
O consumo em excesso de carnes processadas representa um grande risco para a saúde. (créditos: Shutterstock)
Não é nenhuma novidade que carnes processadas são alimentos que devem ser consumidos com moderação. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) esses produtos podem oferecer uma série de perigos à saúde devido a alta quantidade de gordura saturada, sódio e outros aditivos químicos que eles recebem durante o seu processo de fabricação.
Pensando nisso, cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, em conjunto com a Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, desenvolveram um estudo para descobrir a dimensão dos impactos dos alimentos processados no aumento dos casos de diversas doenças crônicas, incluindo certos tipos de câncer. O objetivo era descobrir quantos novos casos poderiam ser evitados a partir da redução do consumo desses produtos. Saiba mais sobre o assunto a seguir.
Reduzir em 30% o consumo de carne processada diminui o risco de diabetes 2, câncer e doenças cardiovasculares
Usando dados de saúde pública dos Estados Unidos, o estudo publicado na revista científica The Lancet Planetary Health mostrou que se cada pessoa cortasse 30% da ingestão de carne processada por semana, seria possível prevenir cerca de 500.000 casos de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e câncer de intestino no país por um período de 10 anos. A redução do consumo também resultaria em 62.200 mortes a menos por todas essas causas. Ao todo, estima-se que os americanos comam, em média, 47 gramas de carne processada por dia.
Embora os resultados da pesquisa sejam baseados no padrão alimentar da população norte-americana, os cientistas defendem que se todos os países seguissem a mesma recomendação, haveria benefícios para a saúde pública em escala global. Além disso, o estudo também mostrou que limitar a ingestão de carne vermelha não processada por semana também tem efeitos muitos positivos para a saúde cardiovascular.
O que são carnes processadas?
Carnes processadas são aquelas que passaram por uma série de modificações para prolongar a sua vida útil e realçar o sabor. Elas são produzidas a partir de um alimento fresco de origem animal e transformados em outro produto após uma série de processos, como salmoura, cura, fermentação, defumação ou outros. Todos esses métodos de processamento geralmente adicionam sódio, conservantes e outros aditivos que podem ter efeitos adversos à saúde quando consumidos em excesso.
Alguns exemplos de carnes processadas incluem:
- Salsichas
- Presunto
- Bacon
- Salame
- Mortadela
- Peperoni
- Linguiça
- Carne enlatada (como corned beef)
- Patês e produtos de carne fatiada
Todas essas carnes citadas estão na lista da Organização Mundial de Saúde (OMS) de alimentos com potencial cancerígeno. De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês), o consumo desses produtos está associado ao desenvolvimento do câncer colorretal, que acomete uma parte do intestino grosso (o cólon) e o reto.
Por isso, no dia a dia, o ideal é sempre optar por comidas mais saudáveis, como carnes frescas, peixes, aves ou fontes de proteína vegetal.
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