Alimentação equilibrada continua sendo um pilar da saúde a longo prazo (Crédito: Shutterstock)
Chá ou café? A dúvida atravessa gerações e divide opiniões. Afinal, quando o assunto é proteção do coração e do cérebro, qual deles leva vantagem?
Pesquisas recentes associadas à Universidade Harvard ajudam a esclarecer. A resposta, no entanto, não é simples. Depende do órgão analisado, da quantidade consumida e até da forma como a bebida é preparada.
Para o coração, o chá pode ter leve vantagem
Diversos estudos observacionais apontam que tanto chá quanto café estão associados à redução do risco de doenças cardiovasculares. Ainda assim, algumas evidências indicam que o chá, especialmente o chá verde, pode apresentar um destaque ligeiramente maior quando o foco é o sistema cardiovascular.
Isso ocorre por causa da presença elevada de polifenóis, especialmente flavan-3-ol, compostos bioativos que ajudam a melhorar a função dos vasos sanguíneos, favorecem a elasticidade arterial e contribuem para uma melhor circulação.
Pesquisas compiladas em 2022 mostraram que o consumo regular de chá verde esteve associado à redução de fatores de risco como pressão arterial elevada e alterações nos níveis de gordura no sangue.
Especialistas em nutrição reforçam que tanto chá quanto café, quando consumidos com moderação, podem beneficiar o coração. No entanto, os polifenóis presentes no chá podem oferecer uma vantagem discreta nesse contexto específico.
Para o cérebro, o café ganha destaque
Quando a análise se volta para a saúde cerebral, o café parece assumir protagonismo. Um grande estudo conduzido pela Harvard Medical School com mais de 130 mil participantes observou que o consumo de duas a três xícaras de café com cafeína por dia esteve associado a uma redução de 15% a 20% no risco de demência.
Resultados semelhantes foram observados entre pessoas que consumiam uma a duas xícaras de chá por dia, mas os efeitos não apareceram em versões descafeinadas. Isso sugere que a cafeína pode ter papel importante na proteção neurológica.
Outro estudo de longo prazo, que acompanhou mais de 200 mil adultos de meia-idade no Reino Unido por nove anos, apontou que indivíduos que consumiam café sem açúcar regularmente apresentaram redução de:
- 34% no risco de Alzheimer
- 37% no risco de Parkinson
- 47% menor risco de morte por doenças neurodegenerativas
Especialistas em epidemiologia nutricional observam que o café possui um corpo de evidências mais robusto quando o tema é proteção cognitiva de longo prazo, especialmente em relação ao envelhecimento cerebral e à função neurológica.
A quantidade faz toda a diferença
Tanto para chá quanto para café, a moderação é essencial. O consumo considerado seguro e potencialmente benéfico gira em torno de duas a quatro xícaras por dia. Acima disso, especialmente no caso do café, os efeitos adversos podem superar os benefícios, principalmente em pessoas sensíveis à cafeína.
Insônia, ansiedade, taquicardia e irritabilidade são sinais de que o consumo pode estar elevado demais. Se a bebida começa a prejudicar o sono, o impacto negativo pode afetar justamente os mesmos sistemas que ela ajuda a proteger.
Além disso, a forma de consumo também importa. Café e chá sem adição de açúcar tendem a apresentar os resultados mais favoráveis nas pesquisas. O acréscimo de açúcar ou xaropes pode alterar significativamente o impacto metabólico da bebida.
Então, qual escolher?
A resposta mais honesta é que não existe um vencedor absoluto.
O chá pode ter uma leve vantagem quando o foco é a saúde cardiovascular, principalmente por seus compostos antioxidantes específicos.
Já o café apresenta evidências científicas mais consistentes quando o assunto é proteção cerebral e redução do risco de doenças neurodegenerativas.
Para pessoas sensíveis à cafeína ou que têm dificuldade para dormir, o chá pode ser uma opção mais equilibrada, especialmente em versões com menor teor estimulante. Por outro lado, quem tolera bem a cafeína e consome café sem açúcar pode manter o hábito com tranquilidade dentro de níveis moderados.
Moderação é o que vale
No fim das contas, quando falamos de coração e cérebro, nenhuma bebida isolada faz milagres. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse e sono de qualidade continuam sendo os pilares centrais da saúde a longo prazo.
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