Veja o alerta de especialistas sobre essa prática que circula na internet (Créditos: Shutterstock)
Nas redes sociais, novas tendências surgem o tempo todo, mas algumas práticas que viralizam prometendo benefícios podem, na verdade, representar sérios riscos à saúde.
Esse é o caso do chamado “café dos campeões”, uma mistura de bebidas energéticas com medicamentos controlados que promete aumentar a energia, a concentração e o rendimento no trabalho e nas atividades do dia a dia.
A prática acendeu o alerta das autoridades de saúde, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chegou a publicar um comunicado reforçando que medicamentos não devem ser utilizados de forma recreativa.
Para o farmacêutico Jamar Tejada, a popularização dessa prática revela uma preocupação que vai além de uma receita que viralizou nas redes sociais. O uso de medicamentos para tentar aumentar a disposição e dar conta de uma rotina cada vez mais cansativa mostra como algumas pessoas têm buscado soluções rápidas para lidar com o excesso de demandas.
Quais são os riscos de consumir bebida energética com medicamentos?
O farmacêutico Jamar Tejada, formado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), no Rio Grande do Sul, explica que o fato de uma pessoa já ter feito essa combinação sem apresentar uma reação imediata não significa que ela seja segura. Segundo ele, a prática envolve riscos que não devem ser ignorados.
“Medicamento não é energético e não deve ser utilizado como um recurso para produzir mais, estudar por mais horas ou conseguir vencer o cansaço. Quando uma pessoa utiliza um medicamento controlado sem indicação e ainda o associa a substâncias estimulantes, ela está fazendo uma combinação cujos efeitos podem ser imprevisíveis”, explica Jamar.
De acordo com a Anvisa, a combinação de determinados medicamentos com substâncias presentes em energéticos, como cafeína e taurina, pode provocar taquicardia e aumento da pressão arterial. Em alguns casos, essas reações podem ter consequências graves, inclusive entre pessoas jovens e sem histórico conhecido de problemas cardíacos.
O problema da busca constante por disposição
Segundo o farmacêutico, a busca por estimulantes para driblar o cansaço também pode esconder um problema que precisa ser investigado. Para Jamar, sentir cansaço depois de um dia intenso é esperado, mas a situação merece atenção quando a exaustão persiste, interfere na rotina ou faz com que a pessoa dependa de alguma substância para trabalhar, estudar ou até realizar tarefas básicas.
“Se você precisa constantemente de alguma substância para conseguir começar o dia, manter a concentração ou permanecer acordado, talvez a pergunta não deva ser ‘o que eu posso tomar para ter mais energia?’, mas ‘por que eu estou tão cansado?’. Mascarar o sintoma pode atrasar a investigação da causa”, afirma Jamar.
Por isso, antes de recorrer a estimulantes, é importante observar os hábitos da rotina. Sono adequado, alimentação equilibrada, hidratação, prática regular de atividade física e períodos de descanso e lazer estão entre as medidas apontadas pela Anvisa para melhorar a disposição de maneira saudável.
O farmacêutico reforça também que pessoas que já utilizam medicamentos controlados com prescrição não devem alterar as doses, interromper o tratamento ou associá-los a energéticos por conta própria.
“Precisamos tomar cuidado com essa cultura de buscar uma substância para cada necessidade: uma para acordar, outra para produzir, outra para treinar e mais uma para dormir. O organismo não pode ser acelerado indefinidamente. Cansaço não é falta de medicamento. Às vezes, é um sinal de que alguma coisa precisa ser investigada ou modificada na rotina”, finaliza.
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