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Os brasileiros estão deprimidos e o motivo pode estar no seu prato: entenda alerta feito por cientistas da USP em novo estudo

Estudo feito por pesquisadores da USP aponta que consumo excessivo de ultraprocessados está relacionado à manifestação de sintomas depressivos. 

Alimentos ultraprocessados podem ter relação com problemas de saúde emocional, aponta estudo da USP. (créditos: Shutterstock/Canva)

Não é nenhum segredo que o consumo ultraprocessado está ligado a uma série de doenças crônicas. Recentemente, um estudo desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP) adicionou mais um item na lista de malefícios desses alimentos. De acordo com a pesquisa, pessoas com uma dieta rica em comidas e bebidas altamente processadas têm mais chances de desenvolver sintomas depressivos.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores analisaram os padrões alimentares de milhares de brasileiros adultos. No final da análise, aqueles que consumiam regularmente aditivos químicos foram os que mais apresentaram queixas de saúde mental.

Como os alimentos ultraprocessados podem influenciar nossa saúde mental?

Para essa pesquisa, os pesquisadores pediram que 16 mil voluntários registrassem em um formulário os alimentos consumidos no dia anterior e seu estado de saúde. No final do estudo e com as informações em mãos, eles perceberam que aqueles que consumiam mais ultraprocessados tinham 42% mais sintomas depressivos do que o grupo esses alimentos com menos frequência. As principais queixas eram em relação ao humor, sentimento de fracasso pessoal e profissional, tristeza, ansiedade e falta de prazer em atividades corriqueiras. O estudo também mostrou que o grupo que comia mais ultraprocessados tinha maior tendência a apresentar mudanças de peso e dificuldade de sono e concentração.

Segundo André Werneck, pesquisador que liderou o estudo, uma das principais hipóteses para o impacto dos ultraprocessados na saúde mental é a pobre composição nutricional desses alimentos. Ele explica que ingredientes artificiais como conservantes, saborizantes e aromatizantes aumentam as inflamações no organismo e causam desequilíbrios na microbiota do intestino, que por sua vez está intimamente ligada ao sistema nervoso. “O uso de aditivos, que dão mais palatabilidade e melhor textura aos alimentos, têm sido apontados em alguns trabalhos com animais como algo que impacta o intestino, que tem uma ligação direta com o cérebro. Mas por enquanto são apenas hipóteses”, diz o pesquisador.

O que são alimentos ultraprocessados?

Os ultraprocessados são alimentos industrializados que passam por uma série de processos, incluindo a adição de aditivos químicos e conservantes. Eles são bem mais baratos que frutas, verduras e legumes e também costumam ser mais práticos, muitas vezes nem é preciso cozinhar para consumi-los. De acordo os dados mais recentes do NutriNet Brasil, os ultraprocessados representam 21,6% da alimentação dos brasileiros, um número bastante alarmante.

Além de sintomas depressivos, o consumo excessivo de ultraprocessados também é fator de risco para mais de 30 problemas de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e distúrbios de sono. Por isso, é tão importante dar preferência a uma alimentação equilibrada a base de frutas, legumes e verduras. Os alimentos naturais são a nossa principal fonte de nutrientes essenciais para o organismo, como vitaminas, fibras, proteínas e sais minerais.

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