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Por que os especialistas alegam que tomar café da manhã depois das 9h pode ser um problema?
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Antecipar o café da manhã para antes das 9h é uma medida simples, mas que pode trazer grandes benefícios

Por que os especialistas alegam que tomar café da manhã depois das 9h pode ser um problema?

Um café da manhã equilibrado deve conter proteínas de boa qualidade, fibras e gorduras saudáveis (Crédito: Shutterstock)

O café da manhã é, para muitos, a refeição mais importante do dia. Ainda assim, há quem prefira adiá-lo — seja por falta de tempo, apetite ou pela rotina corrida. Mas essa escolha pode trazer consequências para o corpo que vão além da fome.

Segundo o endocrinologista Francisco Rosero, atrasar o café da manhã para depois das 9h pode impactar diretamente o metabolismo, os níveis de energia e até a regulação hormonal.

A razão está no funcionamento do nosso relógio biológico e na forma como ele lida com o hormônio do estresse: o cortisol... 

O relógio interno e o papel do cortisol

Nosso corpo funciona dentro de um ritmo circadiano, um ciclo de 24 horas que regula desde o sono até a liberação de hormônios. Durante as primeiras horas da manhã, há um aumento natural de cortisol, responsável por “acordar” o organismo e prepará-lo para o dia. Esse pico ocorre normalmente entre 4h e 9h da manhã, atingindo o ponto máximo por volta das 8h.

Segundo Rosero, é nesse intervalo que o corpo está mais receptivo à ingestão de alimentos, especialmente após o jejum noturno. Segundo ele, comer entre 7h e 8h ajuda o organismo a aproveitar melhor a janela de ação hormonal e mantém o equilíbrio energético.

Quando o café da manhã é adiado, o corpo entende a falta de alimento como um sinal de escassez. Em vez de reduzir os níveis de cortisol, como aconteceria naturalmente após a primeira refeição, o organismo continua em alerta, interpretando o atraso como uma situação de estresse.

Isso pode causar picos prolongados do hormônio, afetando humor, energia e até o controle do apetite...

Comer tarde pode prejudicar o metabolismo

A crononutrição, área que estuda a relação entre alimentação e ritmo biológico, mostra que o momento da refeição é tão importante quanto o que se come. Um café da manhã tardio pode gerar efeitos metabólicos negativos, já que o corpo passa mais tempo em jejum do que o necessário.

Nesse cenário, o organismo ativa mecanismos de compensação para gerar energia, como a gliconeogênese, processo que transforma proteínas e gorduras em glicose. Essa reação é eficiente a curto prazo, mas, se repetida diariamente, pode causar desequilíbrios. 

Um estudo do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) reforça essa ideia: pessoas que tomam café da manhã após as 9h têm 59% mais risco de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação às que se alimentam antes das 8h.

O atraso frequente também pode favorecer inflamações crônicas, alterações de humor e aumento da fome no fim do dia, criando um ciclo de compensação alimentar.

O horário ideal para o café da manhã

Para manter o metabolismo em harmonia, o endocrinologista recomenda quebrar o jejum entre 7h e 8h da manhã. É nesse período que o corpo recebe o sinal de que “está tudo bem”, e o cortisol começa a diminuir naturalmente.

Essa simples mudança de hábito pode ajudar a regular o apetite, estabilizar o açúcar no sangue e manter os níveis de energia mais estáveis ao longo do dia.

O que colocar no prato

Mais importante do que o horário é o tipo de alimento consumido. Um café da manhã equilibrado deve conter proteínas de boa qualidade, fibras e gorduras saudáveis, que prolongam a saciedade e evitam oscilações bruscas de glicose.

Entre os exemplos citados pelo endocrinologista estão:

  • Ovos, ricos em proteína e colina, nutrientes que auxiliam na função cerebral e no controle hormonal;
  • Iogurte grego natural, fonte de proteína e probióticos que favorecem a digestão;
  • Queijos brancos e leguminosas (como feijão, grão-de-bico e lentilha), que equilibram o metabolismo e ajudam a reduzir o estresse oxidativo;
  • Frutas frescas e aveia, que fornecem fibras e energia gradual.

Combinar esses alimentos ajuda a reduzir a produção excessiva de cortisol, melhora o humor e garante energia estável durante o dia. 

Um hábito simples que muda tudo

Antecipar o café da manhã para antes das 9h é uma medida simples, mas que pode trazer grandes benefícios. Ela contribui para o controle do estresse, melhora o funcionamento hormonal e previne desequilíbrios metabólicos.

Segundo Francisco Rosero, o corpo é uma máquina de rotina. Quanto mais respeitamos o relógio interno, melhor ele responde. Em outras palavras, o segredo não está apenas no que você come, mas em quando come.

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