O médico diz que a creatina deve ser desmistificada como um suplemento apenas para atletas (Crédito: Shutterstock)
Durante muito tempo, a creatina foi vista como um suplemento restrito ao universo das academias, algo voltado apenas para quem busca força e hipertrofia muscular. Mas essa percepção está mudando, especialmente entre médicos que estudam o metabolismo celular e o envelhecimento saudável.
O cardiologista espanhol Aurelio Rojas, em entrevista ao podcast I Have a Plan, tem sido uma das vozes mais enfáticas em defender seu uso clínico. Para ele, "é um dos suplementos mais indispensáveis", justamente por atuar em funções muito mais amplas do que o desempenho físico.
Energia, metabolismo e função celular
Rojas explica que a creatina tem papel direto na produção de energia das células, sendo essencial para manter o bom funcionamento do corpo. Ela participa da regeneração do ATP, a principal molécula energética, e aumenta a eficiência das mitocôndrias, que são as "usinas" de energia do organismo.
Essa otimização faz diferença não apenas no treino, mas também nas tarefas diárias, na concentração e até na recuperação metabólica após períodos de estresse.
Segundo o especialista, o corpo humano produz creatina naturalmente no fígado, nos rins e no pâncreas, mas em quantidades insuficientes para atender às necessidades do estilo de vida atual. Ele alerta que seria praticamente impossível obter níveis ideais apenas pela alimentação, já que isso exigiria o consumo exagerado de carne ou peixe.
Por isso, considera a suplementação uma estratégia eficaz e segura para corrigir esse déficit...
Segurança e uso correto
O cardiologista enfatiza que a creatina é segura e amplamente estudada, sendo adequada para o uso contínuo. Ele recomenda entre 3 e 5 gramas por dia, independentemente do peso corporal, ressaltando que o efeito é cumulativo e depende da constância.
O suplemento pode ser tomado a qualquer hora, de preferência diluído em água e junto de alguma fonte de carboidrato, o que ajuda na absorção.
O médico destaca que o uso diário "não representa risco à saúde" e que os benefícios se tornam perceptíveis de forma gradual.
Muito além dos músculos
Embora a creatina seja conhecida por melhorar o desempenho muscular, Rojas destaca outro ponto que chama cada vez mais atenção da ciência: seus efeitos no cérebro.
O suplemento ajuda a otimizar o metabolismo energético neuronal, o que se reflete em melhor memória, foco e disposição mental. Essa melhora na função cognitiva, segundo ele, pode contribuir para uma vida mais longa e com melhor qualidade.
Estudos recentes também associam a suplementação à melhora do sono, da atenção e da estabilidade emocional, o que a torna especialmente útil para pessoas sob alta carga de estresse ou com declínio cognitivo leve.
Rojas defende que, mais do que um reforço para atletas, a creatina deve ser vista como um aliado da saúde cerebral e metabólica.
Quem mais se beneficia
Além dos praticantes de atividade física, o cardiologista recomenda o uso para pessoas acima dos 50 anos, mulheres na menopausa e indivíduos com estilo de vida sedentário.
Nesses grupos, a creatina auxilia na manutenção da massa muscular, melhora a funcionalidade e ajuda na prevenção de fragilidade associada ao envelhecimento.
Rojas resume sua visão ao afirmar que busca "desmitificar a creatina como um suplemento de fisiculturistas", defendendo seu uso como parte de uma estratégia de promoção da saúde.
Para o médico, trata-se de um nutriente essencial, seguro e acessível, com impacto real sobre a qualidade de vida, o metabolismo e a longevidade.
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