Não é preciso exagerar nem forçar o consumo se a textura incomodar... (Crédito: Shutterstock)
Quem já descascou uma tangerina sabe: além dos gomos suculentos, sempre ficam aqueles “fios” brancos grudados na fruta.
Muita gente tira com cuidado, outros arrancam por achar amargo ou simplesmente feio. O que quase ninguém imagina é que essa parte concentra compostos interessantes do ponto de vista nutricional...
O que são, afinal, os fios da tangerina
Os “fios” brancos da tangerina fazem parte de um tecido vegetal chamado albedo e das estruturas que conduzem nutrientes dentro do fruto. Eles funcionam como uma espécie de rede de sustentação e transporte, ligando a casca aos gomos e ajudando a distribuir água, açúcares e compostos bioativos durante o desenvolvimento da fruta.
Do ponto de vista nutricional, essa região é muito diferente da polpa. Enquanto o gomo é rico em água, açúcares naturais e vitamina C, os fios concentram fibras solúveis, flavonoides e antioxidantes que aparecem em menor quantidade na parte suculenta.
Por que eles podem ser ainda mais benéficos que o gomo
A principal vantagem dos fios da tangerina está na densidade nutricional. Eles são especialmente ricos em fibras solúveis, como a pectina, que ajudam a retardar a absorção de açúcar no intestino, promovem maior sensação de saciedade e contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal.
Além disso, esses fios concentram flavonoides cítricos, compostos bioativos associados à ação antioxidante e anti-inflamatória. Essas substâncias ajudam a combater o estresse oxidativo no organismo, um processo ligado ao envelhecimento precoce e ao desenvolvimento de doenças crônicas.
Em termos práticos, isso significa que a parte menos valorizada da fruta pode oferecer proteção metabólica maior do que o próprio gomo.
Outro ponto importante é que, ao consumir os fios junto com a polpa, o impacto do açúcar natural da tangerina no sangue tende a ser mais gradual. Isso torna a fruta mais interessante do ponto de vista glicêmico, especialmente quando comparada ao consumo de sucos, onde a fibra praticamente desaparece.
Amargor não é defeito, é sinal de composto ativo
Muita gente associa o leve amargor dos fios a algo “ruim”, mas esse sabor é justamente um indicativo da presença de compostos bioativos. Em frutas cítricas, o amargo costuma estar ligado a substâncias com efeito antioxidante e protetor, semelhantes às encontradas na casca e na parte branca de outros cítricos, como laranja e limão.
Retirar completamente esses fios deixa a tangerina mais doce e fácil de comer, mas também mais pobre do ponto de vista funcional. É uma troca silenciosa que acontece no prato sem que a maioria das pessoas perceba.
Vale a pena mudar o hábito?
Não é preciso exagerar nem forçar o consumo se a textura incomodar, mas evitar retirar os fios sempre que possível já faz diferença. Comer a fruta de forma mais “inteira”, respeitando sua estrutura natural, aproxima o consumo do que ela realmente oferece em termos nutricionais.
Esse cuidado simples reforça uma lógica que vale para muitas frutas e vegetais: quanto mais processado ou “limpo” visualmente, menor tende a ser a quantidade de fibras e compostos protetores.
No caso da tangerina, os fios são um lembrete claro de que nem sempre o que parece dispensável é realmente inútil...
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