Nitratos, fibras e antioxidantes fazem da beterraba um alimento de destaque na alimentação equilibrada. (Foto: Canva)
A beterraba é muito mais do que um acompanhamento colorido. Rica em nitratos, fibras, folato, potássio e antioxidantes, ela vem sendo estudada por seus possíveis efeitos sobre a circulação e a saúde cardiovascular. O destaque fica por conta dos nitratos, que o organismo utiliza na produção de óxido nítrico. Continue lendo para entender como esse mecanismo funciona e quais formas de consumo podem preservar melhor os nutrientes da beterraba.
O nutriente da beterraba que chama atenção dos pesquisadores
Os nitratos presentes naturalmente na beterraba são o principal motivo pelo qual o vegetal ganhou destaque nas pesquisas sobre saúde cardiovascular e desempenho físico.
Depois de consumidos, os nitratos passam por uma série de transformações no organismo. Bactérias presentes na boca participam da conversão em nitritos e, posteriormente, o organismo pode transformá-los em óxido nítrico.
O óxido nítrico atua sobre os vasos sanguíneos, promovendo o relaxamento da musculatura das artérias e favorecendo a vasodilatação. Com isso, o fluxo sanguíneo pode ser beneficiado, além de haver efeitos sobre a função do endotélio, camada que reveste internamente os vasos.
O que isso tem a ver com a pressão arterial?
Pesquisas clínicas e meta-análises sobre o assunto apontam que o consumo de nitratos alimentares pode estar associado a uma redução modesta da pressão arterial e a melhorias na função vascular.
Os resultados não significam que a beterraba substitua medicamentos ou tratamentos prescritos para hipertensão. O alimento pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas não deve ser utilizado como tratamento isolado para doenças cardiovasculares.
A beterraba também é fonte de antioxidantes
Outro destaque nutricional do vegetal são as betalaínas, pigmentos responsáveis pela intensa coloração vermelha da beterraba.
Entre elas está a betanina, estudada por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Esses compostos ajudam a combater o estresse oxidativo, processo que ocorre quando há um desequilíbrio entre radicais livres e os mecanismos de defesa antioxidante do organismo.
Pesquisas experimentais investigam os possíveis efeitos das betalaínas sobre diferentes órgãos e doenças crônicas. Porém, muitos desses resultados ainda precisam ser confirmados em estudos clínicos maiores realizados com seres humanos.
O alimento pode ajudar no desempenho físico
A relação entre beterraba e atividade física também ganhou espaço na ciência. O suco de beterraba, particularmente rico em nitratos, é estudado por seu possível efeito sobre a eficiência do uso de oxigênio durante o exercício.
A hipótese é que o aumento da disponibilidade de óxido nítrico possa melhorar a eficiência muscular e reduzir a quantidade de oxigênio necessária para determinada atividade. Os efeitos parecem ser mais consistentes em exercícios de resistência e em pessoas que não são atletas de alto rendimento.
Por isso, a beterraba e seu suco aparecem com frequência em pesquisas de nutrição esportiva. Ainda assim, os resultados variam conforme o tipo de exercício, o nível de treinamento e as características individuais.
Como consumir beterraba para aproveitar melhor seus nutrientes?
O modo de preparo pode interferir na quantidade de alguns nutrientes disponíveis no alimento. Cozimentos prolongados, por exemplo, podem provocar maiores perdas de vitamina C e parte dos nitratos.
Cozinhar no vapor pode ser uma alternativa
O cozimento no vapor e o preparo assado tendem a preservar melhor determinados nutrientes do que métodos que envolvem longos períodos de cozimento em água.
Outra possibilidade é consumir a beterraba crua, desde que seja higienizada adequadamente e esteja própria para o consumo.
Suco ou beterraba inteira?
O suco de beterraba pode concentrar uma quantidade relevante de nitratos, mas apresenta uma diferença importante em relação ao vegetal inteiro: possui menos fibras.
Por isso, não é necessário escolher exclusivamente uma forma de consumo. A beterraba inteira contribui com fibras e diversos nutrientes, enquanto o suco pode ser uma alternativa para quem busca uma preparação concentrada.
A beterraba oferece outros nutrientes importantes
Os nitratos não são o único motivo para incluir o vegetal na alimentação. A beterraba também fornece fibras, folato, potássio, manganês e vitamina C.
As fibras contribuem para a saciedade e para o funcionamento intestinal, enquanto o folato participa da síntese de DNA e de processos importantes para a formação das células.
O potássio, por sua vez, participa da regulação da pressão arterial e de funções musculares e nervosas. Já o manganês está envolvido em diferentes reações metabólicas do organismo.
Quem precisa ter atenção ao consumir beterraba?
Apesar dos benefícios nutricionais, a beterraba não é indicada da mesma maneira para todas as pessoas.
O vegetal contém oxalatos, substâncias que podem ser relevantes para indivíduos com histórico de cálculos renais formados por oxalato de cálcio. Nesses casos, a quantidade consumida deve ser discutida com um profissional de saúde.
Também pode ocorrer a chamada beetúria, uma alteração que deixa a urina ou as fezes avermelhadas após o consumo da beterraba. Apesar de poder assustar, a coloração é geralmente inofensiva e está relacionada aos pigmentos do alimento.
Quem utiliza medicamentos para controlar a pressão arterial também deve evitar o consumo exagerado de extratos ou preparações concentradas sem orientação profissional, já que os nitratos podem contribuir para a vasodilatação.
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