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Estudo revela que quem come carne tem maior probabilidade de viver até os 100 anos, mas há um porém
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

O principal recado do estudo não é que comer carne garante longevidade, mas que a nutrição deve ser adaptada à fase da vida

Estudo revela que quem come carne tem maior probabilidade de viver até os 100 anos, mas há um porém

A longevidade é resultado de múltiplos fatores: genética, estilo de vida, atividade física, suporte social e alimentação ao longo de décadas (Crédito: Shutterstock)

A relação entre alimentação e longevidade sempre desperta debates intensos. Durante anos, dietas baseadas em vegetais foram associadas à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade.

No entanto, um estudo recente trouxe um dado que parece contrariar essa lógica: pessoas que consomem carne teriam maior probabilidade de chegar aos 100 anos. Mas a conclusão exige cautela.

Como foi feita a pesquisa?

A pesquisa acompanhou mais de 5.000 adultos chineses com 80 anos ou mais, participantes do Chinese Longitudinal Healthy Longevity Survey, um estudo nacional iniciado em 1998.

Ao longo de duas décadas de acompanhamento, até 2018, os pesquisadores observaram que aqueles que não consumiam carne tinham menor probabilidade de se tornarem centenários quando comparados aos que incluíam carne na dieta.

À primeira vista, o dado chama atenção e pode parecer um contraponto às recomendações tradicionais de saúde pública.

O contexto faz toda a diferença

O ponto central do estudo está no perfil dos participantes: todos tinham 80 anos ou mais. Essa informação muda completamente a interpretação dos resultados. As necessidades nutricionais na terceira e quarta idade são muito diferentes daquelas de adultos mais jovens.

Com o envelhecimento, há redução do gasto energético, perda de massa muscular, diminuição da densidade óssea e queda do apetite. O risco de desnutrição e fragilidade aumenta consideravelmente. Nesse cenário, a prioridade nutricional deixa de ser apenas a prevenção de doenças crônicas de longo prazo e passa a incluir a manutenção de peso adequado, força muscular e funcionalidade.

Grande parte das evidências que associam dietas vegetarianas a benefícios para a saúde vem de estudos com adultos de meia-idade, não com idosos muito avançados e potencialmente frágeis. Portanto, os resultados não necessariamente invalidam os benefícios já conhecidos das dietas à base de vegetais, mas indicam que as necessidades mudam com o tempo.

O detalhe que muda a interpretação

Um dos achados mais importantes do estudo é que a menor probabilidade de chegar aos 100 anos entre os não consumidores de carne foi observada apenas nos participantes que estavam abaixo do peso. Entre idosos com peso considerado saudável, essa associação não apareceu.

Isso sugere que o fator determinante pode não ser simplesmente o consumo de carne, mas o estado nutricional geral. Estar abaixo do peso na velhice já é um marcador conhecido de maior risco de fragilidade, fraturas e mortalidade.

O estudo também reforça um fenômeno conhecido como “paradoxo da obesidade” na terceira idade, no qual um peso levemente mais elevado pode estar associado a melhor sobrevida em comparação com baixo peso.

O que os pesquisadores observaram sobre outros alimentos de origem animal

Outro ponto relevante é que a redução na probabilidade de atingir os 100 anos não foi observada entre idosos que consumiam peixe, laticínios ou ovos. Esses alimentos fornecem nutrientes fundamentais para manutenção de músculos e ossos, como proteína de alto valor biológico, vitamina B12, cálcio e vitamina D.

Isso sugere que, na idade avançada, a inclusão moderada de alimentos de origem animal pode ajudar a prevenir desnutrição e perda de massa magra, especialmente em dietas muito restritivas.

O que isso significa para quem busca envelhecer bem

O principal recado do estudo não é que comer carne garante longevidade, mas que a nutrição deve ser adaptada à fase da vida. Aos 50 anos, a prioridade pode ser reduzir risco cardiovascular e controlar peso. Aos 90, a prioridade pode ser evitar perda muscular e desnutrição.

Dietas plant-based continuam podendo ser saudáveis em qualquer idade, desde que bem planejadas. No entanto, em idosos muito avançados, pode ser necessário cuidado extra com ingestão adequada de proteína, vitamina B12, cálcio e vitamina D. Em alguns casos, suplementação pode ser necessária.

Lembrando que a longevidade é resultado de múltiplos fatores: genética, estilo de vida, atividade física, suporte social e alimentação ao longo de décadas. Um único alimento isolado dificilmente explica quem chegará ou não aos 100 anos.

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