de alimentos em ambientes de baixa gravidade. Entre as espécies selecionadas, estavam dois experimentos científicos desenvolvidos pela Embrapa — Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
Brasil no espaço com a Katy Perry: por que plantas brasileiras foram escolhidas para a viagem?
A bordo da nave New Shepard estavam batatas-doces adultas e sementes de grão-de-bico desenvolvidas pela Embrapa. Os dois alimentos passaram por um processo de melhoramento genético conduzido por pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB). O objetivo do experimento é estudar formas de viabilizar o cultivo de vegetais em outros planetas, espaçonaves e até mesmo na Lua.
Segundo Larissa Vendrame, pesquisadora da Embrapa Hortaliças, a batata-doce e o grão-de-bico foram escolhidos devido às suas características, como fácil adaptabilidade e alto valor nutricional. “São culturas resilientes, de ciclo rápido e que demandam poucos insumos”, afirmou a cientista em comunicado.
Larissa explica que a batata-doce foi selecionada por ser rica em carboidratos de alto índice glicêmico e compostos antioxidantes:
“As raízes da batata-doce produzem compostos bioativos que promovem a saúde humana, pois atuam como poderosos antioxidantes naturais. Esse consumo é especialmente valioso em ambientes expostos à radiação, como nas condições da Lua, de Marte ou da Estação Espacial Internacional”, afirma a pesquisadora.
O grão-de-bico, por sua vez, conquistou uma vaga na viagem por conta do seu alto teor de proteínas. Junto com a batata-doce, ele seria a base de uma dieta essencial para a vida no espaço.
Plantas brasileiras podem ser o futuro da agricultura interplanetária
Durante o voo, os vegetais ficaram expostos à microgravidade por cerca de cinco minutos. De volta à Terra, os alimentos retornarão ao país de origem para que pesquisas avaliem possíveis alterações genéticas e outros efeitos do ambiente espacial nas sementes e plantas.
Dependendo dos resultados, os cientistas acreditam que será possível utilizar os alimentos que foram ao espaço para desenvolver variedades mais resistentes. E as aplicações não se limitam à vida fora do planeta: os pesquisadores também esperam que as mutações genéticas possam contribuir para a criação de alimentos mais tolerantes a condições extremas aqui na Terra, como secas ou mudanças climáticas.
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