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Por que algumas pessoas intolerantes ao glúten conseguem comer farinha na Europa? Especialistas desvendam o fenômeno
Clarice MunizPor  Clarice Muniz  | Redatora

Sou jornalista e assessora de imprensa especializada em conteúdos de saúde e bem-estar. Adepta da comida de verdade, costumo preparar as minhas refeições diariamente, seguindo as recomendações de cuidados e saúde de especialistas. Sou fã de pimenta. Se você não curte comida picante, não se arrisque em tirar uma provinha da minha panela.

Especialistas explicam se comer glúten na Europa é diferente de comer nos Estados Unidos

Por que algumas pessoas intolerantes ao glúten conseguem comer farinha na Europa? Especialistas desvendam o fenômeno

Entenda as diferenças entre o tipo de glúten usado nos aimentos dos Estados Unidos e da Europa (Foto: Shutterstock; Canva)

Você sabia que algumas pessoas conseguem comer pão e massas sem problemas na Europa, mas sofrem com desconfortos ao ingerir os mesmos alimentos nos Estados Unidos?

Essa experiência, cada vez mais comum, intriga tanto quem vive com intolerância ao glúten quanto especialistas em nutrição.

Mas será que existe, de fato, uma diferença real entre os alimentos com glúten consumidos nesses dois lugares?

O HuffPost investigou essa questão com especialistas e reuniu os principais fatores que podem explicar por que algumas pessoas sentem-se melhor ao consumir glúten fora dos EUA.

Entenda o que é sensibilidade ao glúten

O glúten é uma proteína presente no trigo, na cevada, no centeio e em outros grãos. A doença celíaca é uma condição autoimune que danifica o intestino delgado quando o glúten é ingerido.

Para essas pessoas, a recomendação é clara: nada de glúten, em nenhum lugar do mundo.

"Ninguém que tenha sido diagnosticado com doença celíaca por um médico deve ingerir glúten de qualquer forma, em qualquer lugar", explica Claire Baker, da Beyond Celiac.

Já a sensibilidade ao glúten não celíaca (NCGS) provoca sintomas semelhantes, como inchaço, dores de cabeça, fadiga e desconforto intestinal, mas não causa danos permanentes ao intestino.

Diferente da doença celíaca, sua origem pode estar ligada a múltiplos fatores além do glúten em si.

O tipo de trigo faz diferença?

Especialistas acreditam que o tipo de trigo cultivado pode influenciar a resposta do corpo ao glúten.

  • Nos Estados Unidos, predomina o trigo vermelho duro, com maior teor de glúten;

  • Já na Europa, o trigo mole é mais comum e contém menos glúten.

"O trigo cultivado nos Estados Unidos normalmente tem maior teor de glúten, enquanto a Europa cultiva trigo mole, que tem menor teor", esclarece Christina Meyer-Jax, professora da Northwestern Health Sciences University.

No entanto, nem sempre é possível afirmar com certeza qual tipo de trigo está sendo usado em cada alimento. A Europa também cultiva e importa trigo com alto teor de glúten, inclusive dos Estados Unidos.

Produtos químicos presentes nos alimentos com glúten fazem a diferença

A diferença pode não estar no glúten, mas nos herbicidas, aditivos e conservantes utilizados na produção de alimentos.

Nos Estados Unidos, o uso de glifosato - herbicida classificado pela Organização Mundial da Saúde como "provavelmente carcinogênico" - é amplamente difundido.

"Os alimentos que contêm glúten nos Estados Unidos também podem conter níveis mais altos de produtos químicos que interferem na saúde intestinal e aumentam a inflamação", afirmou Meyer-Jax.

Além disso, conservantes e aditivos podem perturbar a microbiota intestinal de algumas pessoas, o que gera sintomas como inchaço, diarreia e dores de cabeça (muitas vezes confundidos com intolerância ao glúten). 

Técnicas de preparo e estilo de vida também contam

A forma como o alimento é preparado e o estilo de vida durante a viagem podem influenciar diretamente a digestão.

Na Europa, porções costumam ser menores, os alimentos mais frescos, e o consumo de produtos ultraprocessados, menor. Além disso, turistas tendem a caminhar mais, o que pode ajudar na digestão.

"Se alguém que está acostumado a alimentos mais processados visitar uma padaria onde a maioria dos itens é fresca, poderá ter uma reação diferente", explicou Claire Baker ao HuffPost.

Caminhadas após as refeições, típicas em viagens turísticas, também melhoram a digestão e reduzem desconfortos, segundo estudos citados pela publicação.

Efeito placebo ou algo real?

Ainda não há uma resposta definitiva. O que se sabe é que muitos fatores estão em questão:

  • Tipo de trigo;
  • Técnicas de cultivo;
  • Aditivos alimentares;
  • Processamento industrial;
  • E até o comportamento do consumidor.

"Embora as pessoas com sensibilidade ao glúten possam relatar menos sintomas ao consumir produtos europeus com glúten, há variáveis suficientes na mistura que não deixam claro o que está em jogo", disse Claire Baker.

Siga a recomendação se você tem doença celíaca

Para quem tem doença celíaca, a recomendação é universal: evite o glúten sempre, independentemente do país onde estiver.

Já quem possui sensibilidade não celíaca deve observar o próprio corpo e, de preferência, evitar experimentar alimentos potencialmente desencadeadores durante viagens.

Cada organismo pode reagir de uma forma, por isso, se você sente sintomas frequentes ao consumir glúten, procure orientação médica e nutricional adequada.

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