Chef da Amazônia rejeita menu vegano imposto para jantar com príncipe William. (créditos: Reprodução Facebook Saulo Jennings/Gabinete do Embaixador dos EUA no Reino Unido)
Quando o Príncipe William convidou o chef Saulo Jennings para criar o menu do Earthshot Awards no Brasil, parecia a escolha perfeita. O chef brasileiro é conhecido por defender uma culinária sustentável que valoriza produtos locais da floresta amazônica, uma abordagem totalmente alinhada com o espírito do prêmio, que reconhece iniciativas ambientais de destaque.
Mas havia um obstáculo: o cardápio deveria ser 100% vegano. Uma condição que contrariava completamente a ideia inicial de Jennings, que planejava ter como estrela do menu o pirarucu, peixe amazônico tradicional e consumido pelas comunidades ribeirinhas do Rio Amazonas.
O conflito com o cardápio vegano
Conforme relatado pelo The New York Times, o chef inicialmente propôs incluir uma opção vegana no cardápio, mas as diretrizes da organização eram claras: nenhum ingrediente de origem animal. Isso gerou desentendimento, e Jennings interpretou a exigência como uma ofensa pessoal e profissional.
“É como pedir para o Iron Maiden tocar jazz”, disse o chef em entrevista na semana passada. “Foi um desrespeito à nossa tradição culinária e à própria Amazônia.”
A imprensa brasileira repercutiu a situação, interpretando o episódio como um certo desdém por parte dos britânicos em relação à culinária tradicional local, supostamente defendida pelo Earthshot Prize.
Proposta alternativa e obstáculos orçamentários
Após negociações e insistência dos funcionários do Museu do Amanhã, onde será realizada a cerimônia para cerca de 700 convidados, Jennings propôs um cardápio vegano alternativo à base de ingredientes amazônicos, como mandioca, folhas de jambú e castanha-do-pará.
No entanto, os organizadores alegaram que o cardápio vegano ficaria muito mais caro do que a versão original, baseada em peixe, e acabaram recusando a proposta.
Futuro de Jennings e a sustentabilidade na culinária
Apesar da recusa, Jennings, que foi o chef da cerimônia de coroação do Rei Charles III na Embaixada Britânica no Brasil, terá a oportunidade de cozinhar para o Príncipe William durante a COP30, marcada para o final do próximo mês em Belém.
“Não tenho nada contra veganos ou os britânicos”, afirmou o chef. “Mas não quero abandonar minha missão culinária. Meu trabalho sempre foi sobre equilíbrio, sobre honrar o que a floresta e os rios nos dão.”
A história de Jennings reforça seu compromisso com uma culinária amazônica sustentável, que apoia comunidades locais e preserva os recursos naturais, mantendo o sabor e a tradição da região.
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