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Doce de leite mineiro frequentemente eleito como o melhor do Brasil foi criado em laboratório na década de 80
Adriana DouglasPor  Adriana Douglas

O doce de leite mais famoso do país surgiu a partir de pesquisas acadêmicas que desenvolveram um produto de altíssima qualidade

Doce de leite mineiro frequentemente eleito como o melhor do Brasil foi criado em laboratório na década de 80

Conheça a origem do doce de leite que é famoso de Norte a Sul do país (Créditos: Shutterstock)

Quando se fala em doce de leite mineiro, é quase automático pensar em fazenda, fogão à lenha e receitas passadas de geração em geração. Porém, um dos doces de leite mais elogiados do Brasil tem uma origem bem diferente do imaginário popular: na verdade, ele nasceu dentro de um laboratório, na década de 80.

Pode até parecer ficção científica, mas esse é o caso (real) do Doce de Leite Viçosa, um dos produtos mais famosos de Minas Gerais e presença constante em rankings e premiações nacionais.

Um clássico mineiro com DNA científico

O Doce de Leite Viçosa surgiu em 1980 a partir de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Viçosa (UFV), uma das instituições mais respeitadas do país na área de ciência e tecnologia de alimentos. Na época, a ideia não era criar um produto gourmet ou comercial, mas sim desenvolver uma fórmula padronizada, com qualidade constante, segurança alimentar e sabor superior.

Os pesquisadores buscavam entender, na prática, como controlar pontos críticos do doce de leite, como textura, cor, brilho e equilíbrio entre doçura e sabor do leite. O resultado foi tão bom que rapidamente ultrapassou os limites da universidade.

Da pesquisa acadêmica para a mesa dos brasileiros

Inicialmente produzido em pequena escala, em parceria com a Fundação Arthur Bernardes (Funarbe), que funciona como um “laticínio escola” para as aulas e pesquisas realizadas pela UFV, o doce começou a ganhar fama entre estudantes, professores e visitantes da universidade. Até que, em 1988, ele finalmente passou a ser comercializado na região.

Com o tempo, a produção passou a ser estruturada de forma mais profissional, mantendo o rigor técnico desenvolvido nos laboratórios, mas com processos industriais capazes de atender a uma demanda crescente. Tanto que, ainda hoje, o Doce de Leite Viçosa segue padrões rígidos de qualidade, algo que ajuda a explicar por que o sabor se mantém praticamente o mesmo ao longo das décadas.

Reconhecimento nacional

A partir do sucesso regional, não demorou para o Doce de Leite Viçosa ganhar o Brasil. Em 2001, veio a primeira premiação nacional. E desde então, o produto passou a ser frequentemente eleito como um dos melhores (e às vezes o melhor) doce de leite do país, tanto por especialistas quanto pelo público.

Atualmente, a UFV produz cerca de 115 mil quilos de doce de leite por mês. Além do sabor tradicional, existem também as versões com coco, com café e com cacau – todas vendidas originalmente em latas metálicas (de 400g e 800g). E há ainda a linha food service, voltada especificamente para o setor de alimentação.

Embora tenha nascido longe do fogão à lenha, o Doce de Leite Viçosa acabou se tornando parte da identidade mineira. Inclusive, em 2022, o processo de fabricação do produto passou a ser considerado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. Ou seja, o que começou como um experimento acadêmico virou um símbolo da excelência mineira na produção de alimentos. 

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