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Uma rodada de pão de forma, por favor: o que você precisa saber antes de comer o pãozinho e dirigir para o bafômetro não apitar
Paula AraripePor  Paula Araripe  | Redatora

Paula é jornalista, escritora e fã de carteirinha das competições de gastronomia da TV. Não consegue viver sem pão de queijo, é adepta das receitas simples e bem-feitas, e adora presentear as pessoas com biscoitos caseiros.

O teor alcoólico do pão de forma foi motivo de polêmica, veja o que você precisa saber para poder aproveitar essa delícia do dia a dia sem problemas

Uma rodada de pão de forma, por favor: o que você precisa saber antes de comer o pãozinho e dirigir para o bafômetro não apitar

O teor alcoólico do pão pode ser pego no bafômetro? O TudoGostoso responde (Créditos: Shutterstock)

Ser pego no bafômetro por causa de pão de forma virou um novo medo dos brasileiros nos últimos dias. Em julho de 2024, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) revelou o resultado de um estudo polêmico sobre a presença de álcool no pão de forma o suficiente para fazer o bafômetro apitar. Por causa da fermentação dos açúcares, processo usado para fazer bebidas alcoólicas, muitas comidas do dia a dia têm algum teor alcoólico, incluindo o pão, mas em índices muito baixos para embriagar ou causar problemas na estrada.

A pesquisa feita com pão de forma, por outro lado, revelou uma situação mais alarmante. Segundo a Proteste, algumas marcas usam um antimofo fabricado com álcool para aumentar a durabilidade desses pães extremamente sensíveis, o que fez com que o produto também tivesse um maior teor alcoólico. Mas, afinal, comer pão de forma e dirigir dá problema? O TudoGostoso explica se você terá problemas com bafômetro se comer pão de forma ou se deve cortar essa comida clássica do café da manhã.

Como o teste do bafômetro funciona?

Antes de saber como o álcool do pão de forma afeta o bafômetro, é importante saber como esse equipamento funciona. O bafômetro, nome popular do etilômetro, faz uma medição química que determina a concentração de álcool no sangue de uma pessoa com base no ar expelido do pulmão. Isso porque o sangue, ao circular no corpo, deixa traços nos pulmões e é exalado conforme respira.

Com base nessa informação, o bafômetro usa condutividade elétrica para comparar a presença de oxigênio e álcool etílico na respiração e calcular a quantidade de álcool por litro de ar alveolar na pessoa e, como consequência, no organismo dela. Em geral, cerca de 90% do álcool consumido já pode ser detectado no sangue pelo bafômetro em menos de 1 hora. E ele só deixa de estar presente 12 horas depois do consumo, mesmo se o efeito da bebida já tiver passado. No Brasil, a tolerância para dirigir bêbado é zero. Como a maioria dos bafômetros tem uma margem de erro de 0,04 mg/l, o limite máximo aceito para não ser multado é 0,05 mg/l.

O que fazer para comer pão de forma sem ter problemas com o bafômetro

Comer pão de forma pode fazer você ser pego no bafômetro? Essa é a grande questão que muitos adoradores deste pãozinho querem saber. Para começar, para uma bebida ser classificada como alcoólica pela lei brasileira, ela precisa ter mais de 0,5% de teor alcoólico. No estudo da Proteste, três marcas de pão de forma passaram desse índice com duas fatias: Visconti, Bauducco e Wickbold.

Isso significa que são elas pegas no bafômetro? Não necessariamente. O bafômetro é feito para testar se há álcool no sangue vindo do ar nos pulmões. No entanto, se houver resquícios de álcool na boca, mesmo que não consumido, ele pode aparecer no bafômetro. É por isso que um enxaguante bucal com álcool pode ser detectado no teste.

No caso do pão de forma, se consumir duas fatias das marcas com maior concentração de álcool e fizer o exame imediatamente depois, ele poderá ser registrado e até passar do limite de 0,05 mg. No entanto, isso não representa o álcool no sangue de fato. O álcool em pequenas quantidades como no pão some rápido da boca e do organismo. Se esperar meros 2 ou 3 minutos e refizer o teste, o medidor pegará apenas o ar dos pulmões, como deve ser, e dará como zerado.

Resumindo, a quantidade de álcool nos pães ainda é baixa e não é “transferida” diretamente para o sangue, sendo diluída conforme é absorvida pelo corpo. Por isso não causa embriaguez e nem afeta a capacidade de dirigir, que é o que o bafômetro quer medir. Ou seja, contanto que você não esteja comendo pão de forma no momento que é parado na blitz ou então coma pacotes inteiros em um curto intervalo de tempo, dificilmente você terá problemas com o bafômetro por causa do pão de forma.

Caso, por algum motivo, ainda for pego no bafômetro por causa do pão, é possível explicar ao agente e pedir para refazer o teste em alguns minutos. Em geral, em quantidades baixas é comum que o oficial dê essa segunda chance por causa de alimentos que contém pouco álcool e podem deixar resquícios na boca, como bombons com licor. Mas não adianta beber umas poucas e boas, ser parado em blitz e alegar que a culpa é do pãozinho que a desculpa não vai colar, viu?

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