'A maioria das doenças está relacionada às interações do nosso corpo com o mundo a nossa volta', diz especialista (Foto: Shutterstock)
A culpa não é da "genética". Quantas vezes, ao reclamar de um determinado incômodo no corpo ou algum problema de saúde, não creditamos a responsabilidade aos genes? Mas não é bem assim.
Compreender o DNA pode ajudar bastante na detecção de riscos de problemas de saúde, no entanto, não se limita a isso. Segundo o geneticista molecular Mariano Zalis, os genes "não são donos do nosso destino".
"Podemos influenciar nossos genes e nos reinventar, mesmo depois dos 60 anos", explica o chefe do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da UFRJ ao O Globo.
Saiba de que forma você pode se reinventar e mudar essa mentalidade para ter uma maior - e melhor! - longevidade.
O estilo de vida, incluindo uma dieta saudável, pode reduzir a idade biológica
Alguns estudos vêm mostrando que uma alimentação baseada em vegetais, por exemplo, pode reduzir a idade biológica das pessoas. Isso significa que o estilo de vida é capaz de influenciar a regulação genética.
"Genes não se controlam por si próprios. Quem controla é o meio ambiente, isto é, a forma como vivemos, tudo o que está a nossa volta, os acontecimentos ao longo de nossa vida, nossos hábitos", afirma o especialista.
Segundo ele, apenas cerca de 1% das doenças são hereditárias: "A maioria das doenças está relacionada às interações do nosso corpo com o mundo a nossa volta."
Dentre os exemplos citados, o estresse de qualquer tipo, uma alimentação ruim e maus hábitos são fatores de doença.
"Hoje vemos pessoas jovens com tipos de câncer que antes só surgiam após a meia-idade. O fumo e a má alimentação têm um peso negativo imenso sobre a regulação dos genes. Já o exercício promove grande impacto positivo", afirma.
A forma como envelhecemos está ligada ao metabolismo
Muitas doenças e até o envelhecimento têm sido associados a fatores epigenéticos. O metabolismo influencia na forma como se envelhece, há uma ligação no funcionamento dos órgãos e regulação do peso.
"Os centenários sempre existiram na história da Humanidade e existem pessoas que têm uma espécie de blindagem genética. Hoje vivemos mais, mas não é porque haja mais gente com blindagem genética, estes continuam a ser poucos", ressalta Zallis.
A diferença, lista ele, está nas mudanças ambientais, no maior acesso a alimentos de qualidade, à água potável e aos avanços da medicina, como antibióticos e vacinas.
"Não existe um gene do envelhecimento ou da longevidade. O ambiente é fundamental. Nossos cerca de 25 mil genes são modulados por uma série de fatores influenciados pela forma como vivemos", alerta o especialista.
E não adianta se iludir com alguns artifícios: "Nosso corpo não pode ser enganado. Não adianta encher o rosto de botox e outros procedimentos, se o corpo está ruim por dentro. A pessoa continuará a envelhecer depressa."
Esses são os fatores para modular os genes e garantir maior longevidade
A resposta para modular os genes na busca por uma maior longevidade não é um mistério: "A ladainha da boa alimentação e dos exercícios é verdadeira, necessária. O estresse é um fator ainda mais difícil de controlar porque não é voluntário."
Por este motivo, ele alerta que a busca por terapia, ioga e meditação, por exemplo, ajudam na tentativa de ter uma vida mais positiva.
"Podemos influenciar nossos genes e nos reinventar, mesmo depois dos 60 anos. Há esperança mesmo para quem acha que 'já passou da idade'. É possível viver mais e com qualidade. Nossa vida é finita, mas pode ser melhor", reforça o geneticista.
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