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Não somos reféns da genética: "Apenas 1% das doenças são hereditárias, o resto é influenciado pela forma que vivemos", garante especialista referência na área
Clarice MunizPor  Clarice Muniz  | Redatora

Sou jornalista e assessora de imprensa especializada em conteúdos de saúde e bem-estar. Adepta da comida de verdade, costumo preparar as minhas refeições diariamente, seguindo as recomendações de cuidados e saúde de especialistas. Sou fã de pimenta. Se você não curte comida picante, não se arrisque em tirar uma provinha da minha panela.

Geneticista molecular lista os caminhos para uma longevidade com qualidade e afirma que é possível influenciar os genes e se reinventar após os 60

Não somos reféns da genética: "Apenas 1% das doenças são hereditárias, o resto é influenciado pela forma que vivemos", garante especialista referência na área

'A maioria das doenças está relacionada às interações do nosso corpo com o mundo a nossa volta', diz especialista (Foto: Shutterstock)

A culpa não é da "genética". Quantas vezes, ao reclamar de um determinado incômodo no corpo ou algum problema de saúde, não creditamos a responsabilidade aos genes? Mas não é bem assim.

Compreender o DNA pode ajudar bastante na detecção de riscos de problemas de saúde, no entanto, não se limita a isso. Segundo o geneticista molecular Mariano Zalis, os genes "não são donos do nosso destino".

"Podemos influenciar nossos genes e nos reinventar, mesmo depois dos 60 anos", explica o chefe do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da UFRJ ao O Globo.

Saiba de que forma você pode se reinventar e mudar essa mentalidade para ter uma maior - e melhor! - longevidade

O estilo de vida, incluindo uma dieta saudável, pode reduzir a idade biológica

Alguns estudos vêm mostrando que uma alimentação baseada em vegetais, por exemplo, pode reduzir a idade biológica das pessoas. Isso significa que o estilo de vida é capaz de influenciar a regulação genética.

"Genes não se controlam por si próprios. Quem controla é o meio ambiente, isto é, a forma como vivemos, tudo o que está a nossa volta, os acontecimentos ao longo de nossa vida, nossos hábitos", afirma o especialista.

Segundo ele, apenas cerca de 1% das doenças são hereditárias: "A maioria das doenças está relacionada às interações do nosso corpo com o mundo a nossa volta."

Dentre os exemplos citados, o estresse de qualquer tipo, uma alimentação ruim e maus hábitos são fatores de doença.

"Hoje vemos pessoas jovens com tipos de câncer que antes só surgiam após a meia-idade. O fumo e a má alimentação têm um peso negativo imenso sobre a regulação dos genes. Já o exercício promove grande impacto positivo", afirma.

A forma como envelhecemos está ligada ao metabolismo 

Muitas doenças e até o envelhecimento têm sido associados a fatores epigenéticos. O metabolismo influencia na forma como se envelhece, há uma ligação no funcionamento dos órgãos e regulação do peso.

"Os centenários sempre existiram na história da Humanidade e existem pessoas que têm uma espécie de blindagem genética. Hoje vivemos mais, mas não é porque haja mais gente com blindagem genética, estes continuam a ser poucos", ressalta Zallis.

A diferença, lista ele, está nas mudanças ambientais, no maior acesso a alimentos de qualidade, à água potável e aos avanços da medicina, como antibióticos e vacinas.

"Não existe um gene do envelhecimento ou da longevidade. O ambiente é fundamental. Nossos cerca de 25 mil genes são modulados por uma série de fatores influenciados pela forma como vivemos", alerta o especialista.

E não adianta se iludir com alguns artifícios: "Nosso corpo não pode ser enganado. Não adianta encher o rosto de botox e outros procedimentos, se o corpo está ruim por dentro. A pessoa continuará a envelhecer depressa."

Esses são os fatores para modular os genes e garantir maior longevidade

A resposta para modular os genes na busca por uma maior longevidade não é um mistério: "A ladainha da boa alimentação e dos exercícios é verdadeira, necessária. O estresse é um fator ainda mais difícil de controlar porque não é voluntário."

Por este motivo, ele alerta que a busca por terapia, ioga e meditação, por exemplo, ajudam na tentativa de ter uma vida mais positiva.

"Podemos influenciar nossos genes e nos reinventar, mesmo depois dos 60 anos. Há esperança mesmo para quem acha que 'já passou da idade'. É possível viver mais e com qualidade. Nossa vida é finita, mas pode ser melhor", reforça o geneticista.

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