Saber escolher a fonte e respeitar a quantidade adequada faz toda a diferença (Crédito: Shutterstock)
A proteína ocupa lugar central nas discussões sobre saúde e nutrição. Não é à toa: ela é essencial para a formação de músculos, ossos, hormônios e enzimas.
Nas redes sociais e nas embalagens de muitos produtos, o estímulo ao consumo proteico só cresce. Mas será que mais proteína significa mais saúde?
De acordo com a professora Margaret Murray, especialista em nutrição da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, a resposta é não!
Quanto de proteína precisamos?
As diretrizes internacionais recomendam que 15% a 25% da energia diária venha da proteína. Em termos práticos, isso corresponde a cerca de 0,84 g por quilo de peso corporal para homens e 0,75 g por quilo para mulheres.
Assim, um homem de 90 kg precisa, em média, de 76 g de proteína por dia, enquanto uma mulher de 70 kg necessita de cerca de 53 g.
Pessoas idosas e crianças podem ter necessidades um pouco maiores, enquanto atletas de força e praticantes de musculação podem se beneficiar de até 1,6 g de proteína por quilo de peso corporal.
Acima desse ponto, porém, os estudos mostram que não há ganho adicional de massa muscular. Ou seja, ultrapassar a recomendação não significa resultados melhores.
O que acontece quando exageramos?
Murray explica que o corpo não elimina automaticamente o excesso de proteína. Ele é metabolizado e convertido em energia e, quando há sobra energética, em gordura corporal.
Além disso, a ingestão exagerada pode sobrecarregar alguns órgãos e sistemas:
- Rins: pessoas com doença renal crônica precisam limitar proteínas, já que o excesso pode acelerar a perda da função renal
- Digestão: altas doses podem causar desconfortos gastrointestinais, como gases, inchaço e constipação
A especialista lembra ainda que, ao priorizar só proteína, muitos acabam deixando de lado carboidratos e gorduras saudáveis o que gera uma condição chamada intoxicação por proteínas.
Nem todas as proteínas são iguais
A pesquisadora destaca que o excesso de proteína animal — especialmente carne vermelha e processada — tem sido associado a maior risco de diabetes tipo 2 e câncer em idosos.
Isso porque muitos alimentos de origem animal vêm acompanhados de gordura saturada, ligada a doenças cardiovasculares.
Já as fontes vegetais de proteína (como feijão, lentilha, grão-de-bico e cereais integrais) oferecem um cenário oposto: são ricas em fibras, ajudam a reduzir o colesterol, melhoram a saúde intestinal e estão associadas a menor risco de doenças crônicas.
O equilíbrio é a chave
A ciência é clara: proteínas são fundamentais, mas devem estar em equilíbrio com carboidratos, gorduras boas, vitaminas e minerais. O exagero pode atrapalhar a saúde, enquanto a variedade garante um corpo bem nutrido.
Se você busca aumentar a ingestão proteica, prefira alternar entre fontes animais magras e vegetais e, acima de tudo, respeite os limites recomendados.
Como resume Margaret, não se trata de adicionar cada vez mais proteína, mas de encontrar um equilíbrio que sustente a saúde a longo prazo.
8 alimentos esquecidos com mais proteína do que o ovo e dicas de como adicioná-los ao cardápio
O alimento muito rico em proteínas recomendado por um nutricionista para um jantar rápido e fácil