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Adeus "sabor chocolate"? Nova lei do cacau pode mudar receita do chocolate após polêmica
JoannaPor  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Projeto de lei define quanto cacau um produto precisa ter para ser chamado de chocolate de verdade.

Adeus "sabor chocolate"? Nova lei do cacau pode mudar receita do chocolate após polêmica

Se você já teve a sensação de que o chocolate anda “diferente”, saiba que você não está sozinho. (créditos: Shutterstock)

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, um projeto que estabelece quantidades mínimas de cacau nos produtos vendidos como chocolate. A proposta ainda precisa passar pelo Senado, mas já reacendeu o debate sobre qualidade e transparência.

O novo projeto de lei sobre o cacau promete mudar o que pode ser chamado de chocolate de verdade. A ideia principal é deixar mais claro para o consumidor o que ele está comprando e, de quebra, valorizar o cacau brasileiro.

Como os produtos de chocolate são classificados atualmente no Brasil 

Hoje, a regra da Anvisa exige apenas 25% de sólidos de cacau em alguns tipos de chocolate. O novo texto aumenta esse padrão e define limites mais específicos:

Chocolate em pó: mínimo de 32% de cacau

Chocolate intenso: pelo menos 35% de cacau, sendo 18% de manteiga de cacau e 14% de sólidos sem gordura

Chocolate ao leite: mínimo de 25% de cacau + 14% de leite

Chocolate branco: 20% de manteiga de cacau + 14% de leite

Outro ponto curioso é a mudança nos nomes. Em vez de “meio amargo” ou “amargo”, o texto passou a usar o termo “chocolate intenso”, numa tentativa de alinhar melhor com o que o consumidor espera ao ler o rótulo.

A polêmica do “sabor chocolate”

Nos últimos anos, muita gente começou a perceber que o sabor do chocolate mudou e não necessariamente para melhor. A crítica mais comum é por ter mais sabor de açúcar e gordura do que cacau.

E não é só impressão. A indústria vem passando por mudanças importantes, principalmente por causa do aumento no preço do cacau no mercado internacional. Para reduzir custos, algumas marcas passaram a diminuir a quantidade de cacau nas receitas e substituir a manteiga de cacau por gorduras mais baratas, como óleo de palma

O objetivo dessas mudanças é deixar o processo de produção dos produtos de chocolate mais barato, já que nos últimos anos o preço do cacau aumentou muito. É aí que entra um termo que tem aparecido cada vez mais nas prateleiras: “sabor chocolate”.

Esse tipo de produto geralmente tem menos de 25% de cacau, ou seja, não atende aos critérios tradicionais para ser considerado chocolate de verdade. Mesmo assim, visualmente e na embalagem, pode confundir o consumidor como um chocolate legítmo.

O que muda na prática para o consumidor

Se o projeto virar lei, a tendência é que fique mais fácil identificar o que é chocolate de verdade e o que é apenas “sabor chocolate”. Os  produtos mais baratos com menor teor de cacau continuarão existindo, mas com outra classificação. 

Para o consumidor, fica a dica de sempre olhar a lista de ingredientes e o percentual de cacau. O ideal é que o cacau seja o primeiro ingrediente que aparece na lista. Analisar o rótulo é o jeito mais seguro de saber o que você está levando pra casa.

Afinal, nem tudo que parece chocolate é chocolate de verdade.

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