Em vez de proibir o consumo, os especialistas agora defendem uma abordagem mais equilibrada (Crédito: Shutterstock)
Por décadas, a cafeína foi vista com desconfiança pelos cardiologistas. A crença de que o café poderia acelerar os batimentos e provocar arritmias levou muitos médicos a recomendarem que pacientes com problemas cardíacos evitassem a bebida.
Mas uma nova pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA) acaba de desafiar essa ideia: o consumo moderado de café pode, na verdade, proteger o coração contra arritmias.
O que a pesquisa descobriu
A pesquisa acompanhou 200 pacientes com fibrilação atrial, uma condição caracterizada por batimentos cardíacos irregulares que podem levar a insuficiência cardíaca, coágulos e até AVC.
Durante seis meses, os participantes foram divididos em dois grupos: um continuou consumindo café com cafeína (ao menos uma xícara por dia), enquanto o outro eliminou completamente a bebida.
O resultado surpreendeu: apenas 47% dos que continuaram tomando café apresentaram novos episódios de arritmia, contra 64% entre os que evitaram o consumo.
Além disso, os pesquisadores observaram que os consumidores de café demoraram mais tempo para apresentar o primeiro episódio de batimento irregular, sugerindo um possível efeito protetor da cafeína sobre o ritmo cardíaco.
Um novo olhar sobre o papel do café
Embora a relação entre café e coração sempre tenha sido motivo de debate, este estudo reforça evidências recentes de que a cafeína, em quantidades moderadas, não é vilã da saúde cardiovascular. Pelo contrário, pode até trazer benefícios por seu efeito estimulante leve e ação antioxidante.
A pesquisa foi apresentada também no congresso anual da American Heart Association (AHA), realizado em Nova Orleans, e pode levar a uma revisão das recomendações médicas tradicionais sobre o consumo da bebida por pacientes cardíacos.
Lembrando que os resultados devem ser interpretado com cautela. Esses resultados mostram que pessoas com arritmia podem, sim, tomar café com moderação, mas isso não significa que o café tenha propriedades terapêuticas.
Os autores também destacaram limitações importantes do estudo, como o fato de não terem controlado variáveis como dieta, prática de exercícios ou consumo de outras bebidas com cafeína (como chás e energéticos).
E o que isso significa na prática?
Para quem gosta de café, a boa notícia é que o consumo moderado, geralmente definido como até três xícaras por dia, parece seguro para a maioria das pessoas, inclusive aquelas com histórico de arritmia. No entanto, cada organismo reage de forma diferente à cafeína, e o ideal é observar como o corpo responde.
Pacientes com palpitações frequentes, insônia ou sensibilidade ao estimulante devem conversar com seu cardiologista antes de alterar hábitos. E vale lembrar que o estudo avaliou apenas o café puro, sem adição de açúcar ou ingredientes calóricos, que podem impactar negativamente a saúde do coração.
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