• Entrar
  • Cadastrar
Estão colocando em tudo e envenenando os consumidores. Cientistas alertam: destrói o intestino e pode causar diabetes
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Essa descoberta reacende o debate sobre o uso excessivo de aditivos na alimentação 

Estão colocando em tudo e envenenando os consumidores. Cientistas alertam: destrói o intestino e pode causar diabetes

Quanto mais natural for o produto, menor o risco (Crédito: Shutterstock)

Ele aparece em produtos que muita gente considera saudáveis, como iogurtes, leites vegetais, pudins, sobremesas prontas, frios e até em produtos “light” ou “zero açúcar”.

O nome pode até passar despercebido no rótulo, mas o E407, também conhecido como carragena, é hoje um dos aditivos mais usados pela indústria alimentícia. E, segundo novos estudos, seu consumo frequente pode representar um risco real à saúde intestinal e ao metabolismo da glicose...

O que é o E407?

A carragena (E407) é uma substância extraída de algas vermelhas, usada há décadas como espessante, estabilizante e emulsificante. Ela confere textura cremosa a produtos industrializados e ajuda a manter ingredientes homogêneos, impedindo que se separem.

Mas, de acordo com uma nova pesquisa publicada pelo Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes (DZD), o uso constante desse aditivo pode desencadear reações inflamatórias no intestino e aumentar a permeabilidade da mucosa intestinal, o que especialistas chamam de “intestino permeável”, condição associada a diversos distúrbios metabólicos.

O que os cientistas descobriram

O estudo, divulgado na revista BMC Medicine, acompanhou dois grupos de homens jovens e saudáveis. Um deles recebeu, por duas semanas, doses diárias de carragena equivalentes ao consumo médio de uma dieta ocidental; o outro grupo recebeu placebo. Ao final do período, os pesquisadores observaram aumento na permeabilidade do intestino delgado e sinais de inflamação nos voluntários que consumiram o aditivo.

"Nosso estudo sugere que o consumo de carragenina, semelhante ao que foi observado em estudos com animais, pode prejudicar a função da barreira intestinal. Isso pode ter consequências para a saúde a longo prazo e aumentar o risco de doenças inflamatórias", explicou o professor Wagner.

O estudo também indicou que, entre participantes com excesso de peso, o efeito foi ainda mais preocupante: houve redução da sensibilidade à insulina e aumento de marcadores inflamatórios no sangue, condições que elevam o risco de diabetes tipo 2.

Já em indivíduos com peso normal, os efeitos imediatos não foram significativos, mas os autores alertam que o consumo contínuo pode gerar danos cumulativos.

Presente em quase tudo

Embora poucas pessoas saibam, o E407 é amplamente utilizado por sua capacidade de modificar textura e dar “corpo” aos alimentos. Ele aparece com frequência em:

  • Laticínios industrializados, como iogurtes, cremes e sobremesas prontas
  • Leites vegetais, como os de aveia, amêndoas e coco
  • Produtos light e diet, que precisam de espessantes para compensar a falta de gordura
  • Frios e embutidos, para manter a umidade e aparência uniforme
  • Sobremesas e doces, incluindo balas, gelatinas e pudins

A lista é longa, e o consumo diário acaba sendo inevitável para quem depende de produtos processados. Por isso, os pesquisadores destacam que o risco não está em uma dose isolada, mas na exposição constante, típica das dietas modernas. 

Risco maior para quem já tem inflamações ou resistência à insulina

O professor Norbert Stefan, coautor do estudo, afirmou que o impacto metabólico tende a ser mais pronunciado em pessoas com sobrepeso, resistência à insulina ou doenças inflamatórias crônicas. Stefan reforça que, embora sejam necessárias mais pesquisas de longo prazo, o uso tão disseminado do aditivo deve ser revisto.

Mas como se proteger? A primeira medida é simples: ler os rótulos com atenção. A carragena costuma aparecer identificada como E407 ou “carragenina”. Evitar produtos ultraprocessados, dar preferência a iogurtes naturais, sobremesas caseiras e leites vegetais sem aditivos, e manter uma alimentação baseada em alimentos frescos são formas eficazes de reduzir a exposição.

Especialistas também lembram que o uso de espessantes naturais, como amido de milho, chia hidratada e pectina, pode substituir industrializados em receitas domésticas sem comprometer a textura.

Cuidado com o que come

A descoberta reacende o debate sobre o uso excessivo de aditivos na alimentação. Ingredientes como a carragena são aprovados por agências reguladoras, mas estudos recentes levantam dúvidas sobre sua segurança em longo prazo, principalmente quando consumidos diariamente e combinados com outros compostos industriais.

Para o consumidor, a recomendação é clara: quanto mais natural for o produto, menor o risco. Priorizar alimentos frescos e preparos caseiros continua sendo a melhor forma de preservar o equilíbrio intestinal e proteger o metabolismo.

Não comer nenhum alimento ultraprocessado por 12 meses foi a minha resolução de ano-novo: a vida mudou em quatro aspectos importantes
7 mudanças simples para diminuir ultraprocessados e aumentar alimentos naturais no cardápio

Temas relacionados