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Segundo recente estudo inglês, a psoríase pode ser agravada por esses hábitos alimentares
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Esse estudo reforça a necessidade de um cuidado mais abrangente com os pacientes que vivem com psoríase

Segundo recente estudo inglês, a psoríase pode ser agravada por esses hábitos alimentares

Usar estratégias nutricionais personalizadas pode ajudar no controle dos sintomas (Crédito: Shutterstock)

 

Um novo estudo conduzido por pesquisadores britânicos acende um alerta importante: a alimentação pode desempenhar um papel decisivo na gravidade dos sintomas da psoríase.

A pesquisa investigou como diferentes padrões alimentares influenciam essa condição inflamatória crônica da pele, e os resultados apontam que dietas pró-inflamatórias, especialmente aquelas ricas em ultraprocessados, carnes vermelhas e açúcar refinado, estão associadas a formas mais graves da doença.

O que é a psoríase e por que a alimentação importa?

A psoríase é uma doença autoimune e inflamatória que afeta a pele, caracterizada pela formação de placas avermelhadas, ressecadas e descamativas, frequentemente localizadas nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e outras partes do corpo.

Embora sua origem envolva predisposição genética e fatores imunológicos, certos hábitos de vida, como tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade, já são reconhecidos como agravantes. Agora, a alimentação se soma a essa lista.

Segundo os autores do estudo, a dieta pode atuar como um gatilho para processos inflamatórios sistêmicos, o que tem implicações diretas em doenças de base inflamatória, como a psoríase.

O trabalho avaliou 257 adultos diagnosticados com a condição, comparando seus hábitos alimentares com a gravidade dos sintomas dermatológicos.

Dietas inflamatórias x dietas saudáveis: qual é a diferença?

Os participantes responderam questionários sobre sua adesão a diferentes tipos de dieta, incluindo padrões conhecidos por seus benefícios à saúde, como a dieta mediterrânea, além de dietas à base de vegetais e dietas mais ocidentais, com alto consumo de alimentos industrializados. Em seguida, os dados foram correlacionados com índices clínicos de gravidade da psoríase.

O resultado foi claro: quanto mais saudável o padrão alimentar, menos intensos eram os sintomas da doença. Dietas com alta densidade nutricional — ricas em frutas, vegetais, grãos integrais, oleaginosas e fontes de gordura boa, como azeite de oliva — demonstraram estar associadas a uma menor atividade inflamatória cutânea.

Por outro lado, a adesão a padrões alimentares ricos em carnes processadas, frituras, refrigerantes, produtos refinados e industrializados mostrou uma tendência a intensificar a inflamação e piorar os sintomas dermatológicos.

O papel anti-inflamatório dos alimentos

Esse efeito pode ser explicado pela ação anti-inflamatória e antioxidante de determinados nutrientes, como os polifenóis, vitaminas do complexo B, vitamina D, ômega 3 e fibras alimentares. Esses compostos ajudam a modular a resposta do sistema imune e a reduzir mediadores inflamatórios no organismo.

Além disso, alimentos minimamente processados favorecem a saúde da microbiota intestinal, que por sua vez exerce impacto sobre a regulação imunológica — um fator relevante no desenvolvimento e agravamento da psoríase.

Alimentação como aliada, não substituta do tratamento

É importante destacar que a alimentação, por mais benéfica que seja, não substitui o tratamento médico convencional, que pode envolver o uso de medicamentos tópicos, imunossupressores, fototerapia ou terapias biológicas.

No entanto, uma dieta equilibrada pode potencializar os efeitos desses tratamentos e contribuir para o controle de comorbidades frequentemente associadas à psoríase, como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemias e doenças cardiovasculares.

A presença de sobrepeso e obesidade, por exemplo, está diretamente ligada ao aumento da carga inflamatória do organismo e à pior resposta terapêutica em pacientes com psoríase. Nesses casos, uma alimentação saudável deve ser considerada parte essencial do plano terapêutico.

Abordagem multidisciplinar é o caminho

O estudo reforça a necessidade de um cuidado mais abrangente com os pacientes que vivem com psoríase, indo além da pele e levando em conta os hábitos de vida como um todo.

A adoção de estratégias nutricionais personalizadas, aliada ao acompanhamento dermatológico, pode trazer ganhos significativos em qualidade de vida e controle dos sintomas.

Em resumo, evitar alimentos ultraprocessados, reduzir o consumo de açúcar e gordura saturada, e investir em refeições ricas em vegetais, frutas e alimentos integrais pode ser um passo importante para quem convive com a psoríase.

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