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Não é apenas o sal: qual é o outro inimigo silencioso que afeta a pressão arterial?
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Não é preciso eliminar totalmente o açúcar ou o sal, mas entender que o equilíbrio é o que protege o coração

Não é apenas o sal: qual é o outro inimigo silencioso que afeta a pressão arterial?

O verdadeiro desafio está em se livrar dos excessos escondidos... (Crédito: Shutterstock)

Durante muito tempo, o sal foi considerado o principal vilão da pressão alta. E com razão: o consumo exagerado de sódio está diretamente relacionado ao aumento da retenção de líquidos e à sobrecarga sobre os vasos sanguíneos.

Mas, segundo estudos recentes, há um outro culpado que muita gente ignora. Trata-se do açúcar adicionado, presente em alimentos ultraprocessados, bebidas industrializadas e até em produtos que parecem “inofensivos”, como molhos prontos e cereais matinais.

O açúcar pode elevar a pressão tanto quanto o sal

O açúcar tem uma função metabólica essencial, mas quando consumido em excesso, especialmente o refinado e o adicionado a bebidas e produtos industrializados, ele passa a atuar como um inimigo silencioso.

Quanto maior a ingestão de açúcar adicionado, maior o risco de doenças cardiovasculares. Isso porque o fígado metaboliza o açúcar de forma parecida com o álcool, transformando o excesso em gordura.

Esse processo leva ao acúmulo de lipídios, resistência à insulina, obesidade e inflamação sistêmica, condições que, somadas, aumentam a pressão arterial e o risco de infarto e AVC.

Além disso, o excesso de açúcar estimula a liberação de insulina, o que faz com que os rins retenham mais sódio e água, elevando ainda mais a pressão. Ou seja, o açúcar potencializa os efeitos negativos do sal, tornando a combinação ainda mais perigosa para o coração.

Quanto açúcar é considerado seguro

O limite diário de açúcar adicionado não deve ultrapassar 24 gramas (seis colheres de chá) para mulheres e 36 gramas (nove colheres de chá) para homens. No entanto, uma única lata de refrigerante comum pode ultrapassar essa recomendação facilmente.

Pessoas que obtêm entre 17% e 21% de suas calorias diárias a partir do açúcar adicionado têm 38% mais risco de morrer por doenças cardiovasculares do que aquelas que consomem menos de 8%.

Isso significa que até mesmo uma dieta aparentemente “moderada” pode ser suficiente para causar prejuízos à pressão e ao sistema circulatório.

Estratégias práticas para reduzir o açúcar escondido

Identificar o açúcar nos rótulos nem sempre é simples. Ele pode aparecer com vários nomes: sacarose, glicose, xarope de milho, maltose, dextrose e até “melado” ou “açúcar mascavo”. Para reduzir o consumo, vale adotar algumas estratégias: 

  • Prefira carboidratos complexos, como grãos integrais, frutas e legumes, que liberam energia de forma mais lenta e equilibrada
  • Evite bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos industrializados e chás prontos — grandes fontes de açúcares ocultos
  • Leia os rótulos com atenção e desconfie de produtos que trazem açúcar entre os três primeiros ingredientes da lista
  • Cozinhe mais em casa, substituindo molhos prontos e sobremesas industrializadas por versões caseiras com controle real de açúcar.

Esses pequenos ajustes ajudam a reduzir a ingestão de açúcar adicionado sem eliminar o prazer de comer bem.

O sal continua sendo um risco — mas o açúcar agrava o problema

O sódio é necessário para o funcionamento do corpo, mas seu excesso aumenta o volume de sangue e, consequentemente, a pressão arterial. A recomendação diária é de até 2.300 mg de sódio (cerca de uma colher de chá de sal), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O problema é que a maior parte desse sal não vem da cozinha, e sim de produtos prontos: embutidos, pães, enlatados, sopas instantâneas e refeições de restaurante. Quando o alto teor de sódio é combinado com muito açúcar, os efeitos sobre o coração e os rins se multiplicam.

O açúcar aumenta a produção de insulina, e ela, por sua vez, faz o corpo reter ainda mais sódio, uma combinação explosiva para quem já tem tendência à hipertensão...

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