O vinagre de maçã é um dos ingredientes que costuma ser associado ao emagrecimento. (Créditos: Shutterstock)
Por muito tempo, o vinagre de maçã foi visto como um aliado natural no processo de perda de peso. Em março de 2024, a revista BMJ Nutrition, Prevention & Health, chegou a publicar um estudo que apontava efeitos positivos desse ingrediente no emagrecimento. A notícia ganhou repercussão nas redes sociais e reforçou uma crença que já circulava em dietas populares.
No entanto, mais de um ano depois, a mesma publicação trouxe uma reviravolta: os editores anunciaram a retratação do artigo e sua retirada do ar, após novo estudo que revelou inconsistências graves nos dados utilizados. Quer entender melhor? Venha conferir no TudoGostoso!
O estudo original
O vinagre de maçã foi o objeto de pesquisa em um estudo realizado na Líbia com pessoas com sobrepeso e obesidade. O objetivo era chegar em conclusões sobre o efeito desse ingrediente no emagrecimento. 120 pessoas foram divididas de forma aleatória em grupos. Alguns recebiam doses diferentes de vinagre, enquanto outros consumiam um líquido parecido, com o objetivo de simular o efeito placebo. Todos foram orientados a tomar o produto diluído em um copo de água logo pela manhã, em jejum, ao longo de três meses.
A partir disso os cientistas realizaram exames e avaliações químicas, que mostraram como resultado perdas expressivas de peso, redução do índice de massa corporal (IMC) e diminuição da circunferência da cintura entre os voluntários, além de melhor controle dos níveis de glicose, colesterol e triglicérides no sangue, entre aqueles que tomaram vinagre de maçã.
A notícia logo se espalhou pelo mundo e nos mais diversos portais de comunicação. Finalmente existia um estudo científico para comprovar a relação entre o vinagre de maçã e o emagrecimento. Mas com essa popularidade, logo chegaram críticas e questionamentos sobre esse trabalho.
Os erros do estudo publicado
A comunidade científica considerou os resultados desse estudo como "incongruentes" e "improváveis", levando os editores da revista de publicação a pedirem uma revisão mais aprofundada. Essa investigação analisou com mais precisão a metodologia, os números e as conclusões do experimento, revelando diversos erros na pesquisa. Algumas falhas técnicas foram constatadas, como arredondamento de dados, participantes em grupos errados e diferença entre dados obtidos com os que foram colocados no relatório final.
O estudo foi tirado do ar e realizaram uma retratação. “Por mais tentador que seja apresentar aos leitores um recurso aparentemente simples e útil para perda de peso, os resultados do estudo não se mostram confiáveis, e os profissionais não devem fazer mais referência a ele”, afirmou, em nota à imprensa, Helen Macdonald, coordenadora de ética e integridade de conteúdo do grupo BMJ.
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