Se você já teve a sensação de que o chocolate anda “diferente”, saiba que você não está sozinho. (créditos: Shutterstock)
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, um projeto que estabelece quantidades mínimas de cacau nos produtos vendidos como chocolate. A proposta ainda precisa passar pelo Senado, mas já reacendeu o debate sobre qualidade e transparência.
O novo projeto de lei sobre o cacau promete mudar o que pode ser chamado de chocolate de verdade. A ideia principal é deixar mais claro para o consumidor o que ele está comprando e, de quebra, valorizar o cacau brasileiro.
Como os produtos de chocolate são classificados atualmente no Brasil
Hoje, a regra da Anvisa exige apenas 25% de sólidos de cacau em alguns tipos de chocolate. O novo texto aumenta esse padrão e define limites mais específicos:
Chocolate em pó: mínimo de 32% de cacau
Chocolate intenso: pelo menos 35% de cacau, sendo 18% de manteiga de cacau e 14% de sólidos sem gordura
Chocolate ao leite: mínimo de 25% de cacau + 14% de leite
Chocolate branco: 20% de manteiga de cacau + 14% de leite
Outro ponto curioso é a mudança nos nomes. Em vez de “meio amargo” ou “amargo”, o texto passou a usar o termo “chocolate intenso”, numa tentativa de alinhar melhor com o que o consumidor espera ao ler o rótulo.
A polêmica do “sabor chocolate”
Nos últimos anos, muita gente começou a perceber que o sabor do chocolate mudou e não necessariamente para melhor. A crítica mais comum é por ter mais sabor de açúcar e gordura do que cacau.
E não é só impressão. A indústria vem passando por mudanças importantes, principalmente por causa do aumento no preço do cacau no mercado internacional. Para reduzir custos, algumas marcas passaram a diminuir a quantidade de cacau nas receitas e substituir a manteiga de cacau por gorduras mais baratas, como óleo de palma
O objetivo dessas mudanças é deixar o processo de produção dos produtos de chocolate mais barato, já que nos últimos anos o preço do cacau aumentou muito. É aí que entra um termo que tem aparecido cada vez mais nas prateleiras: “sabor chocolate”.
Esse tipo de produto geralmente tem menos de 25% de cacau, ou seja, não atende aos critérios tradicionais para ser considerado chocolate de verdade. Mesmo assim, visualmente e na embalagem, pode confundir o consumidor como um chocolate legítmo.
O que muda na prática para o consumidor
Se o projeto virar lei, a tendência é que fique mais fácil identificar o que é chocolate de verdade e o que é apenas “sabor chocolate”. Os produtos mais baratos com menor teor de cacau continuarão existindo, mas com outra classificação.
Para o consumidor, fica a dica de sempre olhar a lista de ingredientes e o percentual de cacau. O ideal é que o cacau seja o primeiro ingrediente que aparece na lista. Analisar o rótulo é o jeito mais seguro de saber o que você está levando pra casa.
Afinal, nem tudo que parece chocolate é chocolate de verdade.
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