Consumidores de queijo também apresentavam outros hábitos considerados mais saudáveis (Crédito: Shutterstock)
O envelhecimento da população mundial avança em ritmo acelerado e, com ele, cresce também a incidência de demência. Diante da ausência de cura definitiva, a ciência tem voltado cada vez mais atenção para fatores modificáveis, como alimentação, atividade física e controle de doenças crônicas.
Nesse contexto, uma nova análise científica realizada no Japão trouxe um dado curioso: o consumo regular de queijo pode estar associado a um menor risco de desenvolver demência em idosos.
O resultado não aponta para um “alimento milagroso”, mas levanta hipóteses relevantes sobre como hábitos simples podem influenciar a saúde cerebral ao longo do tempo.
O que mostrou a pesquisa com idosos japoneses
O estudo acompanhou quase oito mil pessoas com 65 anos ou mais, todas vivendo em comunidade e sem diagnóstico prévio de demência no início da pesquisa. Os participantes foram divididos basicamente em dois grupos: aqueles que consumiam queijo pelo menos uma vez por semana e aqueles que não consumiam o alimento.
Ao longo de três anos de acompanhamento, os pesquisadores analisaram o surgimento de casos de demência com base em registros administrativos de cuidados de longa duração, amplamente utilizados no Japão como indicador de dependência associada ao declínio cognitivo.
Os números chamaram atenção:
- Entre os consumidores regulares de queijo, cerca de 3,4% desenvolveram demência no período observado
- Já entre os que não consumiam o alimento, a taxa foi de aproximadamente 4,5%. Em termos relativos, isso representa uma redução de risco próxima de 24%.
Após ajustes estatísticos para outros fatores de estilo de vida, a diferença diminuiu ligeiramente, mas permaneceu significativa.
Por que o queijo poderia ter impacto na saúde cerebral?
Embora o estudo não tenha investigado diretamente os mecanismos biológicos envolvidos, os pesquisadores discutem possíveis explicações com base na composição nutricional do queijo, especialmente nas versões fermentadas.
Entre os nutrientes de interesse está a vitamina K2, presente em alguns queijos. Ela desempenha papel importante na saúde vascular e na regulação do metabolismo do cálcio. Como problemas vasculares, como hipertensão e aterosclerose, estão associados ao aumento do risco de demência, um melhor controle da saúde dos vasos sanguíneos poderia indiretamente proteger o cérebro.
Além disso, o queijo é fonte de proteínas de alta qualidade e aminoácidos essenciais, importantes para a manutenção das funções neuronais. Durante o processo de fermentação, alguns peptídeos bioativos podem ser formados, com potencial efeito anti-inflamatório e antioxidante.
Outro ponto levantado é o possível papel do microbioma intestinal. Queijos fermentados podem conter microrganismos capazes de influenciar o eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação cada vez mais estudada. Desequilíbrios na microbiota têm sido associados a condições como Alzheimer e outras formas de demência.
Queijo ou padrão alimentar mais saudável?
Um aspecto importante da análise é que os consumidores de queijo também apresentavam outros hábitos considerados mais saudáveis. Eles tendiam a ingerir mais frutas, vegetais, carne ou peixe e, em geral, tinham melhor funcionalidade nas atividades do dia a dia.
Quando os pesquisadores ajustaram os resultados para essas variáveis, o efeito protetor do queijo diminuiu ligeiramente, mas não desapareceu. Isso sugere que o alimento pode ter um papel específico, mas também reforça a ideia de que ele provavelmente faz parte de um padrão alimentar mais equilibrado.
Limitações e cautelas antes de mudar a dieta
Apesar dos resultados promissores, os próprios autores reconhecem limitações importantes. O consumo de queijo foi avaliado apenas no início do estudo, sem detalhamento preciso das quantidades ingeridas ou mudanças ao longo do tempo. Também não houve diagnóstico clínico detalhado de todos os casos de demência, já que a identificação se baseou em registros administrativos.
Outro fator não considerado foi a genética, especialmente variantes como o gene APOE ε4, conhecido por aumentar o risco de Alzheimer. Sem essa informação, não é possível afirmar se o possível efeito do queijo se aplica igualmente a todos os perfis genéticos.
Além disso, o Japão tem consumo médio anual de queijo relativamente baixo em comparação com países europeus. Pequenas variações na ingestão podem ter impacto diferente em populações que tradicionalmente consomem menos laticínios.
O que isso significa para a saúde pública
Em um cenário de envelhecimento acelerado e aumento global de casos de demência, identificar estratégias acessíveis de prevenção é uma prioridade. O estudo sugere que hábitos alimentares simples, como incluir queijo moderadamente na dieta, podem fazer parte de um conjunto de fatores que contribuem para a saúde cognitiva.
Isso não significa que o queijo, isoladamente, previne demência. Mas reforça a importância de padrões alimentares equilibrados, ricos em nutrientes e associados a bons hábitos de vida.
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