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Comer batata frita uma vez por semana já aumenta o risco de diabetes? Cientistas de Harvard têm a resposta
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Os pesquisadores reforçam que pequenas mudanças é que fazem diferença real

Comer batata frita uma vez por semana já aumenta o risco de diabetes? Cientistas de Harvard têm a resposta

A fritura em alta temperatura altera o alimento, produzindo compostos inflamatórios (Crédito: Shutterstock)

A relação entre batatas fritas e saúde ganhou novo peso após uma pesquisa recente da Universidade de Harvard, publicada na revista científica The BMJ.

O estudo, um dos mais amplos já feitos sobre o tema, acompanhou mais de 205 mil profissionais de saúde durante quase 40 anos e revelou que o consumo frequente de batatas fritas pode aumentar em até 20% o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

O que a pesquisa revelou

O estudo comparou o impacto de diferentes preparos de batata e confirmou que as fritas se destacam negativamente.

Participantes que consumiam três porções de batata frita por semana tinham 20% mais risco de desenvolver diabetes tipo 2, enquanto aqueles que comiam a mesma quantidade de batata cozida ou assada apresentavam apenas 1% de aumento.

Ao longo do acompanhamento, surgiram 7 mil novos casos de diabetes tipo 2, o que permitiu uma análise robusta da relação entre dieta e metabolismo. A conclusão foi reforçada por uma meta-análise com dados de outras populações, indicando que o problema está na fritura em óleo e na carga glicêmica elevada das batatas processadas. 

Por que as batatas fritas são piores

Quando o amido da batata é digerido, ele se transforma rapidamente em glicose, elevando o açúcar no sangue e a produção de insulina. No caso das fritas, o efeito é ainda mais intenso por causa do óleo quente e do sal, que potencializam inflamações e aumentam a resistência à insulina.

O coautor do estudo, Walter Willett, destacou que o tamanho das porções também influencia. Segundo ele, se você come uma porção enorme uma vez por semana, o impacto pode ser semelhante ao de pequenas porções frequentes.

Além disso, durante o período em que parte dos dados foi coletada, muitas batatas fritas eram preparadas com óleos ricos em gordura trans, substância já associada a doenças cardiovasculares e metabólicas.

Uma porção a mais já faz diferença?

Os pesquisadores definiram uma porção média como algo entre 113 e 170 gramas, o equivalente a uma porção grande de batata frita de fast food.

Embora o estudo tenha analisado o consumo de três porções semanais, Willett explica que não há um limite considerado “seguro”. O risco aumenta de forma proporcional à frequência e ao tamanho das porções.

Por isso, a recomendação é clara: quanto mais você come, maior o risco. Mesmo uma refeição semanal exagerada pode causar elevações repetidas de glicose, especialmente se acompanhada de refrigerantes e outros ultraprocessados

E quanto à batata-doce?

A pesquisa não focou na batata-doce, mas evidências anteriores mostram que ela tem índice glicêmico mais baixo. Isso significa que libera a glicose mais lentamente no sangue, reduzindo os picos de insulina. No entanto, ao ser frita, até a batata-doce perde boa parte dessa vantagem.

Outros especialistas do estudo explicam que a fritura em alta temperatura altera o alimento, produzindo compostos inflamatórios que interferem na tolerância à glicose.

Há formas de reduzir o risco?

Os cientistas descobriram que substituir as batatas fritas por grãos integrais pode reduzir o risco de diabetes em até 19%. Já trocar batatas cozidas ou assadas por arroz branco teve o efeito oposto, aumentando a probabilidade da doença.

Segundo Willett, o segredo está na consistência: porções menores, menos óleo e métodos de preparo mais saudáveis ajudam a reduzir o impacto.

Outra alternativa promissora é a airfryer. Embora o estudo não tenha comparado diretamente, Mousavi acredita que o método apresenta menor risco, já que usa menos gordura e evita compostos prejudiciais.

A lição por trás do estudo

A mensagem central da pesquisa é que o padrão alimentar é o verdadeiro determinante da saúde metabólica. Comer batata frita uma vez por semana, isoladamente, não causa diabetes, mas contribui para um cenário de risco quando somado ao sedentarismo e à ingestão frequente de ultraprocessados.

Os pesquisadores reforçam que pequenas mudanças, como preferir batatas assadas, controlar porções e equilibrar o prato com vegetais e proteínas magras, fazem diferença real. Afinal, comer bem é uma decisão cumulativa, não um evento isolado.

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