• Entrar
  • Cadastrar
O lado do alho que ninguém te conta e vai muito além do sabor: veja o que ele esconde
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

O alho é um superalimento, com uma longa história de uso medicinal e culinário, mas seu potencial vai muito além do sabor

O lado do alho que ninguém te conta e vai muito além do sabor: veja o que ele esconde

Aa forma como o alho é consumido influencia diretamente seus efeitos no organismo (Crédito: Shutterstock)

O alho é um dos ingredientes mais antigos e versáteis da culinária. Usado para temperar pratos, realçar sabores e até como conservante natural, é um item básico em cozinhas de praticamente todas as culturas.

No entanto, apesar de seu uso milenar e dos benefícios amplamente divulgados, como sua ação anti-inflamatória, antimicrobiana e cardioprotetora, há aspectos do consumo de alho que pouca gente conhece... 

Alho cru precisa de tempo para “ativar” seus compostos benéficos

Uma das informações menos conhecidas sobre o alho é que ele não libera seus principais compostos benéficos imediatamente após ser picado ou amassado.

O principal responsável pelos efeitos terapêuticos do alho é a alicina, um composto que só é formado quando a enzima alliinase entra em contato com a aliina. E isso só acontece quando o alho é cortado ou esmagado.

No entanto, essa reação química precisa de tempo: estudos mostram que é necessário aguardar cerca de 10 a 15 minutos após amassar ou cortar o alho cru antes de submetê-lo ao cozimento.

Isso porque o calor destrói a enzima alliinase, impedindo a formação da alicina se o alho for levado imediatamente à panela.

Ou seja, para aproveitar ao máximo seus efeitos medicinais, o ideal é esperar esse tempo antes de cozinhar o alho. Outra opção é adicioná-lo cru, no final da preparação, se possível.

O consumo em excesso pode causar desconfortos 

Apesar de natural, o alho cru em excesso pode causar efeitos como azia, náuseas, dor de estômago, gases e diarreia. Em pessoas mais sensíveis, mesmo pequenas quantidades já podem causar esses sintomas.

Além disso, o alho possui propriedades anticoagulantes. Em pessoas que fazem uso de medicamentos como aspirina, varfarina ou outros anticoagulantes, o uso excessivo de alho pode aumentar o risco de sangramentos.

O mesmo vale para quem vai passar por cirurgias: é comum que médicos recomendem suspender o uso de suplementos de alho cerca de 7 a 10 dias antes de procedimentos.

Fermentar o alho pode ampliar seus benefícios e reduzir desconfortos

A fermentação do alho tem ganhado popularidade por combinar os benefícios do alimento com os efeitos positivos dos probióticos.

Durante a fermentação, os compostos sulfurados do alho se transformam, o que pode tornar o alimento mais fácil de digerir e menos agressivo para o estômago.

Além disso, há indícios de que a biodisponibilidade de certos nutrientes aumenta após a fermentação, ampliando seu potencial antioxidante.

O chamado “alho preto”, por exemplo, é resultado de um processo de fermentação controlada em alta temperatura e umidade ao longo de semanas.

Ele tem sabor adocicado, textura macia e concentra altos níveis de compostos antioxidantes, que têm ação anti-inflamatória e protetora do fígado.

Interações com medicamentos e cuidados para populações específicas

Pouca gente sabe, mas o alho também pode interagir com certos medicamentos. Além dos anticoagulantes, ele pode interferir na ação de remédios para pressão alta, diabetes e até antivirais.

Por isso, quem faz uso contínuo desses medicamentos deve consultar um profissional de saúde antes de adotar o alho como suplemento natural.

Grávidas e lactantes também devem ter cautela. Em doses moderadas, o alho é considerado seguro na alimentação, mas o consumo elevado, especialmente em forma de extratos, pode estimular contrações uterinas e afetar o sabor do leite materno, provocando rejeição em alguns bebês.

O modo de preparo faz diferença: cru, cozido, assado ou em cápsulas

Outro ponto importante é que a forma como o alho é consumido influencia diretamente seus efeitos no organismo.

  • O alho cru preserva mais compostos ativos, mas é mais agressivo ao sistema digestivo
  • Já o alho cozido, embora perca parte da alicina, conserva outros antioxidantes e pode ser mais bem tolerado
  • O alho assado, por sua vez, ganha sabor adocicado e suave, e ainda mantém propriedades benéficas, como ação antibacteriana e presença de compostos sulfurados

Já os suplementos de alho, como cápsulas de óleo ou extrato envelhecido, são uma alternativa para quem busca os benefícios do alimento sem os efeitos colaterais do consumo direto. No entanto, sua eficácia depende da concentração de compostos bioativos, o que nem sempre é garantido em marcas comerciais.

Alho é poderoso, mas exige atenção e conhecimento

O alho é, sem dúvida, um superalimento, com uma longa história de uso medicinal e culinário. Mas seu potencial vai muito além do sabor: ele esconde um verdadeiro arsenal bioquímico que pode beneficiar (ou prejudicar) a saúde, dependendo de como e quanto é consumido.

Para quem busca incorporar o alho à alimentação de forma inteligente, a dica é simples: dê tempo para a alicina se formar, evite excessos, considere novas formas de preparo como a fermentação e, em caso de uso contínuo ou suplementação, procure orientação profissional.

Assim, você aproveita o melhor do alho — e evita surpresas que ele pode esconder.

Nem no armário, nem na geladeira: este é o lugar certo para manter o alho em boas condições e evitar que ele apodreça ou germine
Minha vida na cozinha mudou depois que aprendi esse truque: ralar o alho faz toda a diferença

Temas relacionados