Usar estratégias nutricionais personalizadas pode ajudar no controle dos sintomas (Crédito: Shutterstock)
Um novo estudo conduzido por pesquisadores britânicos acende um alerta importante: a alimentação pode desempenhar um papel decisivo na gravidade dos sintomas da psoríase.
A pesquisa investigou como diferentes padrões alimentares influenciam essa condição inflamatória crônica da pele, e os resultados apontam que dietas pró-inflamatórias, especialmente aquelas ricas em ultraprocessados, carnes vermelhas e açúcar refinado, estão associadas a formas mais graves da doença.
O que é a psoríase e por que a alimentação importa?
A psoríase é uma doença autoimune e inflamatória que afeta a pele, caracterizada pela formação de placas avermelhadas, ressecadas e descamativas, frequentemente localizadas nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e outras partes do corpo.
Embora sua origem envolva predisposição genética e fatores imunológicos, certos hábitos de vida, como tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade, já são reconhecidos como agravantes. Agora, a alimentação se soma a essa lista.
Segundo os autores do estudo, a dieta pode atuar como um gatilho para processos inflamatórios sistêmicos, o que tem implicações diretas em doenças de base inflamatória, como a psoríase.
O trabalho avaliou 257 adultos diagnosticados com a condição, comparando seus hábitos alimentares com a gravidade dos sintomas dermatológicos.
Dietas inflamatórias x dietas saudáveis: qual é a diferença?
Os participantes responderam questionários sobre sua adesão a diferentes tipos de dieta, incluindo padrões conhecidos por seus benefícios à saúde, como a dieta mediterrânea, além de dietas à base de vegetais e dietas mais ocidentais, com alto consumo de alimentos industrializados. Em seguida, os dados foram correlacionados com índices clínicos de gravidade da psoríase.
O resultado foi claro: quanto mais saudável o padrão alimentar, menos intensos eram os sintomas da doença. Dietas com alta densidade nutricional — ricas em frutas, vegetais, grãos integrais, oleaginosas e fontes de gordura boa, como azeite de oliva — demonstraram estar associadas a uma menor atividade inflamatória cutânea.
Por outro lado, a adesão a padrões alimentares ricos em carnes processadas, frituras, refrigerantes, produtos refinados e industrializados mostrou uma tendência a intensificar a inflamação e piorar os sintomas dermatológicos.
O papel anti-inflamatório dos alimentos
Esse efeito pode ser explicado pela ação anti-inflamatória e antioxidante de determinados nutrientes, como os polifenóis, vitaminas do complexo B, vitamina D, ômega 3 e fibras alimentares. Esses compostos ajudam a modular a resposta do sistema imune e a reduzir mediadores inflamatórios no organismo.
Além disso, alimentos minimamente processados favorecem a saúde da microbiota intestinal, que por sua vez exerce impacto sobre a regulação imunológica — um fator relevante no desenvolvimento e agravamento da psoríase.
Alimentação como aliada, não substituta do tratamento
É importante destacar que a alimentação, por mais benéfica que seja, não substitui o tratamento médico convencional, que pode envolver o uso de medicamentos tópicos, imunossupressores, fototerapia ou terapias biológicas.
No entanto, uma dieta equilibrada pode potencializar os efeitos desses tratamentos e contribuir para o controle de comorbidades frequentemente associadas à psoríase, como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemias e doenças cardiovasculares.
A presença de sobrepeso e obesidade, por exemplo, está diretamente ligada ao aumento da carga inflamatória do organismo e à pior resposta terapêutica em pacientes com psoríase. Nesses casos, uma alimentação saudável deve ser considerada parte essencial do plano terapêutico.
Abordagem multidisciplinar é o caminho
O estudo reforça a necessidade de um cuidado mais abrangente com os pacientes que vivem com psoríase, indo além da pele e levando em conta os hábitos de vida como um todo.
A adoção de estratégias nutricionais personalizadas, aliada ao acompanhamento dermatológico, pode trazer ganhos significativos em qualidade de vida e controle dos sintomas.
Em resumo, evitar alimentos ultraprocessados, reduzir o consumo de açúcar e gordura saturada, e investir em refeições ricas em vegetais, frutas e alimentos integrais pode ser um passo importante para quem convive com a psoríase.
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