Comer mal é um dos fatores que influenciam o burnout. (Foto: Shutterstock)
Um estudo publicado no American Journal of Lifestyle Medicine (PMCID: PMC7958213) mostra como uma alimentação saudável pode ajudar a prevenir o burnout, especialmente entre médicos e profissionais da saúde. A pesquisa destaca que o estresse crônico altera os hábitos alimentares e pode contribuir para doenças como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. Por outro lado, investir em uma dieta equilibrada, como a mediterrânea, pode ser uma estratégia poderosa para melhorar a saúde mental e o bem-estar.
O que o estudo revelou sobre burnout e alimentação
O estudo aponta que, em condições normais, até metade dos médicos e 31% dos enfermeiros sofrem de burnout, e os números aumentaram após a pandemia de COVID-19. Entre as causas estão o ritmo intenso, a alta carga emocional e a pressão do trabalho. Isso afeta não apenas a saúde desses profissionais, mas também a qualidade do atendimento aos pacientes.
Um dos principais achados é que o estresse crônico influencia diretamente o que e como comemos, levando tanto à alimentação emocional quanto à subalimentação. Também está associado ao aumento de peso, obesidade abdominal e às consequências de longo prazo desses hábitos inadequados.
O papel da dieta mediterrânea na saúde mental
Estudos clínicos apontam que a dieta mediterrânea pode reduzir sintomas de depressão e melhorar o estado emocional. Esse padrão alimentar prioriza:
- Vegetais, frutas e leguminosas
- Grãos integrais e azeite de oliva
- Consumo moderado de peixes
- Baixa ingestão de carne vermelha e alimentos ultraprocessados
- Ensaios clínicos mostram que a adesão à dieta mediterrânea por 3 a 12 semanas gerou melhoras significativas no bem-estar mental.
Nutrientes que atuam diretamente na função cerebral
Ômega-3: presente em peixes e sementes, ajuda na transmissão de serotonina e dopamina
Triptofano e ornitina: aminoácidos que influenciam sono e reduzem o estresse
Carboidratos complexos: frutas, vegetais e cereais integrais que têm efeito anti-inflamatório e equilibram a microbiota intestinal
Três abordagens eficazes para mudar hábitos alimentares
Além da dieta em si, o estudo propõe três caminhos para uma mudança de comportamento mais eficaz entre profissionais da saúde:
1. Educação nutricional
Programas educativos com foco em até 3 objetivos e duração mínima de 5 meses são os mais eficazes. A adesão aumenta quando há apoio institucional e acesso a cursos no ambiente de trabalho.
2. Aconselhamento nutricional
Realizado por nutricionistas, com técnicas de terapia cognitivo-comportamental, como:
- Automonitoramento alimentar
- Estabelecimento de metas
- Controle de estímulos e gerenciamento do estresse
3. Alimentação consciente
Técnica baseada no mindfulness que estimula:
- Percepção dos sinais de fome e saciedade
- Presença e atenção plena durante as refeições
- Redução da alimentação emocional
Apoio institucional também faz diferença
Mudanças no ambiente de trabalho têm papel essencial:
- Oferecer alimentos saudáveis em refeitórios e eventos
- Incentivar pausas reais para refeições
- Investir em programas de bem-estar com foco em nutrição
- Incluir competências nutricionais na formação médica
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