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Não coma salada pronta sem antes saber os riscos à saúde! Estudo aponta os perigos

Saladas de embalagem higienizadas, prontas para consumo, são uma boa opção para quem precisa economizar tempo, mas podem conter bactérias.

Saladas de pacote prontas para consumo são um risco à saúde, aponta estudo  (Foto Shutterstock)

As saladas prontas, aquelas vendidas em pacotes e já higienizadas, que são a salvação para quem tem uma rotina corrida e busca otimizar o tempo, podem não ser tão saudáveis quanto parecem. E isso não se refere ao importante valor nutricional das verduras que estão dentro das embalagens.

O motivo está relacionado às bactérias causadoras de doenças, aponta um recente estudo. Isso significa que a praticidade de comprar essas saladas no mercado para garantir uma alimentação nutritiva no dia a dia pode custar caro à saúde.

Pode ser que muita gente não esteja disposta a mudar os hábitos, mas é bom saber quais são os riscos que está correndo antes de comprar o próximo pacote de salada pré-higienizada. Para quem já tem o hábito de comprar verduras frescas e conservar da forma correta para consumo, essa não será uma preocupação.

Veja os perigos da salada de pacote para a saúde

Os vegetais de embalagens, considerados minimamente processados (VMPs) e vendidos como vegetais frescos higienizados, podem conter bactérias prejudiciais à saúde. O estudo, publicado na revista Foods, investigou a presença de microrganismos indicadores de falta de higiene ou causadores de doenças.

Foram descobertas a presença das bactérias Escherichia coli, considerado principal indicador de contaminação fecal, Salmonella spp. e Listeria monocytogenes.

Como garantir que uma salada é segura para consumo

Os VMPs são comercializados prontos para consumo, oferecendo maior praticidade nas refeições. Obviamente que por serem disponíveis cortados, higienizados e embalados em pacotes lacrados ao consumidor, o produto se torna mais caro se comparado ao produto in natura.

Os pesquisadores constataram, no entanto, a presença de microrganismos nesses vegetais vendidos pré-higienizados, ou seja, com risco de contaminação. Por serem ingeridos crus, a melhor forma de assegurar a eliminação de microrganismos responsáveis por causar doenças inclui o uso de sanitizantes, como o cloro na água de lavagem.

Portanto, segundo aponta o artigo, as indústrias produtoras precisam ter a responsabilidade de disponibilizar no mercado produtos com qualidade e segurança microbiológica já que essa é a proposta desse tipo de alimento "pronto para consumo".

A sugestão é implementar medidas de controle ao longo do processamento. "Embora lavar novamente o produto em casa possa ser considerado desnecessário, alguns consumidores podem optar por fazê-lo para reforçar a segurança", sugere Daniele Maffei, docente do Esalq-USP.

Salada vendida em embalagem pode causar infecção

As hortaliças higienizadas e vendidas em saquinho que prometem estar prontas para irem direto para o prato ou para a marmita sugerem a garantia de que o alimento está limpo. Mas não é bem o que acontece, embora a proposta seja um produto pronto para consumo.

Maffer aponta que os vegetais pré-higienizados são submetidos a etapas de processamento e seleção, corte, pré-lavagem, desinfecção, enxague: "Durante o processamento, nós temos várias etapas e, uma das principais que visa reduzir a carga microbiana presente, principalmente eliminar possíveis microrganismos causadores de doenças, é a desinfecção."

Mas no caso de ocorrerem falhas, a eficácia dessa etapa pode ser comprometida. "E a presença de microrganismos indesejados nos produtos, indica a pesquisadora. Dados de estudos nacionais e internacionais sobre a higienização de hortaliças já existente foram analisados e incluídos nas análises.

Maffer acrescenta que as pessoas que consomem os vegetais sem higienização podem sentir gastroenterite, e os sintomas são diarreia, vômitos, mal-estar. Outros problemas mais graves de doenças também podem afetar o organismo, indicando a necessidade de medidas de controle, reforçando a lavagem.

Saiba o tempo de armazenamento da salada de pacote

A vida útil ds VMPs podem variar de alguns dias a duas semanas, já que depende de vários fatores, entre eles o tipo e qualidade dos vegetais frescos, método de processamento, tipo de embalagem, condições de armazenamento e presença de microrganismos deteriorantes.

Quando o processamento é feito dentro das boas práticas de fabricação, o processamento mínimo reduz a perda de nutrientes e alterações indesejáveis na textura, cor, sabor e aroma dos vegetais, assim como a deterioração microbiana.

Uma grande variedade de vegetais pode ser processada, incluindo folhas verdes (por exemplo, rúcula, alface e espinafre), vegetais crucíferos (como brócolis e couve-flor), tubérculos (cenoura, beterraba etc.) e pepinos.

Como lavar verduras da forma correta

Como destacado pela pesquisadora, quem consome os vegetais sem higienização pode sentir gastroenterite e ter como sintomas diarreia, vômitos e mal-estar, e isso reforça a necessidade da lavagem. Para a realização de uma higienização segura, confira o passo a passo a seguir.

Primeira etapa: fazer uma lavagem em água corrente, com água potável, para retirar a sujeira visível. No caso de legumes e de algumas frutas, é possível utilizar uma escova para auxiliar na remoção da sujeira, considerando que a escova seja utilizada unicamente para a finalidade.

Segunda etapa: preparar a solução de desinfecção com produtos comerciais à base de cloro ou com água sanitária. Atenção: É necessário que no rótulo da água sanitária conste a informação que pode ser utilizada para desinfecção de vegetais. O recomendado é uma colher de sopa de água sanitária para cada um litro de água potável, deixando as hortaliças de molho por aproximadamente 15 minutos.

Terceira etapa: na última etapa, basta enxaguar e secar os vegetais.

Como conservar os vegetais (truque para prolongar a vida útil)

A pesquisadora orienta os consumidores a adquirir vegetais in natura, higienizá-los e armazená-los para o consumo ao longo da semana: "Para isso, é importante a escolha de produtos de qualidade (sem injúrias, como manchas e partes amolecidas)."

Em casa, os alimentos devem ser lavados em água corrente e colocados de molho por 15 min em recipiente contendo solução clorada, como destacado anteriormente, e enxaguados em água corrente para a remoção dos resíduos do sanitizantes.

Na sequência, ela ressalta a importância de retirar o excesso de água e esse truque ajuda a prolongar a vida útil do vegetal. "Isso pode ser feito utilizando centrífugas/seca salada (para as folhosas) ou papel toalha (para os legumes). E devem ser mantidos em recipientes limpos e fechados na geladeira", explica a nutricionista e doutora em Ciências dos Alimentos.

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