“Café dos campeões”: especialistas alertam para os riscos de misturar bebida energética com medicamentos controlados
Adicione o TudoGostoso às suas fontes favoritas Nos siga no Google
Stephany MarianoPor  Stephany Mariano  | Redatora

Como uma verdadeira taurina, Stephany sempre foi apaixonada por comida. No tempo livre, gosta de assistir um k-drama bem clichê, viajar, experimentar novos sabores e fotografar tudo o que encontra por aí.

Farmacêutico fala sobre os riscos da prática que está circulando nas redes sociais

“Café dos campeões”: especialistas alertam para os riscos de misturar bebida energética com medicamentos controlados

Veja o alerta de especialistas sobre essa prática que circula na internet (Créditos: Shutterstock)

Nas redes sociais, novas tendências surgem o tempo todo, mas algumas práticas que viralizam prometendo benefícios podem, na verdade, representar sérios riscos à saúde. 

Esse é o caso do chamado “café dos campeões”, uma mistura de bebidas energéticas com medicamentos controlados que promete aumentar a energia, a concentração e o rendimento no trabalho e nas atividades do dia a dia.

A prática acendeu o alerta das autoridades de saúde, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chegou a publicar um comunicado reforçando que medicamentos não devem ser utilizados de forma recreativa.

Para o farmacêutico Jamar Tejada, a popularização dessa prática revela uma preocupação que vai além de uma receita que viralizou nas redes sociais. O uso de medicamentos para tentar aumentar a disposição e dar conta de uma rotina cada vez mais cansativa mostra como algumas pessoas têm buscado soluções rápidas para lidar com o excesso de demandas.

Quais são os riscos de consumir bebida energética com medicamentos?

Combinação promete fornece energia para seguir com as tarefas do dia, mas pode ser muito perigosa (Créditos: Magnific)

Combinação promete fornece energia para seguir com as tarefas do dia, mas pode ser muito perigosa (Créditos: Magnific)

O farmacêutico Jamar Tejada, formado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), no Rio Grande do Sul, explica que o fato de uma pessoa já ter feito essa combinação sem apresentar uma reação imediata não significa que ela seja segura. Segundo ele, a prática envolve riscos que não devem ser ignorados.

“Medicamento não é energético e não deve ser utilizado como um recurso para produzir mais, estudar por mais horas ou conseguir vencer o cansaço. Quando uma pessoa utiliza um medicamento controlado sem indicação e ainda o associa a substâncias estimulantes, ela está fazendo uma combinação cujos efeitos podem ser imprevisíveis”, explica Jamar.

De acordo com a Anvisa, a combinação de determinados medicamentos com substâncias presentes em energéticos, como cafeína e taurina, pode provocar taquicardia e aumento da pressão arterial. Em alguns casos, essas reações podem ter consequências graves, inclusive entre pessoas jovens e sem histórico conhecido de problemas cardíacos. 

O problema da busca constante por disposição

Segundo o farmacêutico, a busca por estimulantes para driblar o cansaço também pode esconder um problema que precisa ser investigado. Para Jamar, sentir cansaço depois de um dia intenso é esperado, mas a situação merece atenção quando a exaustão persiste, interfere na rotina ou faz com que a pessoa dependa de alguma substância para trabalhar, estudar ou até realizar tarefas básicas.

“Se você precisa constantemente de alguma substância para conseguir começar o dia, manter a concentração ou permanecer acordado, talvez a pergunta não deva ser ‘o que eu posso tomar para ter mais energia?’, mas ‘por que eu estou tão cansado?’. Mascarar o sintoma pode atrasar a investigação da causa”, afirma Jamar. 

Por isso, antes de recorrer a estimulantes, é importante observar os hábitos da rotina. Sono adequado, alimentação equilibrada, hidratação, prática regular de atividade física e períodos de descanso e lazer estão entre as medidas apontadas pela Anvisa para melhorar a disposição de maneira saudável.

O farmacêutico reforça também que pessoas que já utilizam medicamentos controlados com prescrição não devem alterar as doses, interromper o tratamento ou associá-los a energéticos por conta própria.

“Precisamos tomar cuidado com essa cultura de buscar uma substância para cada necessidade: uma para acordar, outra para produzir, outra para treinar e mais uma para dormir. O organismo não pode ser acelerado indefinidamente. Cansaço não é falta de medicamento. Às vezes, é um sinal de que alguma coisa precisa ser investigada ou modificada na rotina”, finaliza.

Veja mais:

Anvisa proíbe duas marcas de suplementos alimentares no Brasil e determina que os produtos não sejam mais vendidos ou utilizados

Temas relacionados