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Se o Brasil diminuir exportações para os EUA, os produtos vão ficar mais baratos? Entenda os possíveis impactos do tarifaço
Stephany MarianoPor  Stephany Mariano  | Redatora

Como uma verdadeira taurina, Stephany sempre foi apaixonada por comida. No tempo livre, gosta de assistir um k-drama bem clichê, viajar, experimentar novos sabores e fotografar tudo o que encontra por aí.

Tarifa de 50% aos produtos brasileiros anunciada por Trump tem gerado preocupação

Se o Brasil diminuir exportações para os EUA, os produtos vão ficar mais baratos? Entenda os possíveis impactos do tarifaço

Entenda quais são os possíveis efeitos do tarifaço no preço de produtos no Brasil (Créditos: Shutterstock)

Na última quarta-feira (09), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que as exportações de produtos brasileiros para os EUA agora serão taxadas em 50%. O anúncio é parte de uma guerra tarifária que se arrasta há algum tempo, mas, desta vez, a declaração direta levantou a preocupação de especialistas e da população.

A primeira coisa que muitos se questionam é: quais podem ser os impactos dessa tarifa no preço dos produtos dentro do Brasil? A dúvida segue a lógica de que, se vai ficar mais difícil exportar, alguns produtos podem "sobrar" e ficar mais baratos no mercado interno. Esse raciocínio até faz sentido, mas uma questão econômica como essa é mais complexa do que parece e os especialistas já têm opiniões sobre os possíveis impactos do chamado tarifaço na economia brasileira. Confira!

Como o tarifaço de Trump pode impactar o preço dos produtos no Brasil?

O taxa de 50% anunciado por Donald Trump sobre produtos brasileiros pode causar uma redução pontual nos preços de certos alimentos no Brasil, como café, carne bovina e suco de laranja. Isso ocorreria pela dificuldade de exportação para os Estados Unidos, uma vez que esses produtos têm os Estados Unidos como principal destino, o que levaria a um aumento da oferta no mercado interno.

Com mais produtos disponíveis e menor demanda externa, os preços tendem a cair. No entanto, especialistas explicam que essa possível baixa de preço seria por pouco tempo, já que muitos produtores devem buscar novos parceiros comerciais, como China e Índia, para escoar sua produção e manter a rentabilidade.

De acordo com o especialista em investimentos Jeff Patzlaff, em entrevista ao jornal O Tempo, o café deve ser um dos primeiros produtos a ter sua venda redirecionada ao mercado interno. “Esse movimento pode se repetir em outros segmentos, como sucos e carnes, dependendo da dificuldade de redirecionamento para outros mercados”, afirma. 

Ainda assim, economistas alertam que, mesmo havendo alguma queda de preços no curto prazo, isso não significa que haverá uma desaceleração da inflação no Brasil como um todo. Se o dólar continuar valorizado, o custo de insumos importados seguirá alto, o que neutraliza parte dessa redução de preços e pode manter a inflação em níveis elevados.

Ao mesmo tempo, o tarifaço deve impactar o próprio consumidor norte-americano, que enfrentará o encarecimento de produtos brasileiros essenciais em sua alimentação, como o café e a carne. Dessa forma, os Estados Unidos também sofrerão os impactos dessa mudança nas relações com o Brasil.

Outros impactos da tarifa de 50% na economia do Brasil

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, o que torna inevitável um impacto direto na economia brasileira. Além de afetar o preço dos alimentos de maneira momentânea, a medida também pode gerar um aumento dos juros, encarecendo o crédito

Especialistas apontam também para uma desaceleração da economia, com reflexos no consumo interno e no PIB (Produto Interno Bruto). Ao mesmo tempo, a redução na entrada de dólares por meio das exportações pode desvalorizar o real frente ao dólar, o que encarece produtos importados e aumenta a pressão inflacionária. Por fim, ao entrar em vigor, a nova tarifa também irá afetar setores industriais, na venda de aeronaves, petróleo, ferro, aço e materiais de construção e engenharia, por exemplo.

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