A fritura em alta temperatura altera o alimento, produzindo compostos inflamatórios (Crédito: Shutterstock)
A relação entre batatas fritas e saúde ganhou novo peso após uma pesquisa recente da Universidade de Harvard, publicada na revista científica The BMJ.
O estudo, um dos mais amplos já feitos sobre o tema, acompanhou mais de 205 mil profissionais de saúde durante quase 40 anos e revelou que o consumo frequente de batatas fritas pode aumentar em até 20% o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
O que a pesquisa revelou
O estudo comparou o impacto de diferentes preparos de batata e confirmou que as fritas se destacam negativamente.
Participantes que consumiam três porções de batata frita por semana tinham 20% mais risco de desenvolver diabetes tipo 2, enquanto aqueles que comiam a mesma quantidade de batata cozida ou assada apresentavam apenas 1% de aumento.
Ao longo do acompanhamento, surgiram 7 mil novos casos de diabetes tipo 2, o que permitiu uma análise robusta da relação entre dieta e metabolismo. A conclusão foi reforçada por uma meta-análise com dados de outras populações, indicando que o problema está na fritura em óleo e na carga glicêmica elevada das batatas processadas.
Por que as batatas fritas são piores
Quando o amido da batata é digerido, ele se transforma rapidamente em glicose, elevando o açúcar no sangue e a produção de insulina. No caso das fritas, o efeito é ainda mais intenso por causa do óleo quente e do sal, que potencializam inflamações e aumentam a resistência à insulina.
O coautor do estudo, Walter Willett, destacou que o tamanho das porções também influencia. Segundo ele, se você come uma porção enorme uma vez por semana, o impacto pode ser semelhante ao de pequenas porções frequentes.
Além disso, durante o período em que parte dos dados foi coletada, muitas batatas fritas eram preparadas com óleos ricos em gordura trans, substância já associada a doenças cardiovasculares e metabólicas.
Uma porção a mais já faz diferença?
Os pesquisadores definiram uma porção média como algo entre 113 e 170 gramas, o equivalente a uma porção grande de batata frita de fast food.
Embora o estudo tenha analisado o consumo de três porções semanais, Willett explica que não há um limite considerado “seguro”. O risco aumenta de forma proporcional à frequência e ao tamanho das porções.
Por isso, a recomendação é clara: quanto mais você come, maior o risco. Mesmo uma refeição semanal exagerada pode causar elevações repetidas de glicose, especialmente se acompanhada de refrigerantes e outros ultraprocessados.
E quanto à batata-doce?
A pesquisa não focou na batata-doce, mas evidências anteriores mostram que ela tem índice glicêmico mais baixo. Isso significa que libera a glicose mais lentamente no sangue, reduzindo os picos de insulina. No entanto, ao ser frita, até a batata-doce perde boa parte dessa vantagem.
Outros especialistas do estudo explicam que a fritura em alta temperatura altera o alimento, produzindo compostos inflamatórios que interferem na tolerância à glicose.
Há formas de reduzir o risco?
Os cientistas descobriram que substituir as batatas fritas por grãos integrais pode reduzir o risco de diabetes em até 19%. Já trocar batatas cozidas ou assadas por arroz branco teve o efeito oposto, aumentando a probabilidade da doença.
Segundo Willett, o segredo está na consistência: porções menores, menos óleo e métodos de preparo mais saudáveis ajudam a reduzir o impacto.
Outra alternativa promissora é a airfryer. Embora o estudo não tenha comparado diretamente, Mousavi acredita que o método apresenta menor risco, já que usa menos gordura e evita compostos prejudiciais.
A lição por trás do estudo
A mensagem central da pesquisa é que o padrão alimentar é o verdadeiro determinante da saúde metabólica. Comer batata frita uma vez por semana, isoladamente, não causa diabetes, mas contribui para um cenário de risco quando somado ao sedentarismo e à ingestão frequente de ultraprocessados.
Os pesquisadores reforçam que pequenas mudanças, como preferir batatas assadas, controlar porções e equilibrar o prato com vegetais e proteínas magras, fazem diferença real. Afinal, comer bem é uma decisão cumulativa, não um evento isolado.
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