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O óleo de cozinha mais popular no Brasil forma derivados que podem contribuir para obesidade, revela estudo
JoannaPor  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Estudo investiga como a genética pode ter um papel importante na maneira como cada pessoa reage ao óleo de cozinha.

O óleo de cozinha mais popular no Brasil forma derivados que podem contribuir para obesidade, revela estudo

Consumo excessivo do óleo de soja pode formar compostos ligados ao ganho de peso. (créditos: Shutterstock)

 

O óleo de soja é presença garantida na cozinha da maioria dos brasileiros. Ele está na frigideira, nas receitas do dia a dia e até em muitos alimentos industrializados. Mas um novo estudo publicado no Journal of Lipid Research e divulgado pelo Science Daily levantou um alerta importante: o consumo excessivo pode estar ligado ao ganho de peso e a culpa não é exatamente do óleo em si, mas de um composto formado a partir dele no nosso organismo.

Genética pode influenciar nos efeitos do óleo de soja no organismo 

Pesquisadores da Universidade da Califórnia analisaram o efeito do óleo de soja em ratos. Durante o experimento, um dos grupos recebeu uma dieta rica em gordura contendo esse óleo. Ao final, foi comprovado que esses animais ganharam mais peso.

Mas o que chamou atenção foi o grupo de controle. Esses ratos também seguiram a mesma dieta, porém não engordaram de forma significativa. A diferença é que eles eram geneticamente modificados para produzir uma versão diferente de uma proteína hepática que influencia genes ligados ao metabolismo de gordura.

Segundo a principal autora do estudo, a pesquisadora biomédica Sonia Deol, essa descoberta pode ajudar a explicar por que algumas pessoas ganham peso com mais facilidade do que outras, mesmo comendo de forma parecida.

Não é o óleo em si, mas o que ele vira no corpo

Os cientistas reforçam que o óleo de soja não deve ser visto como um vilão absoluto. O ponto central é a forma como o corpo o metaboliza.

O problema começa no ácido linoleico, o tipo de gordura poli-insaturada presente em grandes quantidades no óleo de soja. No organismo, ele é transformado em substâncias chamadas oxilipinas. E quando essas oxilipinas aparecem em excesso, podem aumentar processos inflamatórios e favorecer o acúmulo de gordura.

Nos ratos geneticamente modificados, a produção dessas oxilipinas foi menor e eles engordaram menos, apesar da mesma dieta.

A professora de biologia celular Frances Sladek, uma das pesquisadoras do estudo, lembra que isso já vinha sendo observado. “Sabemos desde 2015 que o óleo de soja engorda mais do que o óleo de coco.”

Para ela, o grande problema está na quantidade consumida hoje. “O óleo de soja não é inerentemente ruim. Mas as quantidades que consumimos desencadeiam vias no corpo para as quais não evoluímos para lidar.”

O que isso significa na prática?

Segundo os pesquisadores, o excesso de ácido linoleico, especialmente vindo de alimentos ultraprocessados, pode favorecer problemas metabólicos no longo prazo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o consumo de óleo de soja explodiu nos últimos 100 anos, passando de 2% para quase 10% do total de calorias ingeridas pela população.

Isso não quer dizer que você precise eliminar o óleo de soja da sua vida. Ele continua sendo uma fonte acessível de gordura vegetal e não contém colesterol. O alerta é sobre exagero e sobre a importância de variar as fontes de gordura da alimentação.

E os outros óleos, como ficam?

O estudo também levantou uma nova pergunta: será que o mesmo acontece com outros óleos ricos em ácido linoleico, como milho, girassol e cártamo?

Os cientistas já começaram a investigar. A ideia é entender se todos eles estimulam a formação de oxilipinas em excesso e se isso também pode levar ao ganho de peso.

Por enquanto, não existem testes em humanos. Mas os pesquisadores esperam que esse trabalho abra caminho para novos estudos e até para futuras orientações nutricionais.

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