Médica espanhola explica o impacto do uso frequente de paracetamol no fígado (Créditos: Divulgação/Shutterstock)
O fígado costuma trabalhar em silêncio – e talvez por isso muita gente só se lembra dele quando algum exame aparece alterado. No entanto, esse órgão é um dos mais importantes do corpo: ele filtra substâncias, ajuda na digestão, participa do metabolismo e atua como uma verdadeira “central de limpeza” do organismo.
Diante do papel de destaque que o fígado ocupa, a médica especialista em nutrição Marta González-Corró, autora do livro Um Fígado Feliz, investigou os hábitos do dia a dia que acabam sobrecarregando o órgão sem que as pessoas percebam. E entre eles, está o uso frequente de medicamentos aparentemente inofensivos, como o paracetamol.
Segundo a especialista, especialmente nas doses de um grama, esse medicamento pode causar um impacto importante no fígado. Por isso, ela afirma que “convém associá-lo à N-acetilcisteína para compensar os danos causados”.
O que o paracetamol tem a ver com o fígado?
O paracetamol é um dos remédios mais usados no mundo para dor e febre. O problema é que ele é metabolizado justamente pelo fígado. Em doses elevadas ou uso frequente, o órgão precisa trabalhar mais para transformar e eliminar as substâncias resultantes do medicamento.
Nesse processo, podem surgir compostos tóxicos que aumentam o estresse oxidativo das células hepáticas. É aí que entra a N-acetilcisteína, citada por Marta González-Corró.
Essa substância ajuda a repor os estoques de glutationa, um antioxidante importante usado pelo fígado para neutralizar toxinas. Inclusive, a N-acetilcisteína já é utilizada em hospitais em casos de intoxicação por paracetamol.
Porém, isso não significa que as pessoas devam começar a tomar suplementos por conta própria sempre que usarem o remédio. A orientação da médica serve como alerta para o uso excessivo e indiscriminado do medicamento, principalmente em doses altas e frequentes.
O fígado sofre antes mesmo de aparecerem sintomas
Um dos pontos mais preocupantes, segundo a especialista, é que muitas doenças hepáticas evoluem quase sem sinais claros no início. O fígado gorduroso, por exemplo, pode avançar durante anos de forma silenciosa.
Quando os sintomas aparecem, eles costumam ser vagos, como cansaço constante, desconforto no lado direito do abdômen e alterações discretas nos exames de sangue. Em muitos casos, a descoberta de um problema no fígado só acontece durante exames de rotina ou ultrassonografias.
Por isso, é muito importante evitar ou controlar os hábitos que prejudicam o órgão. De acordo com a especialista, o estilo de vida atual favorece bastante a sobrecarga hepática e alguns dos principais vilões incluem:
- Excesso de ultraprocessados
- Bebidas alcoólicas frequentes
- Refrigerantes e bebidas açucaradas
- Frituras e gorduras saturadas
- Sedentarismo
- Estresse crônico
- Noites mal dormidas
Ela também cita o uso desnecessário de anti-inflamatórios e remédios “por garantia” como um comportamento comum e perigoso para o fígado.
Recomendações para manter o fígado sempre saudável
Para proteger o fígado de problemas, a médica Marta González-Corró defende um padrão alimentar mais próximo da dieta mediterrânea tradicional, rico em frutas, verduras, legumes, feijões e leguminosas, cereais integrais, peixes, ovos e azeite de oliva. Já produtos ultraprocessados, álcool e excesso de açúcar devem ser reduzidos ao máximo.
Outro ponto importante: praticar exercícios físicos. Segundo a especialista, cerca de 40 a 45 minutos de atividade cardiovascular moderada, três vezes por semana, já podem trazer benefícios importantes para o fígado.
Além disso, dormir bem, controlar o estresse e usar medicamentos apenas quando realmente necessário são as estratégias mais eficazes para preservar a saúde hepática ao longo dos anos.
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