Alessandra Montagne começou vendendo coxinhas nas ruas de Poté e hoje leva referências brasileiras para a alta gastronomia na França. (créditos: reprodução/Instagram)
Da venda de coxinhas nas ruas de Minas Gerais a um restaurante dentro de um dos museus mais famosos do mundo. A trajetória de Alessandra Montagne parece roteiro de filme, mas foi construída com muito trabalho. Nascida no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, e criada pelos avós em Poté, no interior de Minas Gerais, ela chegou à França aos 22 anos para estudar francês e acabou transformando a paixão pela cozinha em uma carreira de destaque em Paris.
Em 2024, a chef foi escolhida para comandar um novo restaurante no Museu do Louvre, em Paris. O projeto foi uma indicação do renomado chef francês Alain Ducasse, que já havia reconhecido o trabalho da brasileira anos antes.
Uma infância marcada pela cozinha mineira
Alessandra nasceu no Vidigal, mas passou praticamente toda a infância em Poté. Foi criada pelos avós e teve contato desde cedo com a rotina do interior de Minas Gerais. A cozinha entrou em sua vida ainda criança. Segundo a Forbes, aos 5 anos ela já preparava arroz, em pé sobre uma banqueta perto do fogão. Mais tarde, começou a vender coxinhas nas ruas.
Essas lembranças não ficaram apenas no passado. A comida brasileira continuou aparecendo na trajetória profissional da chef, que levou ingredientes e preparos afetivos para os restaurantes que abriu na França.
Aos 22 anos, ela foi para Paris sem imaginar onde chegaria
A mudança para a França aconteceu quando Alessandra tinha 22 anos. A ideia inicial era passar cerca de seis meses no país para aprender francês. Mas a viagem tomou outro rumo. Depois de conhecer Paris, decidiu permanecer na cidade.
No começo, precisou trabalhar para se sustentar. Foi babá e também fez faxinas. Como ainda tinha dificuldades com o idioma, encontrou na comida uma forma de se comunicar.
Ela preparava empadas, coxinhas e pão de queijo para amigos franceses. Os elogios ajudaram a despertar a ideia de transformar aquele talento em profissão.
A profissionalização veio depois de cursos de culinária e culminou na abertura do Tempero, em 2012. A casa fez sucesso logo nos primeiros dias. Alessandra contou à Forbes que o restaurante lotou na inauguração e chegou a faltar comida. O episódio marcou uma virada em sua vida.
A cozinha, que antes era uma habilidade construída na infância, passou a ser também seu caminho profissional. Com o tempo, a chef ampliou sua atuação em Paris. Além do Tempero, passou a comandar o Nosso, restaurante de proposta mais gastronômica.
O encontro com Alain Ducasse abriu uma nova porta
Um dos momentos mais importantes da carreira aconteceu quando Alain Ducasse provou um prato preparado por Alessandra. O chef francês elogiou a barriga de porco feita pela brasileira e, depois, a recebeu para uma temporada no restaurante que comandava no hotel Plaza Athénée.
O reconhecimento teve um peso especial para Alessandra. “O Alain me reconheceu como chef quando eu mesma não me reconhecia. Devo muito a ele.” Anos depois, foi justamente Ducasse quem a escolheu para integrar o projeto de um novo restaurante no Louvre.
A proposta também representa uma ponte entre suas duas referências gastronômicas. De um lado, estão as memórias de Poté, os pratos populares e os ingredientes brasileiros. Do outro, a técnica aprendida e desenvolvida ao longo de mais de duas décadas na França.
Essa mistura já aparece em criações como pão de queijo com caviar e pratos que combinam ingredientes brasileiros com técnicas da alta gastronomia francesa.
A trajetória ganhou ainda mais reconhecimento em 2024, quando Alessandra foi incluída na lista Mulheres de Sucesso da Forbes Brasil.
Alessandra Montagne Assina Seu 1º Restaurante no Brasil
E a história não parou no Louvre. A chef anunciou em 2026 seu primeiro restaurante no Brasil, no Nanö Beach Hotel, na Bahia. O projeto marca uma nova fase de sua carreira e reforça a ligação entre as referências brasileiras de sua infância e a experiência construída na França.
De uma menina criada pelos avós no interior de Minas a uma chef escolhida para cozinhar em um dos endereços culturais mais conhecidos do planeta, Alessandra transformou memórias de comida em uma carreira internacional. E levou o sabor brasileiro junto pelo caminho.
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Aos 35 anos, Ravi é um ex-MasterChef que lidera 12 restaurantes, vende 80 mil pratos por mês e conta com R$ 65 milhões de faturamento