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Você sabia que as pessoas dormiam dentro de armários na Idade Média?
Jéssica AntunesPor  Jéssica Antunes  | Redatora

Jornalista apaixonada pelo universo gastronômico. Aprendi a cozinhar de verdade (com panela de pressão e tudo) depois de sair da casa dos meus pais para estudar. Desde então, amo experimentar sabores, conhecer novas culinárias e me arriscar em receitas diferentes.

Uma solução criativa que unia conforto, economia de espaço e proteção contra o frio

Você sabia que as pessoas dormiam dentro de armários na Idade Média?

Armário-cama decorado: além de abrigo, uma forma de demonstrar status em tempos difíceis. (Foto: Wolfgang Sauber/Wikipedia)

Quando pensamos em conforto na hora de dormir, logo nos vem à cabeça uma cama macia e espaçosa. Mas nem sempre foi assim! Durante a Idade Média, um móvel bastante peculiar ganhou popularidade em toda a Europa: o armário-cama. Sim, você leu certo! As pessoas literalmente dormiam dentro de armários de madeira, e essa solução não era apenas prática, mas também essencial para enfrentar os rigorosos invernos da época.

Como funcionavam os armários-cama?

Esses móveis pesados eram verdadeiras caixas de madeira, equipadas com portas de correr, dobradiças ou, em alguns casos, apenas cortinas. O objetivo? Criar um espaço fechado, quentinho e protegido para enfrentar o frio intenso. Durante a chamada Pequena Idade do Gelo, entre os séculos XVI e XIX, as temperaturas eram anormalmente baixas, e as casas, muitas vezes, não contavam com qualquer sistema de aquecimento.

Essas "camas" eram tão populares que até mesmo as famílias mais humildes, que viviam em espaços pequenos, utilizavam-nas para poupar espaço e se proteger das baixas temperaturas. As versões mais sofisticadas, usadas pelas classes mais altas, eram ricamente decoradas, com painéis pintados e entalhes artísticos. Algumas eram até embutidas em paredes para isolar ainda mais o frio.

Vantagens surpreendentes desse móvel curioso

Economia de espaço: ideais para casas pequenas, esses armários podiam acomodar até famílias inteiras.

Proteção térmica: com pouca circulação de ar, o calor corporal se mantinha dentro do móvel.

Mais privacidade: numa época em que muitas pessoas dormiam no mesmo ambiente, o armário-cama oferecia um pouco de resguardo.

O estranho costume do sono bifásico

Se você acha que dormir direto por 8 horas é uma regra universal, saiba que esse é um hábito relativamente moderno. Na Idade Média, as pessoas seguiam um padrão de sono bifásico, ou seja, dormiam em dois períodos distintos durante a noite.

Primeiro sono: começava ao anoitecer e durava até por volta das 2 ou 3 da manhã.

Período de vigília: as pessoas acordavam por uma ou duas horas. Nesse intervalo, rezavam, conversavam, faziam pequenos reparos em objetos e até visitavam os vizinhos.

Segundo sono: retornavam para a cama até o amanhecer.

Essa rotina, além de cultural, era adaptada às necessidades da época e ao ritmo natural do organismo. Muitos acreditavam que o tempo de vigília entre os dois sonos era um momento ideal para reflexão e intimidade com a família ou parceiros.

Um costume que ficou para trás, mas que ainda fascina

Apesar de parecer desconfortável hoje em dia, os armários-cama cumpriram um papel importante na história do mobiliário e dos hábitos de sono. Eles mostram como as pessoas souberam se adaptar às condições ambientais e sociais da época, encontrando soluções criativas para garantir o bem-estar.

Quem diria que, muito antes dos quartos minimalistas modernos, a praticidade e a multifuncionalidade já eram conceitos bem aplicados? Resta a curiosidade: você se arriscaria a passar uma noite em um armário-cama medieval?

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