Descoberta de pesquisadores é muito positiva para entender o ecossistema marinho (Créditos: Shutterstock)
Os alimentos enlatados oferecem muita praticidade no dia a dia, sendo possível encontrar desde grãos até sopas prontas. Quando um alimento como esse acaba passando da validade, o normal é descartá-los, mas para cientistas, pode ser uma grande fonte de informações.
Recentemente, pesquisadores da Universidade de Washington analisaram mais 170 unidades de salmão enlatado, processadas entre 1979 e 2021, para entender melhor as condições e o ambiente de onde esses peixes vieram. Para a surpresa deles, ao abrir uma lata de salmão que havia vencido há 50 anos, eles encontraram um indicador muito positivo que poderia ser uma chave essencial para proteção do salmão do Alasca, além de outros peixes que vivem em um mesmo ecossistema.
O que os cientistas acharam na lata de salmão vencida há 50 anos?
Durante o estudo, a equipe encontrou anisaquídeos, parasitas marinhos que, surpreendentemente, estavam perfeitamente preservados dentro das latas. Longe de ser um sinal alarmante, os pesquisadores enfatizam que este é um indicador biológico muito positivo: “a presença de anisaquídeos é um sinal de que o peixe no seu prato vem de um ecossistema saudável”, explica Chelsea Wood, uma das líderes da pesquisa.
Segundo os pesquisadores, esses parasitas podem revelar até mesmo as mudanças mais sutis em ecossistemas marinhos, além de desempenhar um papel essencial na cadeia alimentar. Primeiro, eles são ingeridos pelo krill, depois por espécies maiores como o salmão e finalizam seu ciclo no intestino de mamíferos. Por isso, a presença desses parasitas indicam a saúde dos ecossistemas marinhos.
“Parasitas marinhos preservados em salmão enlatado oferecem uma visão fascinante da ecologia marinha do Alasca ao longo de 40 anos”, explica um dos integrantes da equipe. Dessa forma, eles identificaram um aumento na presença desses parasitas ao longo do tempo, o que pode indicar um ecossistema estável ou em recuperação.
Do ponto de vista dos especialistas, esse aumento também pode ser devido às alterações climáticas e até mesmo por uma população maior de mamíferos marinhos na região. A equipe pretende continuar seus estudos, buscando entender mais sobre a evolução dos ecossistemas ao longo de longos períodos, o impacto das mudanças climáticas nas populações marinhas e muito mais.
O problema desses parasitas para a nossa saúde
Existem muitos seres minúsculos nos mares, desempenhando um papel importante no equilíbrio do ecossistema em que se encontram. Embora, sejam relevantes para a cadeia alimentar, eles podem ser prejudiciais para a nossa saúde, podendo causar uma intoxicação alimentar ou problemas mais graves.
Por isso, existem muitos estudos e esforços voltados para essa questão. Esse é um parasita que pode ser encontrado em muitos peixes e para evitar riscos, eles devem ser cozinhados a 60°C durante pelo menos um minuto ou congelados durante cinco dias se for consumir o peixe cru, em conserva ou salgado. No caso dos peixes enlatados esse procedimento não é necessário, uma vez que ao serem enlatados eles já passam por um cozimento, garantindo que seja seguro e pronto para consumo direto da lata.
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