Cálcio também pode ajudar a manter a mente afiada na velhice. (créditos: Shutterstock)
O declínio cognitivo é algo comum entre pessoas mais velhas e vários fatores podem contribuir para isso. Um deles é a falta de cálcio, que tem se mostrado bastante importante. Um estudo recente, publicado na revista Nutrients, mostrou que a deficiência desse mineral pode diminuir a produção de energia nas mitocôndrias (o famoso ATP) e também reduzir a capacidade do corpo de se proteger contra o estresse oxidativo. Esse estresse, junto com inflamações crônicas, está ligado a várias doenças que surgem com a idade, inclusive problemas de memória e cognição.
O papel do cálcio na função cerebral
O cálcio desempenha um papel fundamental no funcionamento do cérebro. Ele participa diretamente da liberação de neurotransmissores, substâncias que transmitem sinais entre os neurônios, e influencia processos importantes como memória e aprendizado.
Além disso, o cálcio é essencial para a chamada neurotransmissão e para a excitabilidade neuronal, que é a capacidade dos neurônios de responder a estímulos e gerar impulsos elétricos, conhecidos como potenciais de ação. Em outras palavras, é o quanto um neurônio consegue "se ativar" ao receber um sinal.
Como as deficiências de cálcio afetam a saúde cognitiva
Para investigar a relação entre minerais e cognição, os cientistas analisaram 1.220 adultos hospitalizados, com 60 anos ou mais, que conseguiam se comunicar verbalmente. Amostras de sangue foram coletadas para medir os níveis de cálcio e magnésio no soro.
- Com base nesses dados, os participantes foram divididos em quatro grupos:
- níveis normais de cálcio e magnésio,
- hipomagnesemia (baixo magnésio),
- hipocalcemia (baixo cálcio),
- hipomagnesemia e hipocalcemia (baixo magnésio e cálcio).
A função cognitiva foi avaliada por dois testes: o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e o Teste do Desenho do Relógio (TDR). Para garantir precisão nos resultados, os pesquisadores ajustaram a análise levando em conta fatores como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC) e a presença de outras doenças.
Os melhores resultados nos testes cognitivos foram observados nos participantes com níveis normais de cálcio e magnésio. Na sequência, vieram aqueles com apenas hipomagnesemia, depois os com hipocalcemia e, por fim, os que tinham deficiência dos dois minerais, grupo que apresentou o pior desempenho cognitivo.
Mesmo após o ajuste para outros fatores de saúde, os dados mostraram uma relação inversa entre baixos níveis de cálcio e magnésio e a cognição: quanto menores os níveis desses minerais, piores as pontuações nos testes.
Importância do estudo
Os cientistas acreditam que os resultados do estudo podem ajudar no desenvolvimento de novas formas de tratar e prevenir os declínios cognitivos. Mesmo com os achados promissores, os pesquisadores sugerem que estudos futuros usem avaliações mais completas, para entender melhor de que forma a falta de cálcio e magnésio pode afetar o cérebro ao longo do tempo.
No mais, uma coisa é certa: cuide para manter os níveis de cálcio no seu organismo adequados. Esse mineral traz muitos benefícios para o organismo e contribui para um envelhecimento mais saudável.
Veja mais:
Nada de leite: o alimento com mais cálcio e que combate o colesterol é um vegetal
Existe horário ideal para tomar cálcio e aumentar a absorção do mineral, mas eu aposto que você não sabia!