Entenda o truque botânico de algumas "frutas" que na realidade não são frutas (Fotos: Shutterstock; Freepik)
Prepare-se para repensar tudo o que você sabia sobre suas frutas preferidas! Aquelas delícias que você consome desde sempre, como o morango, a maçã e o caju, talvez não sejam frutas de verdade. Pelo menos não segundo a botânica.
Apesar da aparência e do sabor que enganam até os mais atentos, esses alimentos são, na verdade, pseudofrutos, ou falsos frutos.
Isso significa que eles não se formam a partir do ovário da flor, como os frutos verdadeiros (caso do abacate e da banana), mas de outras partes da planta.
Os pseudofrutos são verdadeiras estratégias evolutivas. Com cores vibrantes e sabores marcantes, ajudam a atrair animais que espalham suas sementes e mantêm os ecossistemas em equilíbrio, tudo com uma boa dose de “truque botânico”. Entenda!
O consumo de pseudofrutos é comum no Brasil
De acordo com a professora Isa Lucia de Morais, da Universidade Estadual de Goiás (UEG), no caso dos frutos verdadeiros, a parte carnosa se origina do ovário da flor, após a fecundação dos óvulos.
"Já nos pseudofrutos, outras estruturas se desenvolvem e ganham a aparência e função de fruto", explica ela ao canal Terra da Gente.
No Brasil, é comum consumir pseudofrutos sem saber. Caju, maçã, pera, morango e figo são exemplos populares em que a parte comestível não é o fruto verdadeiro.
- O caju é um pseudofruto formado pelo pedúnculo da flor, enquanto seu fruto verdadeiro é a castanha, localizada na extremidade inferior e amplamente usada na indústria alimentícia;
- O morango é um pseudofruto do tipo conocarpo. A parte vermelha que comemos é o receptáculo floral, enquanto os verdadeiros frutos são os pequenos grãos na sua superfície, chamados frutículos;
- Maçã e pera são pseudofrutos do tipo pomo. A parte carnosa vem do receptáculo da flor, enquanto o verdadeiro fruto é o miolo, onde ficam as sementes;
- O figo é uma infrutescência do tipo sicônio, formada por várias flores minúsculas dentro de uma estrutura carnosa e oca. Sua polinização depende de pequenas vespas, em uma relação mutualística com a planta.
Manutenção da biodiversidade e dos ecossistemas
Ainda segundo a professora, os pseudofrutos exercem um papel vital na manutenção da biodiversidade e dos ecossistemas por meio de sua influência com diversos aspectos:
- Dispersão de sementes: Assim como os frutos verdadeiros, os pseudofrutos são consumidos por animais, que ajudam na dispersão das sementes e na colonização de novos habitats;
- Alimentação de animais: servem de alimento para várias espécies, ajudando a manter a cadeia alimentar e o equilíbrio dos ecossistemas;
- Interações ecológicas: influenciam interações ecológicas ao favorecer relações entre plantas e animais polinizadores ou dispersores de sementes;
- Ciclo de nutrientes: a decomposição de pseudofrutos ajuda a reciclar nutrientes no solo, enriquecendo-o e favorecendo o crescimento de plantas e fungos;
- Diversidade de espécies: a variedade de frutos e pseudofrutos, com diferentes tamanhos, cores e sabores, aumenta a diversidade de espécies e fortalece a resiliência dos ecossistemas;
- Equilíbrio ecológico: eles ajudam a manter o equilíbrio ecológico, controlando populações e prevenindo extinções ou surtos de pragas;
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