Consumo excessivo do óleo de soja pode formar compostos ligados ao ganho de peso. (créditos: Shutterstock)
O óleo de soja é presença garantida na cozinha da maioria dos brasileiros. Ele está na frigideira, nas receitas do dia a dia e até em muitos alimentos industrializados. Mas um novo estudo publicado no Journal of Lipid Research e divulgado pelo Science Daily levantou um alerta importante: o consumo excessivo pode estar ligado ao ganho de peso e a culpa não é exatamente do óleo em si, mas de um composto formado a partir dele no nosso organismo.
Genética pode influenciar nos efeitos do óleo de soja no organismo
Pesquisadores da Universidade da Califórnia analisaram o efeito do óleo de soja em ratos. Durante o experimento, um dos grupos recebeu uma dieta rica em gordura contendo esse óleo. Ao final, foi comprovado que esses animais ganharam mais peso.
Mas o que chamou atenção foi o grupo de controle. Esses ratos também seguiram a mesma dieta, porém não engordaram de forma significativa. A diferença é que eles eram geneticamente modificados para produzir uma versão diferente de uma proteína hepática que influencia genes ligados ao metabolismo de gordura.
Segundo a principal autora do estudo, a pesquisadora biomédica Sonia Deol, essa descoberta pode ajudar a explicar por que algumas pessoas ganham peso com mais facilidade do que outras, mesmo comendo de forma parecida.
Não é o óleo em si, mas o que ele vira no corpo
Os cientistas reforçam que o óleo de soja não deve ser visto como um vilão absoluto. O ponto central é a forma como o corpo o metaboliza.
O problema começa no ácido linoleico, o tipo de gordura poli-insaturada presente em grandes quantidades no óleo de soja. No organismo, ele é transformado em substâncias chamadas oxilipinas. E quando essas oxilipinas aparecem em excesso, podem aumentar processos inflamatórios e favorecer o acúmulo de gordura.
Nos ratos geneticamente modificados, a produção dessas oxilipinas foi menor e eles engordaram menos, apesar da mesma dieta.
A professora de biologia celular Frances Sladek, uma das pesquisadoras do estudo, lembra que isso já vinha sendo observado. “Sabemos desde 2015 que o óleo de soja engorda mais do que o óleo de coco.”
Para ela, o grande problema está na quantidade consumida hoje. “O óleo de soja não é inerentemente ruim. Mas as quantidades que consumimos desencadeiam vias no corpo para as quais não evoluímos para lidar.”
O que isso significa na prática?
Segundo os pesquisadores, o excesso de ácido linoleico, especialmente vindo de alimentos ultraprocessados, pode favorecer problemas metabólicos no longo prazo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o consumo de óleo de soja explodiu nos últimos 100 anos, passando de 2% para quase 10% do total de calorias ingeridas pela população.
Isso não quer dizer que você precise eliminar o óleo de soja da sua vida. Ele continua sendo uma fonte acessível de gordura vegetal e não contém colesterol. O alerta é sobre exagero e sobre a importância de variar as fontes de gordura da alimentação.
E os outros óleos, como ficam?
O estudo também levantou uma nova pergunta: será que o mesmo acontece com outros óleos ricos em ácido linoleico, como milho, girassol e cártamo?
Os cientistas já começaram a investigar. A ideia é entender se todos eles estimulam a formação de oxilipinas em excesso e se isso também pode levar ao ganho de peso.
Por enquanto, não existem testes em humanos. Mas os pesquisadores esperam que esse trabalho abra caminho para novos estudos e até para futuras orientações nutricionais.
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