Quanto mais natural for o produto, menor o risco (Crédito: Shutterstock)
Ele aparece em produtos que muita gente considera saudáveis, como iogurtes, leites vegetais, pudins, sobremesas prontas, frios e até em produtos “light” ou “zero açúcar”.
O nome pode até passar despercebido no rótulo, mas o E407, também conhecido como carragena, é hoje um dos aditivos mais usados pela indústria alimentícia. E, segundo novos estudos, seu consumo frequente pode representar um risco real à saúde intestinal e ao metabolismo da glicose...
O que é o E407?
A carragena (E407) é uma substância extraída de algas vermelhas, usada há décadas como espessante, estabilizante e emulsificante. Ela confere textura cremosa a produtos industrializados e ajuda a manter ingredientes homogêneos, impedindo que se separem.
Mas, de acordo com uma nova pesquisa publicada pelo Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes (DZD), o uso constante desse aditivo pode desencadear reações inflamatórias no intestino e aumentar a permeabilidade da mucosa intestinal, o que especialistas chamam de “intestino permeável”, condição associada a diversos distúrbios metabólicos.
O que os cientistas descobriram
O estudo, divulgado na revista BMC Medicine, acompanhou dois grupos de homens jovens e saudáveis. Um deles recebeu, por duas semanas, doses diárias de carragena equivalentes ao consumo médio de uma dieta ocidental; o outro grupo recebeu placebo. Ao final do período, os pesquisadores observaram aumento na permeabilidade do intestino delgado e sinais de inflamação nos voluntários que consumiram o aditivo.
"Nosso estudo sugere que o consumo de carragenina, semelhante ao que foi observado em estudos com animais, pode prejudicar a função da barreira intestinal. Isso pode ter consequências para a saúde a longo prazo e aumentar o risco de doenças inflamatórias", explicou o professor Wagner.
O estudo também indicou que, entre participantes com excesso de peso, o efeito foi ainda mais preocupante: houve redução da sensibilidade à insulina e aumento de marcadores inflamatórios no sangue, condições que elevam o risco de diabetes tipo 2.
Já em indivíduos com peso normal, os efeitos imediatos não foram significativos, mas os autores alertam que o consumo contínuo pode gerar danos cumulativos.
Presente em quase tudo
Embora poucas pessoas saibam, o E407 é amplamente utilizado por sua capacidade de modificar textura e dar “corpo” aos alimentos. Ele aparece com frequência em:
- Laticínios industrializados, como iogurtes, cremes e sobremesas prontas
- Leites vegetais, como os de aveia, amêndoas e coco
- Produtos light e diet, que precisam de espessantes para compensar a falta de gordura
- Frios e embutidos, para manter a umidade e aparência uniforme
- Sobremesas e doces, incluindo balas, gelatinas e pudins
A lista é longa, e o consumo diário acaba sendo inevitável para quem depende de produtos processados. Por isso, os pesquisadores destacam que o risco não está em uma dose isolada, mas na exposição constante, típica das dietas modernas.
Risco maior para quem já tem inflamações ou resistência à insulina
O professor Norbert Stefan, coautor do estudo, afirmou que o impacto metabólico tende a ser mais pronunciado em pessoas com sobrepeso, resistência à insulina ou doenças inflamatórias crônicas. Stefan reforça que, embora sejam necessárias mais pesquisas de longo prazo, o uso tão disseminado do aditivo deve ser revisto.
Mas como se proteger? A primeira medida é simples: ler os rótulos com atenção. A carragena costuma aparecer identificada como E407 ou “carragenina”. Evitar produtos ultraprocessados, dar preferência a iogurtes naturais, sobremesas caseiras e leites vegetais sem aditivos, e manter uma alimentação baseada em alimentos frescos são formas eficazes de reduzir a exposição.
Especialistas também lembram que o uso de espessantes naturais, como amido de milho, chia hidratada e pectina, pode substituir industrializados em receitas domésticas sem comprometer a textura.
Cuidado com o que come
A descoberta reacende o debate sobre o uso excessivo de aditivos na alimentação. Ingredientes como a carragena são aprovados por agências reguladoras, mas estudos recentes levantam dúvidas sobre sua segurança em longo prazo, principalmente quando consumidos diariamente e combinados com outros compostos industriais.
Para o consumidor, a recomendação é clara: quanto mais natural for o produto, menor o risco. Priorizar alimentos frescos e preparos caseiros continua sendo a melhor forma de preservar o equilíbrio intestinal e proteger o metabolismo.
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