Cientistas brasileiros desenvolvem batata-doce que produz até 4 vezes mais e tem alto teor de vitamina A
JoannaPor  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

A batata-doce IAC Dom Pedro II pode alcançar produtividade de até 80 toneladas por hectare.

Cientistas brasileiros desenvolvem batata-doce que produz até 4 vezes mais e tem alto teor de vitamina A

O alimento foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). (créditos: Shutterstock)

A batata-doce é um alimento que faz parte da alimentação de muitos brasileiros. Nos próximos anos, ela pode ganhar ainda mais espaço graças a uma novidade desenvolvida por pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC). A nova cultivar, batizada de IAC Dom Pedro II, é uma variedade com alta produtividade e um teor elevado de betacaroteno, composto que o organismo transforma em vitamina A.

Nos testes realizados pelo instituto, a variedade chegou a produzir mais de 60 toneladas por hectare. O resultado representa um rendimento de até quatro vezes superior à média registrada nas lavouras paulistas. Além da quantidade, a qualidade também chama atenção. A polpa alaranjada concentra muito mais betacaroteno do que as variedades tradicionais.

Nova variedade levou mais de 10 anos de pesquisa 

A IAC Dom Pedro II começou a ser desenvolvida em 2016, a partir de cruzamentos realizados por pesquisadores do Instituto Agronômico. O nome é uma homenagem ao imperador Dom Pedro II, responsável pela fundação da instituição.

Segundo o pesquisador de raízes e tubérculos do IAC, Valdemir Antonio Peressin, a cultivar já foi registrada no Ministério da Agricultura e agora passa pelo processo de proteção, etapa necessária antes da comercialização das mudas mediante cobrança de royalties.

Batata-doce chama atenção pela alta produtividade e valor nutricional

Enquanto a maior parte das batatas-doces comerciais possui menos de 1 micrograma de betacaroteno por grama de polpa fresca, a IAC Dom Pedro II apresenta cerca de 77 microgramas por grama. Por esse motivo, ela é considerada uma cultivar biofortificada.

No organismo, o betacaroteno é convertido em vitamina A, nutriente essencial para a saúde dos olhos, da pele e do sistema imunológico. De acordo com os pesquisadores, o consumo de apenas 30 a 60 gramas da nova batata-doce já é suficiente para atender à necessidade diária dessa vitamina em um adulto.

Polpa alaranjada indica alta concentração de betacaroteno, antioxidante que vira vitamina A. (créditos: Shutterstock)

Polpa alaranjada indica alta concentração de betacaroteno, antioxidante que vira vitamina A. (créditos: Shutterstock)

Produção surpreendeu até os pesquisadores

Os experimentos foram realizados em Piracicaba, Campinas e Mococa. Em todas as áreas, a nova variedade apresentou produtividade superior a 60 toneladas por hectare.

Para efeito de comparação, a média da produção paulista é de aproximadamente 16 toneladas por hectare. Mesmo os produtores mais tecnificados da região de Presidente Prudente, principal polo produtor do estado, costumam alcançar cerca de 25 toneladas por hectare.

Outro diferencial está no tamanho das raízes e na polpa alaranjada, característica bastante valorizada pelo mercado europeu.

Ainda falta conquistar o paladar dos brasileiros

Apesar dos resultados promissores, a IAC Dom Pedro II ainda enfrenta o desafio de conquistar o consumidor brasileiro.

Segundo Peressin, grande parte da população ainda prefere batatas-doces de polpa branca. Ele acredita, porém, que esse hábito pode mudar com o tempo, assim como aconteceu com a mandioca, cuja versão de polpa amarela passou a ganhar preferência entre os consumidores. Antes, o brasileiro só comia mandioca de polpa branca. Hoje, a amarela é a preferida.”, diz o pesquisador.

Enquanto isso, a nova cultivar já está sendo plantada de forma experimental em propriedades das regiões de Presidente Prudente e Ribeirão Preto, além do Centro de Produção e Transferência de Tecnologia Agropecuária, em São José do Rio Preto.

Quando o processo de proteção da cultivar for concluído, viveiros parceiros do Instituto Agronômico deverão iniciar a venda das mudas, permitindo que a "super batata-doce" chegue gradualmente às lavouras brasileiras.

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