Uma possível volta do horário de verão está sendo discutida pelo Governo Federal. (créditos: Shutterstock)
Após 5 anos sem horário de verão no Brasil, o Governo Federal estuda retornar com o esquema para o verão de 2024/2025. O principal objetivo é aproveitar melhor a luz natural do dia, reduzindo a necessidade de iluminação artificial à noite e, assim, economizar mais energia. Se por um lado muitas pessoas estão torcendo para a volta do horário de verão, há quem não aprove muito essa ideia. Entre o grupo contra, estão 26 cientistas da área de cronobiologia. Os profissionais até assinaram um manifesto contra a medida alegando que a mudança pode resultar em diversos problemas de saúde. Mas como isso é possível? Descubra a seguir.
Cientistas argumentam que o horário de verão altera os ritmos biológicos humanos
O manifesto contra o horário de verão foi produzido e assinado por cientistas especializados em cronobiologia - ciência que estuda os ritmos biológicos e como eles influenciam os organismos vivos. Segundo os pesquisadores, os indivíduos estão profundamente conectados ao ciclo natural de luz e escuridão que, por sua vez, regula de forma automática funções essenciais como sono, apetite e até mesmo o humor.
Ao adiantar o relógio em uma hora, o organismo precisa se ajustar a esse novo horário, o que pode tornar a sincronização dos ritmos biológicos confusa. Em resumo, as mudanças no horário podem desregular funções relacionadas principalmente ao sono, afetando a saúde mental e física das pessoas. Estudos também indicam que essas alterações repentinas podem levar a um aumento no número de problemas como estresse, ansiedade, transtornos mentais e cognitivos.
“Esse processo de adaptação nem sempre é fácil. Enquanto algumas pessoas conseguem se ajustar, outras permanecem fora de sintonia, o que pode gerar sérios problemas de saúde", diz trecho do documento assinado por pesquisadores de diferentes instituições, incluindo Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de São Paulo (USP).
Como o seu relógio biológico regula horários de comer e dormir
Você já percebeu que costuma sentir fome sempre nos mesmos horários todos os dias? O principal responsável por isso é o seu relógio biológico. Também conhecido como ritmo circadiano, esse relógio determina como seu corpo reage à passagem de um dia para o outro. Esse sistema é coordenado por mais de 20 mil neurônios e sua função é regular as mudanças físicas, mentais e comportamentais que o organismo passa ao longo de cada ciclo de 24 horas em resposta a sinais ambientais como luz e escuridão.
Uma das principais funções do relógio biológico é regular o sono e o apetite. Para isso, ele precisa trabalhar junto com o seu sistema endócrino e apoiado com os ciclos de luz e escuridão ambientais. Por exemplo, a melatonina, um hormônio que ajuda a regular o sono, é liberada em resposta à escuridão.
O ritmo circadiano também ajuda a regular o seu apetite. Quando os níveis de leptina - hormônio que controla a fome - flutuam ao longo do dia, a tendência é que a gente fique com mais vontade de comer. deixam com mais fome e levar ao ganho de peso. Aliás, o sono irregular também desestabiliza a leptina. Por isso, quem dorme mal tem mais propensão ao ganho de peso.
Quando o ritmo circadiano é desalinhado por sinais externos, como ocorre no horário de verão, o nosso organismo fica suscetível a uma série de distúrbios físicos e mentais, incluindo obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Portanto, manter o relógio biológico regulado é fundamental para a saúde e bem-estar.
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