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Mistério nas ilhas Galápagos: tomates estão passando por uma espécie de "evolução reversa"
Jéssica AntunesPor  Jéssica Antunes  | Redatora

Jornalista apaixonada pelo universo gastronômico. Aprendi a cozinhar de verdade (com panela de pressão e tudo) depois de sair da casa dos meus pais para estudar. Desde então, amo experimentar sabores, conhecer novas culinárias e me arriscar em receitas diferentes.

Cientistas identificam um fenômeno raro e surpreendente: tomates selvagens que readquirem defesas químicas ancestrais

Mistério nas ilhas Galápagos: tomates estão passando por uma espécie de "evolução reversa"

Espécie selvagem de tomate nas Galápagos recuperou compostos tóxicos extintos há milhões de anos (Foto: Shutterstock)

Em um dos ambientes mais extremos e isolados do planeta, pesquisadores registraram um fenômeno evolutivo inusitado. Nas Ilhas Galápagos, duas espécies de tomateiros selvagens estão readquirindo características que haviam desaparecido há milhões de anos. Em vez de avançarem para formas mais modernas, essas plantas parecem estar olhando para o passado e reativando um escudo molecular ancestral — um caso raro de "evolução reversa".

O estudo, publicado na revista Nature Communications, envolveu cientistas da Universidade da Califórnia, em Riverside, e do Instituto Weizmann, em Israel. A descoberta muda o que se sabia sobre a evolução de plantas e levanta questões importantes sobre adaptação, genética e o papel do ambiente em moldar a vida.

O que a ciência descobriu

Pesquisadores identificaram que duas espécies de tomateiro selvagem — Solanum cheesmaniae e Solanum galapagense — localizadas nas ilhas mais jovens das Galápagos, como Fernandina e Isabela, estão sintetizando alcaloides antigos. Esses compostos tóxicos, com estrutura semelhante aos encontrados em berinjelas, haviam desaparecido nos tomates modernos.

A explicação está em quatro pequenas mudanças na cadeia de aminoácidos de uma enzima essencial. Essa alteração permitiu que o maquinário bioquímico ancestral fosse reativado, transformando os tomates em verdadeiras "máquinas do tempo genéticas". Em testes de laboratório, os cientistas conseguiram reproduzir o processo em plantas de tabaco, comprovando o retorno funcional à rota bioquímica original.

O que isso significa para a evolução?

A chamada "evolução reversa" é um conceito raro e controverso na biologia. Acreditava-se que uma vez perdida, uma função genética dificilmente poderia ser recuperada pela mesma via. Mas esse estudo quebra paradigmas ao mostrar que o DNA ainda carrega memórias funcionais que podem ser reativadas sob pressão ambiental.

As condições severas das ilhas mais jovens, com clima extremo e atividade vulcânica, parecem exercer uma pressão seletiva que favorece o retorno dessas defesas pré-históricas. Já nas ilhas mais antigas e estáveis, os tomates mantêm as características modernas.

As implicações futuras

A descoberta abre possibilidades para a engenharia genética e o melhoramento de culturas. Se é possível recuperar defesas antigas com alterações simples, talvez seja viável criar alimentos mais resistentes e seguros. Mas os cientistas alertam: é preciso primeiro entender como a natureza faz isso sozinha.

Esse caso também reforça que a evolução não segue uma linha reta. Ela pode regredir, adaptar-se de formas imprevisíveis e reutilizar soluções do passado. Em um planeta em constante transformação, essa flexibilidade pode ser uma chave para a sobrevivência de diversas espécies.

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