A forma crua conserva mais compostos ativos, mas seu consumo deve ser equilibrado (Crédito: Shutterstock)
Você já deve ter ouvido que o alho é um dos alimentos mais poderosos para a saúde.
Ele está presente em quase todas as cozinhas do mundo e, além de ser um tempero indispensável, também é frequentemente chamado de “superalimento”.
Mas será que ele realmente merece essa fama? E mais: será que faz diferença consumir o alho cru ou cozido?
Alho: aroma forte, efeitos potentes?
O cheiro marcante do alho cru não é só um detalhe incômodo: ele é um indicativo de sua ação química.
Quando o dente de alho é cortado ou esmagado, uma enzima chamada aliinase entra em ação e converte uma substância chamada aliina em alicina — o composto responsável pelo odor característico e, segundo muitos estudos, também pelos possíveis benefícios medicinais.
Mas a alicina é instável e começa a se decompor rapidamente quando o alho é aquecido, o que levanta a seguinte questão: será que cozinhar o alho “desliga” seus efeitos positivos?
Alho cru: maior concentração de alicina
Consumir o alho cru é a forma mais eficiente de aproveitar a alicina. Em estudos laboratoriais, essa substância demonstrou efeitos antimicrobianos e antioxidantes, além de potenciais ações anti-inflamatórias.
Há também indícios de que o alho cru possa contribuir para:
- Redução da pressão arterial
- Melhora do sistema imunológico
- Controle do colesterol
No entanto, boa parte dessas conclusões vem de testes in vitro (em laboratório, fora do corpo humano). Na prática, ainda faltam evidências consistentes de que o alho cru, em quantidades reais consumidas na alimentação, provoque esses mesmos efeitos no corpo humano.
Além disso, o consumo em excesso de alho cru pode causar desconfortos e irritação no estômago, mau hálito persistente e até reações alérgicas em pessoas sensíveis.
Alho cozido: sabor suave, menos alicina
Cozinhar o alho reduz significativamente a presença da alicina. Isso acontece porque o calor destrói a enzima responsável por ativá-la.
Em outras palavras: quanto mais tempo o alho for cozido, menos compostos sulfurados ativos ele terá.
Por outro lado, o alho cozido ainda contém outros antioxidantes e nutrientes, e continua sendo um alimento saudável. Ele é mais fácil de digerir, tem um sabor mais suave e pode ser consumido em maiores quantidades sem causar desconfortos.
Existe uma forma ideal de consumir alho?
Sim — e ela está no equilíbrio. Uma dica útil é amaciar ou triturar o alho e esperar cerca de 10 minutos antes de cozinhar.
Esse tempo permite que a alicina se forme completamente antes de ser exposta ao calor, preservando parte de seus benefícios mesmo após o cozimento.
Além disso, você pode:
- Misturar alho cru ralado a saladas, vinagretes ou molhos frios
- Finalizar pratos com alho cru picado ou amassado, para um toque funcional
- Usar o alho cozido para sabor e quantidade, e o cru em pequenas porções para efeito funcional
Interessante, né?
E os suplementos de alho?
Muitas pessoas recorrem a cápsulas e extratos de alho na tentativa de obter os “benefícios concentrados” do alimento.
No entanto, a ciência ainda não comprova de forma robusta os efeitos medicinais do alho em forma de suplemento.
Além disso, esses produtos podem interagir com medicamentos, como anticoagulantes, e devem ser usados com cautela e orientação médica.
Segundo especialistas, o ideal é obter os nutrientes do alho a partir da alimentação balanceada — e não de produtos industrializados concentrados.
Alho é saúde, com moderação
O alho cru pode sim ser um aliado para a saúde, mas não é um remédio milagroso. Já o alho cozido, apesar de menos potente em termos de substâncias bioativas, é seguro, saboroso e nutritivo.
O segredo está em como e quando usar. Uma combinação de alho cru e cozido, inserido de maneira natural nas refeições do dia a dia, parece ser a melhor forma de tirar proveito desse ingrediente sem exageros ou expectativas irreais.
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