Biólogo molecular revela se é melhor comer maçãs com ou sem casca: "Você sabe o que tem dentro da casca?"
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Adriana DouglasPor  Adriana Douglas

Especialista explica os benefícios da parte externa da fruta e por que algumas pessoas podem ter desconforto mesmo após descascá-la

Biólogo molecular revela se é melhor comer maçãs com ou sem casca: "Você sabe o que tem dentro da casca?"

As maçãs são práticas e nutritivas, funcionando bem em qualquer hora do dia (Créditos: Shutterstock)

A maçã é o tipo de alimento que se destaca principalmente pela praticidade. Afinal, ela é fácil de ser carregada para qualquer lado, é resistente e só precisa ser lavada para comer. Mas existe uma discussão que divide as opiniões de muita gente: afinal, é melhor comer maçã com ou sem casca?

Para o biólogo molecular Hrvoje Dokuzović, essa resposta pode não ser tão simples. Isso porque a casca concentra a maior parte das fibras da fruta, mas isso não significa que comer a maçã inteira seja a melhor alternativa para todo mundo. Vamos entender melhor esse assunto a seguir!

A casca da maçã tem um bom motivo para ser consumida

Estima-se que uma unidade média de maçã fornece cerca de 4 gramas de fibras – quantidade que contribui para as necessidades diárias desse nutriente e que ajuda na sensação de saciedade. Mas, além das fibras, a fruta também fornece minerais importantes, como potássio, fósforo, cálcio, magnésio e ferro, e boas doses de vitamina C, E e algumas do complexo B.

O que muita gente não sabe é que é justamente na casca que está uma boa parte desse conteúdo nutricional. Segundo Dokuzović, é na parte externa da fruta que se concentra uma quantidade maior de pectina e fibras insolúveis.

A casca da maçã concentra a maior parte das fibras da fruta, o que ajuda na sensação de saciedade e no bom funcionamento do intestino (Créditos: Shutterstock)

A casca da maçã concentra a maior parte das fibras da fruta, o que ajuda na sensação de saciedade e no bom funcionamento do intestino (Créditos: Shutterstock)

A pectina é uma fibra solúvel que pode ser fermentada pelas bactérias do intestino, enquanto as fibras insolúveis contribuem para o funcionamento intestinal e para o aumento do volume das fezes. Desta forma, retirar a casca significa abrir mão de parte das fibras presentes naturalmente na fruta. Isso não transforma necessariamente a maçã descascada em uma escolha ruim, mas mostra que a casca também tem valor nutricional.

Então é melhor comer maçã sempre com casca?

É aqui que entra um detalhe importante: a tolerância individual. Em vídeos publicados nas redes sociais, Dokuzović chama atenção para a presença de frutose e sorbitol na maçã. Os dois compostos podem provocar desconforto digestivo em algumas pessoas, especialmente quando consumidos em quantidades maiores ou por quem apresenta maior sensibilidade intestinal.

A frutose é um açúcar naturalmente presente nas frutas. Já o sorbitol é um tipo de poliol, também chamado de álcool de açúcar. Em pessoas sensíveis, ambos podem estar associados a sintomas como gases, distensão abdominal, cólicas e alteração do funcionamento intestinal.

Ao retirar a casca da maçã, esses componentes não são eliminados. Ou seja, para quem tem dificuldade de digerir frutose ou sorbitol, comer uma maçã descascada ainda pode causar desconforto.

Descascar a maçã pode ser uma alternativa interessante para quem sente desconforto digestivo após comer a fruta (Créditos: Shutterstock)

Descascar a maçã pode ser uma alternativa interessante para quem sente desconforto digestivo após comer a fruta (Créditos: Shutterstock)

Com isso em mente, o especialista orienta que quem tolera bem a fruta deve consumi-la com casca para aproveitar uma quantidade maior de fibras. Já quem percebe desconforto depois de comer maçã, pode retirar a casca para reduzir o problema, mas isso não irá necessariamente resolvê-lo. 

Outro ponto destacado por Dokuzović é o tamanho da porção, que pode ser mais relevante do que a decisão entre descascar a fruta ou não. Uma pequena quantidade pode ser bem tolerada por alguém que apresenta sensibilidade, enquanto uma porção maior pode desencadear sintomas. Por isso, não basta olhar apenas para a casca para determinar se a fruta será confortável para o sistema digestivo.

A maçã continua sendo uma boa escolha para o dia a dia

No fim das contas, a casca da maçã não precisa ser encarada como vilã, nem como uma parte obrigatória da fruta. A melhor escolha depende menos de uma regra universal e mais da combinação entre valor nutricional, tamanho da porção e resposta individual.

Para a maioria das pessoas, comer uma maçã bem higienizada e com casca é uma forma prática de aproveitar mais fibras e se alimentar melhor. Porém, descascá-la também pode fazer sentido dependendo da preferência e da tolerância de cada organismo.

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