Quando o assunto é cálcio, o leite costuma ser o alimento mais citado. E não é à toa, a bebida realmente é uma ótima fonte do mineral que auxilia na saúde dos nossos ossos e dentes. Mas será que tomar leite todo dia é suficiente para manter a estrutura óssea firme e forte? Não exatamente.
Segundo ortopedistas, além de consumir cálcio, é importante ficar de olho em certos alimentos e bebidas que, sorrateiramente, podem reduzir a densidade dos seus ossos. E tem mais: alguns suplementos que prometem reforçar a saúde óssea podem acabar causando o efeito contrário se usados sem orientação.
Alimentos e bebidas que aumentam o risco de osteoporose
Álcool
Em entrevista ao BuzzFeed, a Dra. Liz Matzkin, professora do Departamento de Cirurgia Ortopédica no Brigham and Women's Hospital, em Boston, explicou que o consumo excessivo de álcool bagunça a absorção de nutrientes fundamentais para os ossos. "O consumo excessivo de álcool pode alterar a capacidade do corpo de absorver nutrientes importantes que são realmente benéficos para a saúde óssea, como cálcio, vitamina D e magnésio", explicou ela.
E não para por aí. Além dos nutrientes citados, hormônios como estrogênio e testosterona também são essenciais para a saúde óssea. Só que o álcool também interfere nesse sistema. De acordo com a médica, as bebidas alcoólicas atrapalham o processo de remodelação óssea e desregulam os níveis hormonais, o que pode deixar seus ossos mais frágeis com o tempo.
Cafeína
Um cafezinho de manhã para espantar o sono parece inofensivo. Mas talvez ele esteja fazendo mais do que só te acordar. Segundo especialistas, a cafeína presente no café, energéticos, chás, refrigerantes e até suplementos pode estar minando, aos poucos, a saúde dos seus ossos.
"Foi demonstrado que a cafeína aumenta a perda de cálcio e diminui a absorção do mineral, o que influencia negativamente a saúde óssea", explica a Dra. Liz Matzkin, Por isso, a especialista recomenda ir com calma na dose diária e, quando possível, considerar opções de café ou chá descafeinado.
E não é só o cálcio que sofre. A cafeína também pode atrapalhar a absorção da vitamina D. Quando o assunto é refrigerante, especialmente os do tipo cola, o alerta sobe mais um nível. Um estudo de 2006 mostrou que mulheres que consumiam Coca-Cola (inclusive nas versões diet!) apresentavam uma densidade mineral óssea significativamente menor. E quanto mais refrigerante, maior o impacto.
“Os refrigerantes contêm açúcares e também podem conter ácido fosfórico e cafeína”, ressalta Matzkin. “Nenhum desses ingredientes traz benefícios à saúde e, se consumidos em grandes quantidades, podem ter consequências negativas para a saúde óssea.”
Sal
O sal também deve ser considerado um sinal de alerta para a saúde óssea, especialmente para idosos e grupos de risco. De acordo com um estudo de 2018 do Journal of the American College of Nutrition , o aumento do consumo de sódio aumentou significativamente o risco de osteoporose. POrtanto, fique atento ao sal que pode estar presente em carnes, salgadinhos e alimentos processados, como frios. “O consumo excessivo de sal (mais de 2.300 miligramas por dia) pode levar à perda de cálcio dos ossos.”
Farelo de trigo
O farelo de trigo é cheio de fibras, auxilia na digestão, reduz o risco de doenças cardíacas e até pode ajudar a prevenir o câncer de cólon. Mas tem um detalhe importante que quase ninguém comenta: ele pode atrapalhar a absorção de cálcio pelo organismo.
“O farelo de trigo tem altos níveis de fitatos, que podem impedir a absorção de cálcio”, explica a Dra. Liz Matzkin. E isso pode ser um problema para quem está tentando fortalecer os ossos.
Os fitatos são um tipo de antinutriente encontrado naturalmente em algumas plantas. E eles não estão sozinhos nesta missão de bloquear o cálcio. Feijões, espinafre e beterraba também entram na lista, embora, nesse caso, existam formas de minimizar o impacto. “Feijões e farelo de trigo contêm fitatos, e espinafre e beterraba contêm oxalatos que diminuem a absorção de cálcio, pois se ligam a ele”, explica a especialista.
Cálcio demais também faz mal
Cálcio e vitamina D são ótimos para a saúde óssea, mas exagerar na dose, acreditando que “quanto mais, melhor”, pode ser um tiro no pé. “Embora o cálcio e a vitamina D sejam importantes para manter a saúde óssea, exceder as doses diárias recomendadas pode ser prejudicial em vez de benéfico”, alerta Matzkin.
Segundo ela, as necessidades desses nutrientes variam com a idade. Para quem tem 50 anos ou mais, a recomendação é de 1.000 miligramas de cálcio por dia e entre 800 a 1.000 unidades internacionais (UI) de vitamina D diárias. Passar muito disso, especialmente com o uso indiscriminado de suplementos, pode sobrecarregar o organismo e até causar outros problemas de saúde, como cálculos renais ou interferência na absorção de outros minerais.
Veja também:
Como manter bons níveis de vitamina D no inverno? Estes são os alimentos que não podem faltar no seu cardápio durante a estação
Mais cálcio que o leite? Conheça a semente poderosa que quase ninguém consome e que fortalece ossos e dentes