Basashi é o tradicional sashimi japonês preparado com carne de cavalo. (créditos: Shutterstock)
A carne de cavalo está prestes a ganhar espaço em um restaurante japonês do Rio de Janeiro. A Casa Ueda, especializada em culinária japonesa, anunciou que vai começar a servir o ingrediente em diferentes preparos, como sushi e sashimi.
A novidade chamou a atenção justamente porque a carne de cavalo não faz parte do dia a dia da maioria dos brasileiros. O anúncio também levantou uma dúvida nas redes sociais: é permitido consumir carne de cavalo no Brasil?
A resposta é sim. O consumo não é proibido no país. O que precisa ser observado é a procedência do produto e o cumprimento das regras sanitárias.
Restaurante vai incluir carne de cavalo em preparos inspirados na culinária japonesa
Quem contou a história foi Eric Ueda, chef de cozinha japonesa da Casa Ueda. Em uma publicação no Instagram, ele explicou que a ideia surgiu depois de uma conversa com o jornalista Carlos Gil, ex-correspondente da TV Globo no Japão.
Segundo o chef, o jornalista perguntou se ele trabalhava com basashi, o tradicional sashimi japonês feito com carne de cavalo. A pergunta acabou dando início a uma pesquisa que durou anos.
“Uma pergunta virou uma busca de alguns anos.”, conta Eric.
Eric contou que sua esposa, Marcelli, ficou à frente da busca por fornecedores e passou anos pesquisando e fazendo contatos até conseguir viabilizar a matéria-prima no Brasil.
Agora, a carne será utilizada em diferentes receitas da Casa Ueda. Além do sashimi, a proposta inclui sushi, tartar e um lámen que ainda está sendo desenvolvido pelo chef.
“Uma experiência que começou com uma provocação à mesa, ganhou anos de pesquisa e muita persistência nos bastidores, e que hoje pode ser vivida por você”, escreveu Eric.
Carne de cavalo é permitida no Brasil?
Apesar de não ser comum encontrar carne de cavalo nos açougues brasileiros, não existe uma proibição geral ao consumo do produto no país.
O Brasil possui estabelecimentos autorizados para o abate de equinos, e a atividade está submetida à fiscalização sanitária. O Ministério da Agricultura e Pecuária mantém o Serviço de Inspeção Federal (SIF), responsável pela inspeção e fiscalização de produtos de origem animal. O sistema oficial do órgão também possui registros específicos para abate e comercialização de equinos.
O ponto principal não é simplesmente o fato de a carne ser de cavalo. A procedência e as condições em que o animal foi abatido e a carne foi processada são fundamentais para a segurança do alimento.
Produtos de origem animal destinados ao consumo precisam seguir as normas de inspeção e fiscalização previstas na legislação brasileira. O próprio MAPA reúne as leis, decretos, portarias e instruções normativas aplicáveis à inspeção sanitária desses produtos.
Carne de cavalo faz parte da gastronomia de muitos países
A explicação passa principalmente por uma questão cultural. Embora o Brasil tenha produção e abate de equinos, o consumo da carne não faz parte dos hábitos alimentares da maior parte da população. Por isso, ela é muito menos presente no comércio brasileiro do que carnes como bovina, suína e de frango.
O próprio sistema oficial do MAPA prevê consultas específicas para abate, produção e comercialização de produtos de origem animal, incluindo equinos.
Em outros países, porém, a relação com esse tipo de carne é diferente. França, Bélgica, Itália e Japão estão entre os locais onde o consumo de carne de cavalo faz parte de tradições gastronômicas, com diferentes preparos.
No Japão, por exemplo, o basashi é conhecido justamente por ser servido cru, em fatias finas, de maneira semelhante ao sashimi.
Carne de cavalo faz mal?
A carne de cavalo não é considerada imprópria para o consumo humano. Assim como acontece com outras carnes, a segurança depende de fatores como origem, inspeção, conservação, manipulação e preparo adequado.
É justamente por isso que a fiscalização sanitária é tão importante. O SIF acompanha estabelecimentos registrados e realiza inspeções para garantir que os produtos de origem animal atendam às exigências sanitárias e tecnológicas previstas na legislação.
O problema, portanto, não está em consumir carne de cavalo, mas em consumir um produto sem procedência conhecida ou obtido fora das condições legais de abate e processamento.
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